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Entregue ao chefe da Máfia
img img Entregue ao chefe da Máfia img Capítulo 3 Ele poderia me prender
3 Capítulo
Capítulo 6 O silêncio dela me irritou img
Capítulo 7 Meu olhar vagou para a memória do rosto dele img
Capítulo 8 Chame-a para o jantar. img
Capítulo 9 Quer ajudar a fazer um castelo img
Capítulo 10 Eu a soltara rápido, mas aquele instante ainda me perseguia. img
Capítulo 11 minha mente girava, planejando, calculando img
Capítulo 12 Uma herança de sangue e poder img
Capítulo 13 Nossos olheiros relataram homens dele rondando a fronteira img
Capítulo 14 Eu só passo o recado. img
Capítulo 15 A cicatriz em meu rosto parecia pulsar com a raiva img
Capítulo 16 Você... lembra da sua mãe img
Capítulo 17 Temos problemas. Salazar img
Capítulo 18 quando fala de Luca, quando hesita img
Capítulo 19 perguntou ela, a voz agora tingida de preocupação img
Capítulo 20 Luca dependia de mim img
Capítulo 21 tentando se soltar, e gritou, a voz c img
Capítulo 22 primeiros jantares. img
Capítulo 23 O monstro que a mantinha prisioneira img
Capítulo 24 Horas antes, naquela mesma manhã, img
Capítulo 25 mas o tremor na voz o traiu img
Capítulo 26 Gosto de ver as estrelas. img
Capítulo 27 no jardim, rindo com Luca, img
Capítulo 28 Mas o destino tinha outros planos. img
Capítulo 29 Problemas acontecem, Moretti img
Capítulo 30 Quem bateria àquela hora img
Capítulo 31 Mas não foi fácil. img
Capítulo 32 Ele nunca disse abertamente img
Capítulo 33 Como eu podia sentir algo por um homem que me mantinha cativa img
Capítulo 34 Um som seco na porta cortou meus pensamentos img
Capítulo 35 Mais tarde quero conversar com você. Agora, preciso dormir um pouco. img
Capítulo 36 precisava dela para apagar o caos dentro de mim. img
Capítulo 37 Ele conseguiu o que quis Agora, silêncio. img
Capítulo 38 Eu rastejava dos destroços, img
Capítulo 39 Ele falando da maldição, da perda de Laura img
Capítulo 40 Eu, o Don de Nápoles, a Fera temida img
Capítulo 41 Eu distraio Luca img
Capítulo 42 Seu pai deu na bandeja img
Capítulo 43 E por um momento hesitei em pegá-lo, img
Capítulo 44 Para acabar com a guerra antes que sangre mais img
Capítulo 45 Dezoito pares de olhos me perfuravam, img
Capítulo 46 O relógio na parede marcava os segundos img
Capítulo 47 Entrego-a, quero minha mercadoria de volta img
Capítulo 48 Vi as marcas roxas nos braços antes de respirar img
Capítulo 49 Ela é uma boa moça católica img
Capítulo 50 EPÍLOGO img
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Capítulo 3 Ele poderia me prender

Emma

O cheiro de alho e tomate refogando enchia a cozinha enquanto eu mexia a panela, o calor do fogão aquecendo o ar frio da noite. Era uma rotina simples, quase reconfortante: preparar o jantar, planejar o dia seguinte. Amanhã seria meu primeiro dia na faculdade, e eu não conseguia decidir se estava mais nervosa ou animada. As aulas representavam uma porta para algo maior, uma chance de escapar daquela casa que parecia encolher a cada dia, sufocada por lembranças e promessas quebradas.

Olhei para o relógio na parede: quase oito da noite. Meu pai ainda não havia saído, mas eu sabia que logo ele iria para seus jogos, suas bebidas, afundando-se ainda mais no buraco que cavava havia anos. Suspirei, largando a colher na pia, e me encostei no balcão. Quando chegou da rua mais cedo, ele estava largado no sofá, o rosto inchado do soco que levará dias antes, um copo vazio na mão. Não disse uma palavra, apenas resmungou algo sobre "dar um jeito". Não respondi. Só senti pena.

Não era sempre assim. Quando eu era pequena, antes de minha mãe morrer, ele era diferente. Lembro dele me carregando nos ombros, rindo enquanto me ensinava a andar de bicicleta na rua de terra atrás da casa. Ele era amável, forte, o tipo de pai que prometia o mundo. Mas, após a morte dela, o álcool e as cartas levaram tudo. O homem que restara era um estranho, um bêbado que apostava até o que não tinha. Ainda assim, eu temia por ele. Não por quem ele era agora, mas porque ele era tudo o que me restava. Se ele morresse, eu ficaria sozinha no mundo - e essa ideia me gelava mais do que eu queria admitir.

O som de pneus cantando na rua me arrancou dos pensamentos. Meu coração disparou antes mesmo de eu entender por quê. Corri até a janela da sala, afastando a cortina com dedos trêmulos, e lá estavam eles: três carros pretos estacionados, homens de terno emergindo como sombras. E, no meio deles, Dante Moretti.

A porta da frente explodiu com um chute antes que eu pudesse trancá-la. Meu pai deu um salto no sofá, derrubando o copo, mas eu fiquei paralisada, o sangue gelando nas veias. Dante entrou como se a casa lhe pertencesse, o terno impecável contrastando com a desordem do nosso mundo em ruínas. Seus olhos escuros me encontraram imediatamente, e a cicatriz profunda que cortava o lado esquerdo de seu rosto, da sobrancelha à mandíbula, parecia pulsar sob a luz fraca, amplificando sua aura de ameaça. Senti um arrepio que não consegui esconder. Atrás dele, dois capangas se posicionaram, as armas visíveis nos coldres, um aviso silencioso.

- Almeida - disse Dante, a voz grave cortando o ar, sem nem olhar para meu pai. - Pensei melhor sobre aquela sua proposta. Você me deve mais do que pode pagar, e sei que nunca conseguirá - nem para mim, nem para os meus inimigos, a quem você também deve. Então, decidi aceitar. Sua filha vem comigo até você quitar essa dívida.

Meu pai gaguejou, o rosto pálido.

- Dante, eu... amanhã terei o dinheiro - balbuciou ele. Olhei para ele, atônita, imaginando onde ele conseguiria dinheiro, mas Dante o empurrou com desprezo.

- Cale a boca - interrompeu ele, finalmente virando-se para meu pai. - Sei que conseguiu, mas a que preço? Não aceito esse dinheiro. Deveria matá-lo por sua ousadia.

O chão sumiu debaixo de mim. Meu olhar voou de Dante para meu pai, esperando que ele lutasse por mim, que dissesse não. Mas ele apenas abaixou a cabeça, um covarde até o fim. A raiva queimou em meu peito, misturada ao medo que me consumia havia dias. Dei um passo à frente, as mãos fechadas em punhos, encarando Dante como se pudesse matá-lo com os olhos.

- Você disse que não negociava com carne - cuspi, minha voz tremendo de ódio. - Disse que não sujaria as mãos. Pensei que você tivesse palavra, mas você não tem honra.

Ele me encarou de volta, e, por um segundo, algo passou por seus olhos - um brilho que podia ser raiva ou tristeza, mas que desapareceu rapidamente. A cicatriz em seu rosto parecia endurecer ainda mais sua expressão, voltando à máscara fria que eu já detestava.

- Palavras não pagam dívidas - disse ele, baixo e cortante. - Isso é o melhor para você, acredite ou não.

- O melhor para mim? - Ri, um som amargo que ecoou na sala. - Arrancar-me da minha vida para ser sua prisioneira é o melhor para mim? Você é um monstro sem palavra, Dante Moretti.

Ele não respondeu. Apenas ficou ali, me encarando, os olhos negros como um poço sem fundo. O silêncio entre nós era sufocante, carregado de ódio e algo que eu me recusava a nomear. Então, ele fez um gesto com a cabeça para os capangas, e, antes que eu pudesse reagir, mãos fortes agarraram meus braços.

- Não! - Gritei, debatendo-me, mas eles eram como ferro. Olhei para Dante uma última vez, esperando que ele dissesse algo, que recuasse, mas ele virou as costas, acendendo um charuto como se eu fosse irrelevante.

- Covarde! - Joguei a palavra contra ele, mas ele não olhou para trás.

Os capangas me arrastaram para fora, o ar frio da noite batendo em meu rosto enquanto me empurravam para o banco traseiro de um dos carros. Meu pai não veio atrás de mim. Ninguém veio. O motor rugiu, e, enquanto a casa ficava para trás, jurei a mim mesma que faria Dante se arrepender. Ele poderia me prender, mas eu mostraria que ele não tinha ideia de quem eu era.

A viagem foi um borrão de luzes e sombras até pararmos diante de uma mansão que parecia engolir a escuridão. Portões altos, paredes de pedra, janelas escuras - um castelo para um rei cruel. Os capangas me levaram para dentro sem dizer uma palavra, deixando-me em uma sala enorme com móveis caros e um cheiro de couro e poder. A porta se fechou atrás de mim com um clique, e fiquei ali, sozinha, o coração batendo forte.

Ele pensava que eu era apenas uma garantia, uma moeda de troca. Mas eu provaria a Dante Moretti que ele acabara de aprisionar sua pior inimiga.

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