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O Arrependimento do Alfa: O Lobo Branco que Ele Rejeitou
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Capítulo 4

Ponto de Vista de Jana:

A sala de cirurgia era fria. Cheirava a antisséptico e aço. Era um cheiro que prometia nada além do esquecimento.

Eu estava deitada na mesa estreita. Eles haviam me despido e me coberto com um fino lençol azul. Acima de mim, as luzes cirúrgicas eram como olhos gigantes e imóveis.

- Frequência cardíaca irregular - disse uma enfermeira, olhando para o monitor.

Dra. Hermínia Sanches entrou. Ela era a Curandeira da Alcateia, uma mulher conhecida por seu rosto severo e sua "Visão Mágica". Ela podia ver doenças que as máquinas não detectavam. Mas hoje, ela parecia apressada, tirada de sua casa em um domingo.

- Onde estão os exames pré-operatórios? - Dra. Sanches exigiu, calçando as luvas. - Não vi o prontuário da doadora. Preciso verificar a compatibilidade de sua aura.

- Não há tempo! - Axel invadiu a sala. Ele usava um avental cirúrgico sobre o terno, desrespeitando o protocolo. - O coração de Kailane parou duas vezes no corredor. O médico pessoal dela enviou os arquivos ontem - eles disseram que Jana é uma combinação perfeita. Dois rins saudáveis. Apenas faça!

Dra. Sanches hesitou, seus olhos se estreitando ao olhar para mim. - Ela parece séptica, Alfa. Olhe a cor da pele dela. Preciso de cinco minutos para...

- Você não tem cinco segundos! - Axel bateu a mão na bandeja de metal. - Isso é uma ordem, Curandeira Sanches. Salve sua Luna, ou saia da minha alcateia!

Dra. Sanches cerrou o maxilar. Ela estava presa pela ordem do Alfa. Não podia recusar e não podia atrasar.

- Certo - ela cuspiu. - Anestesia?

- Administrada - disse a enfermeira, nervosa. - Mas... ela está queimando o efeito. O metabolismo dela está acelerado.

Dra. Sanches olhou para mim com pena. Ela ainda não via o veneno - a adrenalina e a energia caótica na sala estavam mascarando minha aura. Ela apenas via uma garota morrendo.

- Jana - disse ela suavemente. - Temos que usar bisturis de prata. É a única coisa que corta a pele de lobo. Por causa da sua... "resistência"... a anestesia não vai funcionar completamente. Não podemos esperar que faça efeito.

- Eu sei - sussurrei. - Eu vou sentir.

- Sinto muito - disse ela. E ela realmente sentia.

Axel se aproximou da mesa. Ele olhou para mim. Por um segundo, sua mão pairou sobre a minha, como se quisesse segurá-la. Mas então ele recuou, cerrando o punho.

- Depositei dez milhões de reais em uma conta para você - disse ele. Sua voz era rígida. - Quando você acordar, pode ir para qualquer lugar. Paris. Tóquio. Você sempre quis viajar.

Olhei para ele. Ele se lembrava. Ele se lembrava daquele sonho bobo que eu lhe contei quando éramos adolescentes, sentados no telhado observando as estrelas.

- Você não pode comprar uma vida, Axel - eu disse. Minha voz estava calma agora. O medo se fora. Apenas o esgotamento restava.

- Não é um pagamento - ele retrucou. - É... um cuidado.

- Cuidado - repeti. Soltei uma risada seca e ruidosa. - Adeus, Axel.

Ele se encolheu. - Não é um adeus. Você só está doando um rim. Pare de ser dramática.

Ele me deu as costas. Caminhou até a janela de observação onde Kailane estava sendo preparada na sala ao lado. Ele colocou a mão no vidro, olhando para ela com desejo.

- Comecem - ele ordenou.

Dra. Sanches suspirou. Ela pegou o bisturi. A lâmina era de prata pura. Até mesmo a visão dela fez minha pele se arrepiar.

- Conte de dez para trás, Jana - disse ela.

- Dez - eu disse.

A lâmina tocou minha pele.

Não foi apenas um corte. Foi fogo. Foi um raio líquido derramando-se em meu corpo. A prata reagiu com meu sangue de lobo, cauterizando as bordas da ferida instantaneamente.

- Nove.

Trinquei os dentes. Eu não gritaria. Não lhes daria essa satisfação.

- Oito.

A dor se aprofundou. Eles estavam cortando o músculo agora. Senti os afastadores separando minhas costelas. Lágrimas escorreram dos cantos dos meus olhos, quentes e rápidas.

- Sete.

Meu monitor cardíaco começou a apitar mais rápido. *Bip-bip-bip-bip.*

- Seis.

Olhei para o teto. Imaginei a lua. Imaginei-me correndo por uma floresta de neve, livre, forte, amada.

- Cinco.

A pressão mudou. Eles estavam pinçando a artéria. Minha respiração engasgou.

- Quatro.

A escuridão estava se aproximando nas bordas da minha visão. Era uma escuridão de veludo, macia e acolhedora.

- Três.

Vi um flash de luz branca. Uma loba. Uma magnífica loba branca estava aos pés da mesa. Ela olhou para mim e inclinou a cabeça.

*Venha*, ela parecia dizer. *É hora de descansar.*

- Dois.

O monitor mudou de tom. O bipe frenético diminuiu.

- Um.

Eu não disse zero.

A dor parou. O frio parou. O som da voz de Axel gritando algo à distância desapareceu.

A linha no monitor ficou reta. Um tom longo e contínuo encheu a sala.

Fechei os olhos e me deixei ir.

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