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Entregue ao chefe da Máfia
img img Entregue ao chefe da Máfia img Capítulo 4 tenho olhos em todos os cantos desta cidade
4 Capítulo
Capítulo 6 O silêncio dela me irritou img
Capítulo 7 Meu olhar vagou para a memória do rosto dele img
Capítulo 8 Chame-a para o jantar. img
Capítulo 9 Quer ajudar a fazer um castelo img
Capítulo 10 Eu a soltara rápido, mas aquele instante ainda me perseguia. img
Capítulo 11 minha mente girava, planejando, calculando img
Capítulo 12 Uma herança de sangue e poder img
Capítulo 13 Nossos olheiros relataram homens dele rondando a fronteira img
Capítulo 14 Eu só passo o recado. img
Capítulo 15 A cicatriz em meu rosto parecia pulsar com a raiva img
Capítulo 16 Você... lembra da sua mãe img
Capítulo 17 Temos problemas. Salazar img
Capítulo 18 quando fala de Luca, quando hesita img
Capítulo 19 perguntou ela, a voz agora tingida de preocupação img
Capítulo 20 Luca dependia de mim img
Capítulo 21 tentando se soltar, e gritou, a voz c img
Capítulo 22 primeiros jantares. img
Capítulo 23 O monstro que a mantinha prisioneira img
Capítulo 24 Horas antes, naquela mesma manhã, img
Capítulo 25 mas o tremor na voz o traiu img
Capítulo 26 Gosto de ver as estrelas. img
Capítulo 27 no jardim, rindo com Luca, img
Capítulo 28 Mas o destino tinha outros planos. img
Capítulo 29 Problemas acontecem, Moretti img
Capítulo 30 Quem bateria àquela hora img
Capítulo 31 Mas não foi fácil. img
Capítulo 32 Ele nunca disse abertamente img
Capítulo 33 Como eu podia sentir algo por um homem que me mantinha cativa img
Capítulo 34 Um som seco na porta cortou meus pensamentos img
Capítulo 35 Mais tarde quero conversar com você. Agora, preciso dormir um pouco. img
Capítulo 36 precisava dela para apagar o caos dentro de mim. img
Capítulo 37 Ele conseguiu o que quis Agora, silêncio. img
Capítulo 38 Eu rastejava dos destroços, img
Capítulo 39 Ele falando da maldição, da perda de Laura img
Capítulo 40 Eu, o Don de Nápoles, a Fera temida img
Capítulo 41 Eu distraio Luca img
Capítulo 42 Seu pai deu na bandeja img
Capítulo 43 E por um momento hesitei em pegá-lo, img
Capítulo 44 Para acabar com a guerra antes que sangre mais img
Capítulo 45 Dezoito pares de olhos me perfuravam, img
Capítulo 46 O relógio na parede marcava os segundos img
Capítulo 47 Entrego-a, quero minha mercadoria de volta img
Capítulo 48 Vi as marcas roxas nos braços antes de respirar img
Capítulo 49 Ela é uma boa moça católica img
Capítulo 50 EPÍLOGO img
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Capítulo 4 tenho olhos em todos os cantos desta cidade

Dante

O som do carro se afastou, cortando o silêncio da noite, levando Emmapara longe daquela casa miserável. Fiquei parado na sala, o charuto ainda queimando entre meus dedos, a fumaça subindo em espirais enquanto o peso do que eu havia feito se assentava. Não era culpa. Eu não sentia culpa há anos. Mas havia algo - uma inquietação que eu não conseguia nomear, uma sombra que aqueles olhos castanhos dela haviam deixado em mim.

Virei-me lentamente, encarando o verme que ainda tremia no canto da sala. Jorge Almeida. O homem que oferecera a própria filha como se ela fosse um pedaço de carne para barganhar mais um dia de vida. Ele estava encolhido contra o sofá, o rosto pálido e suado, os olhos arregalados me encarando como se eu fosse o diabo em pessoa. Talvez eu fosse, para ele. Mas, se eu era o diabo, ele era algo pior: um covarde que vendia o que não tinha preço.

- Levante-se - ordenei, minha voz baixa, mas carregada de uma raiva que eu mal continha. Ele obedeceu, cambaleando, as mãos trêmulas tentando se apoiar no braço do sofá.

- Dante, eu... eu não queria... - começou ele, a voz rouca, mas levantei a mão, cortando-o imediatamente.

- Não me venha com suas desculpas patéticas - retruquei, dando um passo à frente. O cheiro de álcool e medo dele me atingiu como um soco, e senti o nojo subir pela garganta. - Eu sei do seu acordo com Salazar. Acha que não tenho olhos em todos os cantos desta cidade? Você ofereceu sua filha para ele, seu filho da puta. Achou que eu não descobriria?

Ele abriu a boca, mas nada saiu. Apenas um gemido baixo, como o de um animal acuado. Joguei o charuto no chão, esmagando-o com o calcanhar, o som seco ecoando na sala.

- Você me enoja - continuei, minha voz caindo para um tom que era quase um rosnado. - Um homem que entrega a própria filha para um monstro como Salazar não merece respirar o mesmo ar que ela. Eu te recusei naquela noite porque achei que você não poderia cair mais baixo. Mas você caiu.

- Dante, por favor... - implorou ele, os olhos marejados, mas eu já estava farto.

- Chega - cortei, apontando um dedo para ele. - Vim aqui para te dar uma chance de pagar sua dívida comigo, mas você não merece nem isso. Agora escute bem: Emmaestá sob minha proteção. Ela é minha responsabilidade, não sua. Você perdeu esse direito no momento em que abriu a boca para negociá-la.

Ele piscou, confuso, como se não compreendesse.

- Mas... ela é minha filha...

- Queria que ela trabalhasse para bancar seus vícios, não é? - retruquei, enojado só de pensar. - Não acho que sua filha sirva como prostituta.

Ele baixou o olhar para o chão, um lixo do pior tipo.

- O que vai fazer com ela? - perguntou, a voz quase inaudível.

- Saia desta cidade - respondi, cada palavra afiada como uma lâmina. - Pegue o que sobrou da sua vida miserável e vá embora. Não volte nunca mais. Se eu te vir perto dela novamente, eu acabo com você. E não será rápido.

Ele me encarou, o rosto desmoronando, mas eu não senti pena. Apenas desprezo. Virei as costas, ajustando o casaco, e caminhei até a porta sem olhar para trás. O ar da noite me envolveu quando saí, frio e cortante, mas não tão gelado quanto o vazio que aquele homem deixara em meu peito.

A viagem de volta foi silenciosa, o ronco do motor preenchendo o espaço que meus pensamentos se recusavam a ocupar. Quando cheguei à mansão, os portões se abriram automaticamente, e o carro deslizou até a entrada principal. A casa estava quieta, as luzes suaves das janelas contrastando com a escuridão que a cercava. Subi os degraus da entrada, o eco dos meus passos reverberando no salão de mármore.

Maria, minha governanta, apareceu no corredor, o avental impecável como sempre, mas com um leve franzir na testa que indicava preocupação. Ela trabalhava para mim há anos, uma mulher firme que não se intimidava facilmente, mas também não escondia quando algo a inquietava.

- Maria - chamei, tirando o casaco e pendurando-o no cabide. - A garota. Onde ela está?

Ela cruzou os braços, me observando por um segundo antes de responder.

- Instalei-a no quarto do andar de cima, como você mandou. Mas ela não está bem, Dante. Não parou de chorar desde que chegou. Tentei acalmá-la, mas ela está muito aflita.

Parei, o peso das palavras de Maria me atingindo como um muro. Emmachorando. Claro que ela estava - eu a arrancara da vida que conhecia, jogando-a em um mundo que ela odiava. Mas imaginar aqueles olhos castanhos cheios de lágrimas mexeu comigo de um jeito que eu não esperava. Balancei a cabeça, tentando afastar a imagem.

- Ela vai se acostumar - murmurei, mais para mim mesmo do que para Maria. - Não tem outra escolha.

Maria me lançou um olhar de lado, aquele olhar que dizia que ela não acreditava nisso nem por um segundo.

- Não sei o que você espera, Dante, mas vai ter trabalho com ela.

- Eu sei - respondi, a voz mais dura do que eu pretendia. - Pode ir descansar, Maria. Eu cuido disso.

Ela assentiu, hesitante, antes de se retirar pelo corredor. Fiquei ali, sozinho no hall, o silêncio da casa me engolindo. Emmaestava lá em cima, chorando, presa por minha causa. E, mesmo assim, eu não conseguia me arrepender. Ela estava segura comigo, longe de Salazar, longe daquele pai inútil. Mas, enquanto subia as escadas, o som imaginário dos soluços dela ecoava em minha cabeça, e eu sabia que Maria estava certa. Emmame daria trabalho. E, no fundo, uma parte de mim queria que ela lutasse.

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