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A Luna Sacrificada: Renascida nos Braços de um Rei
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A Luna Sacrificada: Renascida nos Braços de um Rei

Autor: Vivie Doeringer
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Capítulo 1

Eles me chamam de "esposa invisível", a empregada doméstica com um título. Por dezoito anos, eu interpretei o papel da Luna fraca e submissa para meu marido Alfa, Antônio.

Mas o cheiro de pêssegos maduros demais e o almíscar de outra loba em seu terno feito sob medida estilhaçaram minha ilusão.

Ele não estava apenas me traindo; ele estava usando Bloqueadores de Vínculo ilegais para anestesiar nossa conexão sagrada, escondendo sua traição enquanto eu satisfazia todos os seus caprichos.

Desesperada pela verdade, eu o segui até o Hotel Luar da Montanha. Eu esperava encontrá-lo na cama com sua amante, Kátia.

Eu não esperava ouvir meu próprio filho adolescente, Tiago, rindo com eles.

"Mamãe é só uma humana na pele de uma loba", ele zombou através da porta. "Tenho vergonha de que ela seja minha mãe. Kátia é como uma verdadeira Luna deveria ser."

Suas palavras cortaram mais fundo que qualquer lâmina. Elas zombaram da minha falta de cheiro. Elas me chamaram de um defeito.

Eles não sabiam que a cicatriz irregular em meu peito existe porque eu derramei toda a minha essência nos pulmões moribundos de Tiago na noite em que ele nasceu.

Eu me tornei "fraca" unicamente para mantê-lo vivo.

E é assim que eles me pagam? Planejando me substituir pela mulher que está gastando minha herança?

Eles querem uma Luna poderosa? Eles estão prestes a ter uma.

Enxuguei minhas lágrimas e me olhei no espelho, meus olhos cor de avelã brilhando com uma prata ofuscante e predatória.

A Loba Branca esteve adormecida por dezesseis anos, mas esta noite, no Baile de Gala da Alcateia, ela acorda para caçar.

Capítulo 1

Ponto de Vista de Alessandra:

O terno era caro. Seda italiana, feito sob medida por Ricardo Almeida para os ombros largos e musculosos de um Alfa.

Alisei a lapela do paletó do meu marido, preparando-o para a lavanderia. Era uma tarefa mundana, uma que se encaixava em Alessandra Matarazzo, a Luna "fraca" da Alcateia da Lua de Prata. Era assim que me chamavam. A esposa invisível. A empregada doméstica com um título.

Então, o cheiro me atingiu.

Não foi sutil. Foi um ataque aos meus sentidos.

Enterrado sob a colônia usual de Antônio - um sândalo fresco - havia outra coisa. Era enjoativo e doce, como pêssegos maduros demais deixados para apodrecer ao sol. Misturado a isso estava o inegável almíscar biológico de uma loba no cio.

Minhas mãos congelaram no tecido.

Lobos têm narizes sensíveis. Mesmo uma "fracote de nível Ômega" como eu conseguia distinguir cheiros. Meu peito se apertou, uma dor antiga latejando sob meu esterno - a dor fantasma de um sacrifício que fiz há dezesseis anos.

Meu estômago se revirou. Deixei o paletó cair na cama como se estivesse em chamas.

Eu precisava me sentar. Caminhei até a penteadeira, minhas pernas tremendo. Sobre o móvel estava o iPad da família. Não estava desbloqueado por engano; era eu quem gerenciava a sincronização na nuvem da alcateia. Antônio era arrogante demais para entender como o compartilhamento familiar funcionava nos dispositivos da Apple. Ele achava que apagar uma mensagem em seu celular a apagava de todos os lugares.

Toquei no ícone de mensagens.

Não era uma mensagem de texto. Era uma transcrição do canal criptografado de Conexão Mental que eu havia configurado para arquivar automaticamente para "proteção legal" anos atrás.

*Você me deve o segundo round, Alfa.*

O texto era seguido por um emoji vulgar representando o "Nó" - o travamento biológico que acontece durante o acasalamento dos lobos.

Minha respiração falhou.

"Segundo round", sussurrei, as palavras com gosto de cinzas.

Pânico, frio e agudo, arranhou minha garganta. Seria Tiago? Alguma loba mais velha estava se aproveitando do meu filho antes de sua primeira transformação?

Eu não sabia a quem recorrer. Não podia ir aos Anciões; eles adoravam Antônio. Abri uma aba no navegador e acessei o "Confissões Lupinas", um fórum anônimo para lobos. Meus dedos voaram pela tela.

Usuária: LunaAnônima12

*Ajuda. Encontrei uma mensagem no iPad da família. "Você me deve o segundo round, Alfa." Meu filho adolescente está sendo aliciado?*

As respostas vieram instantaneamente. A internet nunca dorme.

Usuário: UivoNoturno: *Querida, isso não é para um filhote. É papo de Alfa. "Alfa" é um título, não um apelido para um garoto.*

Usuária: Loba_XX: *Além disso, olhe o horário. Isso foi enviado da zona de Wi-Fi segura do Hotel Luar da Montanha. Nenhum filhote entra lá. Aquilo é um ninho só para adultos.*

O quarto girou.

Não era Tiago.

A porta da frente lá embaixo bateu com força. Passos pesados ecoaram no corredor.

"Alessandra? Cheguei!"

A voz de Antônio ribombou, cheia daquela confiança carismática que fazia a alcateia o venerar.

Rapidamente bloqueei o iPad e me levantei, suavizando minha expressão. Eu tinha que ser a esposa perfeita e submissa. O papel que eu interpretei por dezoito anos.

Antônio entrou no quarto. Ele estava bonito, seu cabelo escuro ligeiramente desgrenhado. Mas no momento em que ele se aproximou para beijar minha bochecha, eu senti o cheiro de novo. Os pêssegos. O almíscar.

E outra coisa.

Ele cheirava a sálvia e hortelã. Ervas fortes. Ele havia tentado mascarar o cheiro.

"Você está atrasado", eu disse, minha voz surpreendentemente firme.

"A reunião do conselho se estendeu", ele mentiu, afrouxando a gravata. "O velho Gregório não parava de discutir sobre as patrulhas da fronteira. Exaustivo."

"Vou desarrumar sua pasta", ofereci, estendendo a mão para a bolsa de couro em sua mão.

Ele recuou, puxando-a levemente para trás. "Não precisa. Tenho documentos confidenciais aí."

"Antônio", eu disse suavemente, baixando os olhos. "Você parece cansado. Vá tomar um banho. Eu só vou colocá-la na escrivaninha."

Ele hesitou, depois suspirou. "Tudo bem. Me serve uma bebida?"

Ele entrou no banheiro. A água começou a correr.

Eu não servi uma bebida. Eu abri a pasta.

Não havia papéis do conselho. Em vez disso, escondida em um bolso lateral, havia uma cartela de pílulas. Duas delas já haviam sido usadas.

Bloqueadores de Vínculo.

Eu ofeguei. Isso era ilegal. Altamente ilegal.

O Vínculo de Companheiros é sagrado. É a amarra espiritual e biológica que conecta duas almas escolhidas pela Deusa da Lua. Ele nos permite sentir as emoções um do outro, sentir quando o outro está perto.

Bloqueadores de Vínculo são um narcótico projetado para anestesiar essa conexão. Eles entorpecem a culpa. Eles silenciam o chamado do companheiro para que um Alfa possa trair sem que sua parceira sinta a traição através do vínculo.

Lembrei-me de ter visto uma embalagem vazia semelhante na lixeira de Tiago na semana passada. Eu tinha presumido que era algum doce estranho de adolescente.

Meu coração martelava contra minhas costelas.

Não era apenas um caso. Isso foi premeditado. Ele estava se drogando para esconder sua infidelidade de mim. Ele estava rompendo a conexão sagrada que a Deusa nos deu, apenas para dormir com alguém que cheirava a fruta podre.

No fundo de mim, em um lugar que eu havia murado por anos, algo se agitou.

Minha Loba Interior.

Ela estava adormecida desde a noite em que Tiago nasceu, drenada a uma fagulha para manter meu filho vivo. Mas a traição é um combustível poderoso. Pela primeira vez em uma década, senti uma faísca.

Era um som de pura, inalterada fúria.

Olhei para a porta do banheiro. Eu podia ouvir Antônio cantarolando uma melodia sobre o som do chuveiro.

Peguei meu celular e tirei uma foto das pílulas. Depois, voltei ao fórum.

Usuário: LoboLegal: *Junte provas. Se você o confrontar sem provas, as leis da Alcateia vão te esmagar. Ele é um Alfa. Você é... bem, você.*

Digitei minha resposta, meus polegares pressionando com força contra o vidro.

Usuária: LunaAnônima12: *Vou fazê-lo se arrepender de ter nascido lobo.*

            
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