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Entregue ao chefe da Máfia
img img Entregue ao chefe da Máfia img Capítulo 5 Dante não me conhecia.
5 Capítulo
Capítulo 6 O silêncio dela me irritou img
Capítulo 7 Meu olhar vagou para a memória do rosto dele img
Capítulo 8 Chame-a para o jantar. img
Capítulo 9 Quer ajudar a fazer um castelo img
Capítulo 10 Eu a soltara rápido, mas aquele instante ainda me perseguia. img
Capítulo 11 minha mente girava, planejando, calculando img
Capítulo 12 Uma herança de sangue e poder img
Capítulo 13 Nossos olheiros relataram homens dele rondando a fronteira img
Capítulo 14 Eu só passo o recado. img
Capítulo 15 A cicatriz em meu rosto parecia pulsar com a raiva img
Capítulo 16 Você... lembra da sua mãe img
Capítulo 17 Temos problemas. Salazar img
Capítulo 18 quando fala de Luca, quando hesita img
Capítulo 19 perguntou ela, a voz agora tingida de preocupação img
Capítulo 20 Luca dependia de mim img
Capítulo 21 tentando se soltar, e gritou, a voz c img
Capítulo 22 primeiros jantares. img
Capítulo 23 O monstro que a mantinha prisioneira img
Capítulo 24 Horas antes, naquela mesma manhã, img
Capítulo 25 mas o tremor na voz o traiu img
Capítulo 26 Gosto de ver as estrelas. img
Capítulo 27 no jardim, rindo com Luca, img
Capítulo 28 Mas o destino tinha outros planos. img
Capítulo 29 Problemas acontecem, Moretti img
Capítulo 30 Quem bateria àquela hora img
Capítulo 31 Mas não foi fácil. img
Capítulo 32 Ele nunca disse abertamente img
Capítulo 33 Como eu podia sentir algo por um homem que me mantinha cativa img
Capítulo 34 Um som seco na porta cortou meus pensamentos img
Capítulo 35 Mais tarde quero conversar com você. Agora, preciso dormir um pouco. img
Capítulo 36 precisava dela para apagar o caos dentro de mim. img
Capítulo 37 Ele conseguiu o que quis Agora, silêncio. img
Capítulo 38 Eu rastejava dos destroços, img
Capítulo 39 Ele falando da maldição, da perda de Laura img
Capítulo 40 Eu, o Don de Nápoles, a Fera temida img
Capítulo 41 Eu distraio Luca img
Capítulo 42 Seu pai deu na bandeja img
Capítulo 43 E por um momento hesitei em pegá-lo, img
Capítulo 44 Para acabar com a guerra antes que sangre mais img
Capítulo 45 Dezoito pares de olhos me perfuravam, img
Capítulo 46 O relógio na parede marcava os segundos img
Capítulo 47 Entrego-a, quero minha mercadoria de volta img
Capítulo 48 Vi as marcas roxas nos braços antes de respirar img
Capítulo 49 Ela é uma boa moça católica img
Capítulo 50 EPÍLOGO img
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Capítulo 5 Dante não me conhecia.

Emma

O silêncio da mansão era sufocante, um peso que parecia esmagar o ar ao meu redor. Após a porta se fechar com aquele clique seco, fiquei parada no centro da sala, os braços cruzados como se pudesse me proteger do vazio que me engolia. O ambiente era opulento: móveis de madeira escura polida, tapetes persas que abafavam qualquer som, lustres de cristal que refletiam a luz em prismas frios. Tudo gritava riqueza, poder, controle. Mas, para mim, era apenas uma gaiola dourada, um castelo cruel onde eu era a prisioneira.

Meu coração ainda batia rápido, a raiva e o medo se misturando em um nó apertado no peito. Eu deveria estar na minha casa, terminando o jantar, planejando meu primeiro dia na faculdade. A ideia de pisar na universidade, de construir um futuro longe, era tudo o que me mantivera viva nos últimos anos. Agora, arrancada daquela esperança, eu estava aqui, refém de um homem que me via como uma moeda de troca.

Caminhei até uma das janelas altas, as cortinas pesadas roçando contra meus dedos enquanto as afastava. Do lado de fora, a escuridão engolia o jardim, os portões de ferro ao longe parecendo intransponíveis. Escapara por um momento da boate, mas aqui era diferente. A mansão era uma fortaleza, e eu não tinha ideia de como sair. Ainda assim, jurei a mim mesma que encontraria um jeito. Dante não me conhecia. Ele não sabia do que eu era capaz.

Um leve rangido na porta me fez girar nos calcanhares, o coração disparando. Uma mulher de meia-idade entrou, o avental impecável contrastando com o olhar firme. Seus cabelos grisalhos estavam presos em um coque apertado, e havia uma suavidade em sua expressão que não combinava com aquele lugar.

- Você deve ser Emma- disse ela, a voz calma, mas com um toque de autoridade. - Sou Maria, a governanta. Dante me pediu para garantir que você tenha tudo o que precisa.

- Tudo o que preciso? - retruquei, incapaz de conter o sarcasmo. - O que eu preciso é da minha liberdade.

Maria suspirou, cruzando os braços.

- Entendo que esteja brava, menina. Mas brigar com o que não pode mudar só vai te cansar. Venha, vou te mostrar seu quarto. Você precisa descansar.

- Eu quero ir para casa - implorei à senhora de olhos castanhos, mesmo sabendo que ela não parecia se compadecer de mim.

- Dante me disse que era para o seu próprio bem. Ele nunca traz ninguém a esta casa; devia se sentir honrada por estar aqui. Não se preocupe: aqui não irá te faltar nada - disse ela, e continuou a andar; aparentemente, eu teria tudo, menos a liberdade.

Subimos uma escadaria larga, os corrimões esculpidos com detalhes que pareciam zombar da minha situação. Maria me levou a um quarto no andar superior, com uma cama de dossel, lençóis de seda e uma vista para o mesmo jardim escuro que eu vira antes. Era lindo, mas frio, como tudo naquela casa.

- Se precisar de mim, é só chamar - disse Maria, parando na porta. - E, Emma... não tente fazer nada estúpido. Esta casa é mais segura do que parece, e Dante não aceita insolência. Não confunda a gentileza dele com fraqueza.

Ela saiu antes que eu pudesse responder, o clique da porta ecoando como um aviso. Fiquei sozinha novamente, sentindo um nó na garganta. Aquilo era absurdo: nem mesmo o meu celular ele me deixara trazer; na verdade, ele não me deixara trazer nada. Sentei-me na beira da cama e fiz a única coisa que consegui: chorar até dormir.

Acordei com os olhos inchados, com dificuldade de abri-los.

Um som leve, quase inaudível, interrompeu meus pensamentos. Um risinho abafado, como se alguém tentasse se esconder. Levantei-me de um salto, os olhos varrendo o quarto.

- Quem está aí? - perguntei, a voz firme apesar do susto.

Uma cabecinha surgiu de trás de uma cortina, cabelos castanhos bagunçados e olhos negros brilhando com curiosidade. Era um menino, não mais que seis anos, magro, com um sorriso travesso que parecia deslocado naquele lugar. Ele saiu do esconderijo, segurando um carrinho de brinquedo.

- Você é a Emma? - perguntou ele, a voz aguda e cheia de energia. - Vai morar aqui com a gente agora?

Eu pisquei, confusa, tentando processar a presença dele.

- Quem é você? - retruquei, ainda tensa. - E por que está aqui?

- Meu nome é Luca - disse ele, dando um passo à frente, o carrinho girando entre seus dedos. - Eu moro aqui. Quer brincar comigo? Eu tenho um monte de carrinhos, e a gente pode fazer uma pista!

A naturalidade dele me desarmou por um instante, mas a desconfiança voltou rápido.

- Você mora aqui? - perguntei, franzindo a testa. - Com quem?

- Com meu pai - respondeu ele, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

Meu coração parou. Dante Moretti tinha um filho? A informação não fazia sentido. Todo mundo na cidade sabia da história: anos atrás, Dante perdera a esposa e o filho em um acidente de carro. Era uma das poucas coisas que humanizava o monstro, um detalhe sussurrado com pena até pelos que o temiam. Mas ali estava aquele menino, com olhos negros idênticos aos de Dante, uma versão menor e inocente do homem que eu odiava.

- Dante é seu pai? - repeti, minha voz quase um sussurro. - Mas... como?

Luca deu de ombros, alheio à minha confusão.

- Ele é meu pai. Eu sempre morei aqui. Só que ele não gosta que eu saia muito; diz que é perigoso - explicou ele, fazendo uma careta, como se a ideia de perigo fosse mais um aborrecimento do que uma ameaça real. - Então, quer brincar ou não?

Eu o encarei, minha mente girando. Se Luca era filho de Dante, por que ninguém sabia disso? Por que esconder uma criança? A história do acidente era uma mentira? Ou havia algo mais que eu não entendia? Cada pergunta abria um buraco maior, e a imagem de Dante, com sua cicatriz cruel e olhos impenetráveis, parecia ainda mais enigmática.

- Talvez mais tarde, Luca - respondi, forçando um sorriso. - Eu gostaria de sair tomar um ar.

Ele fez beicinho, mas assentiu.

- Tá bom, mas acho que só pode ir no jardim. Meu pai não gosta que saiamos da casa. Vou avisar a Maria que já acordou - disse ele, correndo para a porta, os pés leves contra o chão, e desapareceu pelo corredor, deixando-me com mais perguntas do que respostas.

Sozinha novamente, sentei na cama, o peso da descoberta se misturando à raiva e ao medo. Dante Moretti escondia um filho. Um menino vivo, esperto, que não se encaixava na narrativa trágica que todos conheciam. Não demorou muito até que Maria entrasse.

- Perdoe Luca; o pai disse que tínhamos uma nova moradora, e ele ficou ansioso - explicou ela, olhando para mim com o que eu podia pensar ser pena. - Dante disse que você agora vive aqui; ele irá explicar as regras. No café da manhã, ele já te espera.

Senti um arrepio na espinha. O que ele queria comigo? Ele aceitara a proposta do meu pai; alguém assim era capaz de qualquer coisa.

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