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Capítulo 3 02

Elisa Martins

Meu aluguel estava pago.

As contas estavam quitadas.

Minha mãe continuava internada.

E eu... eu não dormia.

O silêncio do apartamento parecia gritar mais alto do que qualquer sirene de hospital. Estava sentada no sofá desde que o sol se pôs, encarando o envelope sobre a mesa de centro como se ele fosse uma sentença de morte - ou de sobrevivência. Talvez os dois.

Respirei fundo antes de abri-lo.

Helena não faria isso comigo... faria?

Quando li as primeiras linhas, o ar simplesmente deixou meus pulmões.

Contrato de trabalho e confidencialidade.

Meu coração começou a bater tão forte que temi que os vizinhos ouvissem. Minhas mãos tremiam enquanto meus olhos desciam pelas páginas, palavra por palavra, como se cada letra estivesse sendo cravada na minha pele.

Um ano.

Um milhão por mês.

Um valor final que eu sequer conseguia processar.

- Isso é uma piada... - murmurei para o nada.

Não era.

Era frio. Jurídico. Cruel.

E absurdamente tentador.

Meu nome estava ali, completo. Como se eu já tivesse aceitado. Como se minha vida já tivesse sido decidida por alguém além de mim.

Alex Roux.

Cézar Roux.

Os nomes pareciam sair do papel e se espalhar pelo ambiente. Eu não os conhecia pessoalmente, mas Helena falava deles com um respeito quase temeroso. Homens poderosos. Donos de impérios que não apareciam nos jornais.

Homens que não aceitavam recusas.

Meu estômago revirou ao chegar às cláusulas finais.

Em hipótese alguma deve se apaixonar.

Soltei uma risada sem humor.

Como se fosse tão simples assim.

Fechei os olhos com força, tentando pensar na minha mãe. Nos tubos. Nos aparelhos. Na forma como ela apertou minha mão mais cedo, fraca, mas sorrindo.

- Vai ficar tudo bem, filha... - ela disse. - Você sempre dá um jeito.

Abri os olhos sentindo as lágrimas queimarem.

Dar um jeito.

Sempre.

Contrato de Prestação de Serviços e Confidencialidade

Contratada: Srta. Elisa Sandrini Martins

Contratantes: Alex Roux e Cézar Roux

Intermediária: Helena Vaper

O documento era extenso. Frio. Impessoal. Escrito em uma linguagem jurídica que tentava, sem sucesso, suavizar o peso do que estava sendo proposto.

Tratava-se de um contrato de prestação de serviços exclusivos, com duração de um ano, em regime integral, firmado entre as partes acima citadas.

A remuneração vinha destacada logo nas primeiras páginas - valores tão altos que pareciam irreais, quase ofensivos de tão generosos. Pagamentos mensais garantidos e uma quantia final ao término do contrato, condicionada ao cumprimento integral de todas as cláusulas.

Havia um capítulo inteiro dedicado à confidencialidade absoluta.

Nada poderia ser mencionado.

Nada poderia ser registrado.

Nada poderia ser compartilhado.

Nem agora. Nem depois.

Nunca.

Qualquer violação implicaria em penalidades severas, descritas em números que faziam o estômago revirar. Não havia espaço para erro. Nem para arrependimento.

Outro trecho deixava claro que o contrato era irrevogável durante o período estipulado. Uma vez assinado, não poderia ser rompido por nenhuma das partes, salvo mediante consequências financeiras devastadoras.

A contratada teria dedicação exclusiva aos contratantes, com direito a apenas um dia livre por semana, destinado a resolver assuntos pessoais previamente comunicados.

Então veio a cláusula que me fez parar de respirar por alguns segundos.

Uma página inteira dedicada às restrições emocionais.

Era expressamente proibido o envolvimento sentimental.

Apego.

Dependência.

Qualquer forma de vínculo que ultrapassasse o que estava descrito como "relação contratual".

A leitura deixava claro:

aquilo não era sobre afeto.

Nunca seria.

As últimas páginas tratavam da natureza dos serviços, descritos de forma vaga, propositalmente ambígua, mas suficientes para que eu entendesse exatamente o que estava sendo exigido de mim. Não havia romantização. Apenas termos técnicos, frios, objetivos.

O encerramento era ainda mais cruel.

Uma linha única, em letras destacadas, parecia gritar da folha:

Ao assinar este contrato, a contratada declara estar ciente de todas as cláusulas, abrindo mão de qualquer contestação futura.

O local da assinatura estava ali.

Esperando.

---

Meu celular vibrou sobre o sofá. O nome de Helena piscava na tela.

- Você enlouqueceu? - atendi sem rodeios.

- Você leu. - Ela afirmou, não perguntou.

- Levei cinco minutos pra ler e uma vida inteira pra processar.

Silêncio do outro lado.

- Elisa... - a voz dela perdeu a frieza habitual. - Eu não ofereceria isso se não fosse a única saída.

- Você está me vendendo.

- Não. - Ela respirou fundo. - Estou te dando uma escolha. Cruel, eu sei. Mas ainda assim... uma escolha.

Fechei os olhos outra vez.

- Eles não são homens comuns, Elisa.

- Eu percebi.

- Se assinar, nada poderá ser quebrado. Nem por você, nem por eles.

- E se eu disser não?

Helena demorou.

- Então eu sinto muito pela sua mãe.

Aquilo doeu mais do que qualquer palavra.

Quando a ligação terminou, fiquei ali, imóvel. O contrato ainda aberto sobre a mesa. Como se estivesse esperando apenas uma coisa: minha assinatura.

Não assinei naquela noite.

Mas também não rasguei.

---

O prédio em Las Vegas era ainda mais intimidador pessoalmente. Vidro, aço e silêncio. Tudo ali gritava poder. Eu me sentia pequena atravessando aquele saguão gigantesco, com um vestido simples e o coração disparado.

Helena me esperava.

- Ainda dá tempo de desistir - ela disse, séria.

- Não dá - respondi.

Ela assentiu e me conduziu até o elevador privado. Cada andar parecia me afastar mais da mulher que eu era antes.

As portas se abriram para um andar inteiro. Um escritório que mais parecia um trono moderno.

Eles estavam ali.

Alex foi o primeiro que notei. Postura calma. Olhar atento. Perigoso de um jeito silencioso.

Cézar... Cézar era outra coisa. O sorriso torto, o olhar que parecia atravessar minha alma.

- Srta. Martins - Alex disse, levantando-se. - Obrigado por vir.

- Eu não vim - respondi com a voz firme apesar do medo. - Eu fui chamada.

Cézar sorriu.

- Gosto dela.

Alex lançou um olhar breve ao irmão antes de voltar-se para mim.

- Sente-se, Elisa.

Meu nome na boca dele fez algo estranho acontecer no meu peito.

Sentei.

O contrato estava ali, novamente. A caneta repousava ao lado, como um desafio.

- Antes que assine - Alex disse -, preciso que entenda uma coisa.

Ergueu-se, caminhando lentamente ao meu redor.

- Nada aqui é sobre força. É sobre escolha. Você está aqui porque quer salvar alguém. Nós... oferecemos o meio.

Cézar se inclinou para frente.

- Mas uma vez dentro, não existe meio-termo.

Engoli em seco.

- E se eu me arrepender?

Alex parou atrás de mim.

- Arrependimento não muda contratos.

Havia algo na voz dele que não era ameaça. Era verdade.

Peguei a caneta.

Minhas mãos tremiam.

Minha alma gritava.

Minha mente implorava por racionalidade.

Assinei.

Quando terminei, Cézar bateu palmas lentamente.

- Bem-vinda, Elisa Martins.

Alex inclinou-se e sussurrou, próximo demais do meu ouvido:

- A partir de agora... sua vida nunca mais será simples. - Senti seu hálito quente e ele continuou. - E seu corpo...bem, seu corpo é nosso.

E, pela primeira vez desde que tudo começou, eu soube.

Eu tinha acabado de atravessar uma linha sem volta.

{...}

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