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A Luna Sacrificada: Renascida nos Braços de um Rei
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Capítulo 3

Ponto de Vista de Alessandra:

Antônio chegou em casa às 3 da manhã.

Eu estava na cama, fingindo dormir. Controlei minha respiração, mantendo-a lenta e rítmica.

Ele deslizou para a cama ao meu lado. Ele fedia a sabonete, mas por baixo disso, o cheiro metálico da excitação de Kátia ainda se agarrava à sua pele.

Então, senti uma picada no meu braço.

Eu não me mexi. Deixei que ele me injetasse.

Era uma microdose de Feromônios Calmantes. Alfas usam para acalmar membros da alcateia angustiados, mas em altas doses, torna o receptor dócil, confuso e submisso. Ele estava me drogando para me manter controlável.

A piada era com ele. Meu metabolismo queimava sedativos quatro vezes mais rápido que um lobo normal. Era uma característica da minha linhagem - a linhagem da qual ele não sabia nada.

Esperei até que sua respiração se aprofundasse em sono. Então, saí da cama.

Eu precisava saber a extensão da podridão. Eu precisava ouvir de Tiago.

Fui sorrateiramente pelo corredor até o quarto do meu filho. A porta estava entreaberta. A luz azul de um monitor de jogos se derramava no corredor.

Ele estava em uma chamada de vídeo.

"É, o pai acabou de chegar", disse Tiago, rindo. Ele estava usando seu headset, girando em sua cadeira.

"Ele contou pra ela?", uma voz feminina. Kátia.

"De jeito nenhum", zombou Tiago. "A mamãe ia surtar. Ela é tão emotiva. É patético."

Eu fiquei nas sombras do batente da porta, minha mão agarrando a madeira com tanta força que deixei marcas.

"Ela só... ela não tem perfil de Luna, Kátia", continuou Tiago, sua voz cheia de arrogância adolescente. "Uma Luna deveria ser forte. Feroz. A mamãe é só... uma humana na pele de uma loba. Tenho vergonha de apresentá-la aos meus amigos."

"Não se preocupe, querido", Kátia arrulhou pelos alto-falantes. "Depois do Baile, as coisas vão mudar. Seu pai prometeu."

"Mal posso esperar", disse Tiago. "Imagina ter uma Luna que realmente fica bem em um vestido. Que tem poder. Você vai me ajudar a treinar para a minha transformação, né? A mamãe não pode me ensinar nada. Ela nem usa a loba dela."

Meus joelhos cederam. Deslizei pela parede, lágrimas silenciosas escorrendo pelo meu rosto.

Não era apenas que ele a preferia. Era o desprezo. A total falta de respeito pela mulher que havia enxugado suas lágrimas, curado seus arranhões e ficado acordada com ele em todas as febres.

Ele media o valor unicamente pelo poder. Pela agressão.

Ele era exatamente como o pai.

Arrastei-me até o banheiro, trancando a porta atrás de mim. Inclinei-me sobre o vaso sanitário e tive ânsia de vômito. A dor no meu peito era insuportável. Parecia que o tecido da cicatriz ao redor do meu coração estava se rasgando.

*Nos deixe sair.*

A voz na minha cabeça estava mais alta desta vez. Mais clara.

Olhei no espelho.

Meu reflexo estava pálido, com olheiras escuras sob os olhos. Mas meus olhos...

Normalmente, eram de um suave tom de avelã. Agora, eles estavam piscando. Uma prata brilhante e iridescente.

Minha Loba Interior estava arranhando a superfície.

*Eles nos traíram, Alessandra*, ela rosnou. *O companheiro. O filhote. Eles nos jogaram fora.*

"Eu sei", sussurrei para o espelho.

*Nós não choramos por traidores*, ela sibilou. *Nós os caçamos.*

Uma batida na porta me fez pular.

"Alessandra?", a voz de Antônio. "Você está bem aí? Ouvi um barulho."

Fechei os olhos. Forcei a prata a recuar. Empurrei a loba para baixo, trancando-a atrás das grades mentais que eu havia construído anos atrás.

"Só uma dor de estômago", gritei, minha voz tremendo apenas um pouco. "Volte a dormir."

"Vê se melhora até sábado", disse ele através da porta. "O Baile é obrigatório. Preciso de você lá para sorrir e acenar. Os Anciões estão observando."

"Eu estarei lá", eu disse.

Abri meus olhos. Eles eram avelã novamente, mas frios. Gelados.

"Eu não perderia por nada neste mundo", sussurrei.

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