Enquanto uma a avisava para não sonhar muito alto com a família Brooks, a outra sutilmente a lembrava de seu lugar como uma estranha.
Que deliciosa ironia!
"E o que isso tem a ver com você, senhorita Higgins?" Nyla perguntou, levantando-se abruptamente. Um sorriso malicioso curvou seus lábios enquanto ela acrescentava: "Stella tem razão, quem sabe quem vou encantar em seguida? Talvez um dia... Ethan também acabe na minha cama. Ao invés de se preocupar comigo, senhorita Higgins, é melhor ficar de olho em si mesma."
O sorriso desapareceu tão rapidamente quanto surgiu. Sem esperar por uma resposta, Nyla se virou e foi em direção ao jardim.
"Sua vadia! Como ousa sequer pensar no tio Ethan!" "Callie, está vendo? Ela não merece sua gentileza. Ela é uma sem-vergonha!"
Os olhos de Callie se fixaram na figura de Nyla que se afastava, sem qualquer pretensão de gentileza. Com a voz fria e comedida, ela disse: "Ela é só uma estranha. Ela realmente acha que a família Brooks vai protegê-la? Vamos ver quanto tempo ela vai durar."
Embora o ar invernal o deixasse frio, o jardim oferecia um refúgio tranquilo para Nyla. O jantar ainda não havia sido servido, pois Roger Brooks, pai de Ethan, ainda não havia chegado. Nyla estava grata por não estar com muita fome, caso contrário, poderia ter tido um confronto direto com Vicki e ido embora.
A maioria das flores havia murchado, deixando a paisagem antes vibrante árida e desolada. Ela observou as flores secas, encontrando um estranho conforto na sua desolação.
Sentando-se num balanço escondido no canto do jardim, Nyla balançava-se levemente, perdida em pensamentos. A situação com Ethan estava se agravando. Se as coisas terminassem entre eles agora, seus planos cuidadosamente elaborados iriam por água abaixo.
Quando ela se aproximou de Ethan pela primeira vez, disse a si mesma que tudo era calculado, um meio para um fim. Mas, em algum momento do caminho, suas emoções a traíram.
Ela estava tão carente de amor há muito tempo que o gosto dele, por mais fugaz que fosse, a deixou gananciosa.
Ela não queria deixá-lo ir.
"Acha que pode se esconder aqui depois de causar problemas? Acha que a família Brooks é tão tolerante assim? " a voz de Ethan cortou o silêncio, aguda, mas calma.
Nyla congelou por um segundo antes de continuar se balançando preguiçosamente. A luz da casa iluminava sua figura, a envolvendo num brilho etéreo que a fazia parecer quase sobrenatural, como uma flor delicada num jardim em ruínas.
Inclinando a cabeça ligeiramente, seus cabelos caíram sobre o peito, e ela abriu um leve sorriso. "Então você veio me dar um sermão em nome da sua futura noiva?"
Seus olhos, brilhando com um desafio brincalhão, se fixaram nos dele. Ethan odiava e amava esses olhos, o brilho travesso que a fazia parecer uma raposinha astuta, sempre atraindo-o para perto.
"Você está ficando mais ousada."
"Se esse é o motivo de você ter vindo, pode poupar seu fôlego. Não vou pedir desculpas, nem precisa me lembrar do meu lugar. Se a família Brooks me odeia ou não, isso não é da sua conta. Afinal, sou só... insignificante, não é?"Nyla retrucou, a amargura permeando suas palavras.
A expressão de Ethan se obscureceu instantaneamente.
Ele percorreu a distância entre eles com passos largos e a puxou do balanço, seu aperto firme. "Insignificante? Já se esqueceu de quem estava na minha cama ontem, me agradando? " ele perguntou, sua voz como um rosnado.
Os olhos de Nyla se arregalaram enquanto ela lutava contra ele. Ethan não afrouxou o aperto; puxou-a para o seu colo e sentou-se no balanço, cuja estrutura rangia sob o peso combinado deles.
"Me solte! Ethan, estamos na Mansão Brooks. Alguém pode ver!" ela sibilou, contorcendo-se para se libertar.