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"Vamos colocar um ponto final neste casamento", disse Cade Willis de repente, num tom calmo, como se estivesse fechando um negócio.
Assim, três anos de casamento se encerraram numa única frase.
Ele abriu a gaveta, pegou um documento e o deslizou sobre a mesa.
"A situação de Dina está complicada", explicou ele enquanto acendia um cigarro.
A fumaça subiu, suavizando os traços rígidos do seu rosto, e ele continuou: "O marido dela morreu recentemente, e ela está grávida. Ela não tem família para apoiá-la. Além disso, as pessoas estão a encarando e fofocando por toda parte, e ela não tem como suportar isso."
Finos fios de cinzas caíam lentamente da ponta do cigarro.
"O mínimo que posso fazer é dar a ela e ao bebê um nome e um lar dignos", continuou ele, olhando para Claire Lloyd com uma indiferença fria. "Se tiver algum pedido, faça agora. Caso contrário, assine o documento."
Dina Murphy já foi o amor da vida de Cade. Agora, ela estava grávida, esperando um filho sem pai, o que era exatamente o motivo pelo qual Cade estava deixando Claire para se casar com ela.
O peso da situação de Dina recaiu sobre Claire, deixando sua mente confusa enquanto tudo ao seu redor se transformava numa névoa sombria.
Incapaz de se mover, ela permanecia imóvel no lugar, enquanto uma fina película de lágrimas surgia nos seus olhos antes que ela pudesse contê-las, e com os dedos trêmulos, pegou o documento.
O título em negrito no topo - ACORDO DE DIVÓRCIO - a atingiu como um soco.
"Será que...", ela perguntou, com a voz tensa e embargada, sua franja espessa caída sobre os óculos, a deixando com uma aparência frágil e derrotada. "Será que não há outra opção?"
Ao ouvi-la, uma leve ruga se formou entre as sobrancelhas de Cade. "Ela está muito frágil. Se eu a abandonar agora, ela não vai aguentar. Mas você não é assim, Claire. Você sempre foi forte."
Será que a força era o motivo pelo qual ela tinha que ser a descartada?
Esse pensamento a atingiu como uma facada, se cravando profundamente no seu peito.
Antes que ela pudesse se recompor, as lembranças a fizeram voltar a anos atrás, quando ela estava no orfanato, onde um menino havia ficado na frente dela com os braços abertos, olhando fixamente para as crianças que gostavam de intimidá-la.
Naquele momento, a luz do sol repousava sobre seus ombros - ele parecia um herói.
"Não se atrevam a tocar nela", ele avisou as crianças.
Pouco depois, ele fez outra promessa: "Não importa o que aconteça, vou te proteger."
Foi nesse momento que, entregando-se a ele de coração, ela passou a amá-lo completamente e sem qualquer chance de voltar atrás.
Os dedos de Claire se fecharam em punho lentamente.
"Claire, não faça escândalo", disse Cade, olhando para a cabeça baixa dela, a irritação transparecendo na sua voz. "Você e eu sabemos que nosso casamento nunca foi por amor. Te escolhi porque você era a opção mais adequada..."
No entanto, ele parou no meio da frase, e soltou uma lenta baforada de fumaça.
"Claire, achei que você pelo menos soubesse lidar com as coisas com um pouco de... dignidade."
Dignidade.
Claire quase caiu na gargalhada.
"Dina é uma pessoa gentil", continuou Cade, com o tom ficando cada vez mais frio. "Ela nunca quis te prejudicar. Saiba que entre nós dois, nada impróprio aconteceu."
Uma pressão intensa se espalhou pelo peito de Claire, até que respirar se tornou doloroso.
Então quer dizer que dar em cima de um homem casado e ultrapassar os limites era algo perfeitamente aceitável?
Cade apagou o cigarro no cinzeiro de cristal, e sua voz ficou mais incisiva. "Vou garantir que você seja bem recompensada. Assine os papéis e pare de se agarrar a uma posição que nunca foi sua."
Na verdade, apesar de sua aparência simples e facilmente ignorada, Claire cuidava da casa de forma impecável, organizando tudo, administrando os compromissos diários dele e mantendo a vida dele funcionando perfeitamente sem jamais pedir reconhecimento.
No entanto, por ser muito obediente, contida e recatada, estar com ela era como beber água limpa que, embora satisfizesse sua sede com um alívio básico, não oferecia nenhum sabor duradouro.
E Cade já estava cansado disso.
"Vou te dar três dias para decidir", disse ele por fim. "Mas não teste minha paciência prolongando isso."
"Não será necessário." Claire ergueu a cabeça e, pegando a caneta, não parou por um segundo sequer, deixando que o som da ponta raspando na folha quebrasse o silêncio enquanto sua assinatura surgia em traços rápidos, firmes e nítidos, refletindo uma caligrafia decidida.
Ao ver isso, Cade não conseguiu esconder sua surpresa por um instante, mas logo sua expressão voltou à sua habitual frieza e indiferença. "Pelo menos você sabe fazer a escolha sensata."
Após um momento de hesitação, ele continuou: "Como você teve um passado manchado, pode não ser fácil encontrar trabalho. Além do que o acordo já estabelece, vou transferir mais 50 milhões como indenização. Você também pode ficar com o Porsche que tem dirigido."
Numa voz baixa, Claire perguntou: "Se seu coração sempre pertenceu a ela, por que decidiu se casar comigo?"
O olhar de Cade percorreu o rosto dela, e desta vez, ele não evitou a pergunta, a respondendo:
"Naquela época, Dina já havia decidido ir embora. Fui até o aeroporto para impedi-la, mas não consegui chegar lá. Bati o carro no caminho e quase perdi a capacidade de andar."
Sua voz permanecia sem emoção, como se ele estivesse contando a vida de outra pessoa. "Meu avô ameaçou tirar tudo de mim. Ele me chamou de inútil e disse que eu estava arruinando meu futuro por causa de uma mulher. Se minha mãe não tivesse intervindo, eles teriam me expulsado da família. Para voltar ao centro da influência da família, eu precisava de um casamento estratégico. Precisava de uma esposa que não criasse complicações."
Ele fixou os olhos em Claire, a calma neles carregando uma crueldade silenciosa. "Você me conheceu no orfanato. Você era simples, quieta e leal a mim. Sei sobre o tempo que você passou na prisão e a pena que cumpriu. Isso significava que eu poderia te controlar facilmente e ir embora quando precisasse."
O canto da boca dele se ergueu ligeiramente, como se estivesse a elogiando. "Durante esses três anos, você desempenhou seu papel perfeitamente. Fez isso tão bem que por pouco não me esqueci da verdade. Desde o início, esse casamento não passou de um acordo entre minha família e eu."
Claire não derramou uma única lágrima. Em vez disso, um sentimento avassalador de absurdo se espalhou pelo seu peito.
Por anos, ela amou esse homem sem qualquer restrição - sua paciência, sua devoção, sua presença silenciosa ao lado dele significavam tudo para ela - mas para ele, essa união não passava de um acordo.
O que ele nunca soube foi o preço que ela pagou - com suas próprias mãos - para se tornar a esposa que todos esperavam que ele tivesse, cortando todas as conexões com a vida que antes a enchia de entusiasmo através do computador, do bisturi, do trabalho de design e da pista de corrida, até que, passado tanto tempo, mal conseguia se lembrar dessa sensação.
Dia após dia, sua vida girava inteiramente em torno dele: massageava suas pernas, o ajudava na reabilitação e ficava acordada ao seu lado nas longas noites em que a dor não o deixava dormir.
Quando o sofrimento se tornava insuportável, ela simplesmente segurava a mão dele em silêncio.
Dois anos atrás, Cade finalmente recuperou a capacidade de andar.
Mas que diferença isso fez?
No momento em que Dina voltou, todos os sacrifícios que Claire havia feito nesses três anos pareceram se transformar em algo trivial e insignificante.
Que ironia ridícula.
Enfim, deixar as coisas se arrastarem só agravaria os danos, então terminar tudo agora era a opção mais sensata.
Nesse momento, o celular de Cade começou a tocar. Quando ele atendeu a ligação, sua expressão mudou instantaneamente. "O que você disse? Dina não está se sentindo bem? Estou indo para aí agora mesmo."
Sem dizer mais nada, ele encerrou a ligação, pegou seu casaco e saiu correndo pela porta - sem nem dar um único olhar a Claire.
Sempre que se tratava de Dina, ele se transformava em outra pessoa - um homem que não tinha espaço para mais ninguém além dela.
O som da porta da frente batendo com força ecoou pela sala silenciosa.
Claire permanecia onde estava, ainda lutando contra o vazio repentino que se espalhava dentro dela, quando vozes e passos surgiram do lado de fora.
Eram Lorraine Willis, mãe de Cade, que havia voltado para casa, e sua filha Jessie Willis, que entrou com ela.
De repente, a porta se abriu com um estrondo. Jessie entrou abruptamente, com várias sacolas de compras de luxo balançando nas suas mãos, com o queixo erguido em sinal de orgulho.
Lorraine vinha atrás dela, perfeitamente vestida e com o mesmo ar frio e arrogante de sempre.
"Mãe, veja essa bolsa que comprei hoje. É uma edição limitada!" Jessie ainda estava admirando sua compra quando, de repente, notou Claire parada no meio da sala.
No instante seguinte, o desdém tomou conta do seu rosto. "Por que está parada aí? Você é tão desagradável de se olhar."
Claire ignorou o comentário completamente. Sem responder, ela se virou em direção à escada e se preparou para subir e arrumar suas coisas.
"Espere aí!" De repente, Jessie avançou e se postou bem na frente dela.
Seus olhos percorreram Claire da cabeça aos pés com a mesma expressão que alguém usaria ao vasculhar o lixo. "O colar de diamantes que deixei na minha penteadeira sumiu. Foi você que pegou?"