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Como Contratar um Mafioso
img img Como Contratar um Mafioso img Capítulo 5 Uma Caverna de Sangue
5 Capítulo
Capítulo 6 A Vítima É Sempre Louca img
Capítulo 7 Um Domingo Sangrento img
Capítulo 8 Um Simples Telefonema img
Capítulo 9 Não Existe Amor na Máfia img
Capítulo 10 O Preço de um Erro img
Capítulo 11 De Don a Marido de Aluguel img
Capítulo 12 P.S.: Teu Enzo img
Capítulo 13 O Leão E A Gazela img
Capítulo 14 A Assassina E A Massagista img
Capítulo 15 Uma Cliente Que Sabia Demais img
Capítulo 16 A Mulher No Espelho img
Capítulo 17 Playboy Por Uma Noite img
Capítulo 18 Esposa por Uma Noite img
Capítulo 19 Sequestrar uma Vida img
Capítulo 20 Um Marido Perfeito img
Capítulo 21 Ainda Restam Vinte Minutos img
Capítulo 22 Uma Última Vez img
Capítulo 23 Lágrimas de Valentina img
Capítulo 24 Depois dos Beijos img
Capítulo 25 Um Café Desconfiado img
Capítulo 26 Sem Direito à Ressaca img
Capítulo 27 Segredos de Camila img
Capítulo 28 Peças de Xadrez img
Capítulo 29 Nada de Bom Dia img
Capítulo 30 A Consulente img
Capítulo 31 Os Jogos de Amélia img
Capítulo 32 Lágrimas de Dante img
Capítulo 33 A Gazela Vai ao Leão img
Capítulo 34 Um Tapa na Cara img
Capítulo 35 Um Uísque como Arma img
Capítulo 36 A Capo img
Capítulo 37 Ela se foi img
Capítulo 38 Uma Casa Sem Janelas img
Capítulo 39 Você É Minha! img
Capítulo 40 A Chegada img
Capítulo 41 Mansão Maranzano img
Capítulo 42 Por Minha Culpa img
Capítulo 43 Tios de Noah img
Capítulo 44 A Foice e O Martelo img
Capítulo 45 Uma Madrugada na Mansão img
Capítulo 46 Manhã de Ação img
Capítulo 47 O Grande Urso img
Capítulo 48 Amor Creio que Não img
Capítulo 49 Chegada à Calderón img
Capítulo 50 Riscos e Controle img
Capítulo 51 O Resgate img
Capítulo 52 Era uma Cilada img
Capítulo 53 Flashback: Era uma vez... img
Capítulo 54 De Volta ao Lar img
Capítulo 55 Ria Enquanto Puder img
Capítulo 56 O Verdadeiro Lorenzo img
Capítulo 57 Ele me ama img
Capítulo 58 Medo de ter medo img
Capítulo 59 Flashback: Meu Nerd img
Capítulo 60 Um Dia de Domingo img
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Capítulo 5 Uma Caverna de Sangue

LORENZO

Desci os corredores como se fosse o próprio Lúcifer indo tomar conta do inferno que o pai construíra. Era ali onde eu conversava com meus desafetos. Escutei os gritos antes de abrir a porta:

- Por favor! Eu não fiz nada! Eu só...

Entrei na sala tendo a certeza de que o destino do crápula capturado era todo meu. E eu faria o que bem entendesse. O homem amarrado à cadeira se calou no mesmo instante em que me viu. O silêncio que se seguiu era mais pesado que qualquer ameaça. A Caverna era bem simples: um cômodo com três paredes de concreto e uma de vidro. Uma cadeira no centro, luz branca direta. E o cheiro - sempre o cheiro - de sangue seco, mijo e medo.

Entreguei o terno a Thiago, meu Underboss, que me esperava em silêncio. Arregacei as mangas da camisa, pois não queria sujá-las. Não era preciso perguntar o nome do homem - isso eu já sabia -, porém gostava de seguir o protocolo.

- Nome?

- Ricardo. Eu... eu trabalho no porto. Empilhamento de carga... - respondeu o sujeito, com a voz trêmula.

- Talvez seja verdade. Pena que não importa.

O primeiro soco foi leve. O segundo, do outro lado, foi para manter a simetria e o tom vermelho em ambas as faces. O terceiro, um tapa de palma aberta, só pelo estalo que eu apreciava ouvir.

- Eu juro! Eu não sei do que estão falando! Eu... - tentou se explicar, mas suas palavras foram cortadas pelo choro. E pelo cheiro de mijo.

Por que a imagem de Don Ettore aparecia naquelas situações? Eu sempre via o rosto dele na face à minha frente. Contudo, também escutava suas risadas dentro de mim, e tinha a certeza de que elas me assombrariam para sempre. Por isso, eu não dava risadas... nunca. Nem de alegria, nem de sarcasmo, nem por crueldade. E gostava de me manter desse jeito.

- Acredita mesmo que eu não sei o que você fez no porto, quando ninguém estava vendo?

O infeliz reafirmou sua posição de trabalhador.

- Você acaba de perder a chance, Ricardo, de confessar e receber uma morte rápida como recompensa. Confesse logo e, talvez, eu reconsidere torturar você... muito.

- Eu não sei do que o senhor está falando, eu...

- Você vendeu uma menina de quatorze anos para um cliente do Distrito Golden. Sua filha, Ricardo? Para quem? E em troca de quê?

Seus olhos assustados me diziam que ele procurava uma resposta. Antes que eu ouvisse suas desculpas de merda, repeti vagarosamente.

- Você vendeu uma menina de quatorze anos. Sua filha.

O homem virou uma múmia antes mesmo de ser morto. Reclinando-me o suficiente para que meus dedos alcançassem o seu punho, girei-o com precisão e o estalo do osso se partindo foi claro - uma nota bonita de se ouvir. O grito que se seguiu, nem tanto. Muito menos o mijo.

- Caralho, você mijou no meu sapato? - praguejei.

Fiz um gesto para que Thiago o erguesse.

- O que você ganhou?

Mais um soco, agora no estômago. Coloquei o sapato sujo em cima da cadeira. Meu Underboss precisou de dois gestos para entender: o homem devia limpá-lo, com a língua. E assim o fez para que eu não a cortasse. Puxei o desgraçado pelos cabelos desgrenhados até a parede de vidro. Na outra sala, uma luz se acendeu. Havia uma adolescente curvada, abraçada aos joelhos. Uma enfermeira lhe fez os primeiros socorros, lhe deu banho e comida.

- Você podia tê-la vendido para mim. Eu te pagaria muito mais e a foderia todos os dias - vesti minha pior máscara. - Mas nunca a jogaria num esgoto, machucada e sangrando, para morrer.

O homem se remexia, dizendo que não sabia que a descartariam depois de usá-la.

- Diga quem a comprou e te darei o direito de escolha: você morre aqui e a garota fica livre... ou fica vivo e ela será minha putinha - blefei.

- Pode ficar com ela, Don Maranzano! Foi o Batista. Sim, o da Batista Holdings, o novo rico de quem estão falando nos jornais.

Senti aquele frio na espinha - não de medo, mas de puro ódio.

- Ok. - Larguei aquele merda no chão. - Rasteje até a saída. Não teremos mais problemas.

A mentira foi dita sem emoção alguma.

Ricardo se jogou ao chão, desesperado para fugir. Sequer notou quando fiz um gesto para Thiago atirar. O desgraçado foi para o inferno no mesmo instante.

- Você sabe quem é esse tal Batista?

Thiago limpava a arma.

- Sim. Não se preocupe, ele afundará no oceano com um paralelepípedo amarrado às costas.

- A Casa Donna Lucia já foi notificada? - perguntei, enquanto recolocava meu terno.

- Sim, Sônia falou que mandaria uma psicóloga para buscá-la ao amanhecer - respondeu o assassino.

Assenti.

Casa Donna Lucia: o abrigo que fundei em nome da minha mãe. A única coisa boa que me restava. Lucia Maranzano: a mulher a quem meu pai matou aos poucos, até o dia que resolveu assassiná-la. E, por isso, eu o matei. Se sentia algum remorso, era por não o ter matado antes.

- Por que você não conta a verdade a Dante?

Virei o rosto devagar.

- Você é pago para matar. E recebeu minha benção para foder meu irmão - comentei. - Não confunda isso com o direito de me questionar.

Ele não respondeu. Minha fala demonstrou que ele já tinha ido longe demais.

- E se Dante souber de algo pela sua boca... - prossegui - você vai desejar morrer afogado. Será um alívio perto do que vou fazer com você."

Ia sair da Caverna quando o ponto no ouvido chiou.

- Lorenzo? - era Valentina, minha Capo. - Temos um problema.

- Fale - ignorei o fato de ela não me chamar de Don. Ela nunca me chamava assim quando estávamos a sós.

- Amélia Calderón deu um passo em falso. Entrou em contato com um presidiário. O nome dele é Jonas Guerra.

Procurei na memória por esse nome, e ninguém me veio à mente.

- Por que uma mulher como ela se rebaixaria tanto? - murmurei.

Sem comentários, Valentina esperou por ordens.

- Descubra tudo sobre esse cara - ordenei. - Quem ele é, o que quer, e por que ela foi atrás dele.

- Entendido - assentiu. - E você?

- Vou para casa - respondi, deixando o cansaço transparecer na voz. - Precisamos de informações. Quando formos visitar os Calderón... seremos a última visita que eles receberão.

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