Ethan manteve a expressão rígida, embora o maxilar tenha travado por um instante. Ele se aproximou devagar, os passos abafados pelo tapete persa.
- Jade...?
A voz dele saiu grave, carregada de uma advertência perigosa.
- Eu mandei buscar você em Londres para fazer companhia à Marize. Minha mãe precisa de companhia, não eu.
Jade não se intimidou. Ela se ergueu com uma lentidão calculada, deixando que a luz fraca do abajur acentuasse cada curva de seu corpo escultural. Ela caminhou até ele, parando a centímetros de seu peito, onde o cheiro de sabonete e testosterona era inebriante.
- Marize já está dormindo, Ethan.
Sussurrou ela, passando a ponta dos dedos pelos músculos abdominais dele.
- E você sabe que eu nunca fui boa em seguir ordens. Eu vim por você. Eu sempre estive aqui por você.
Ethan soltou um riso anasalado, um som seco que misturava descrença e desejo. Ele conhecia o jogo de Jade; ela era o tipo de tentação que levava impérios à ruína.
- Você é um problema, Jade. Um problema que eu deveria mandar de volta no primeiro voo.
- Então me mande embora...
Ela desafiou, colando o corpo ao dele e olhando-o nos olhos com uma intensidade febril.
- Se for capaz.
O autocontrole de Ethan, forjado em anos de guerra entre o mundo dos negócios, quebrou-se naquele instante. Ele a segurou pela cintura, sentindo a pele macia sob suas mãos, e a jogou de volta na cama com uma possessividade que não admitia recusas.
_ Amanhã voltamos a ser primos.
Ele murmurou contra os lábios dela.
_ Mas esta noite, você é apenas minha.
O que se seguiu foi uma tempestade entre quatro paredes. Entre lençóis revirados e sussurros proibidos, o chefe da máfia esqueceu as regras e o sangue que carregava. Naquela noite, a única lei que importava na mansão Genovese era a do desejo, e o fogo que consumiu o quarto só se apagou quando os primeiros raios de sol começaram a cruzar as cortinas pesadas de Chicago.
............
Cinco dias depois, Ethan cruzava o céu rumo ao Texas. O sol ainda não havia batido na varanda de madeira da nova casa quando Ethan ouviu o som de pneus esmagando o cascalho da entrada. Ele estava parado na cozinha, segurando uma caneca de café fumegante, observando a névoa baixa que abraçava Oak Ridge.
A porta se abriu sem cerimônias. John entrou, trazendo consigo a energia vibrante de quem já estava acordado há horas. Ele parou no portal, ajustando os óculos e analisando Ethan com um olhar clínico.
- Senhor, espero que esteja tudo como pediu.
Disse John, a voz rouca mas carregada de uma satisfação.
- Está!
Ethan esboçou um sorriso de canto, sentindo o peso do cansaço, mas também a adrenalina do recomeço.
- A casa é perfeita, John. Rústica o suficiente para eu me sentir em casa. Obrigado.
John deu de ombros, caminhando até a janela que dava para a rua principal.
- O West Bar fica a vinte minutos de carro daqui.
Falou John, em voz alta.
- Ele tem um designer bom. Sólido. Como algo que foi feito para durar.
- Eu vi quando cheguei, passamos lá antes.
- Admitiu Ethan, aproximando-se do conselheiro.
- O contraste entre a madeira bruta e o aço escovado... você acertou em cheio. É grande, mas ainda parece um refúgio.
- Esse era o plano...
John virou-se para ele, a expressão tornando-se séria.
- Oak Ridge é uma cidade que dorme cedo, mas que guarda segredos profundos. Eles precisam de um lugar como esse. E você, Ethan, precisa sondar o Lucchese.
Ethan olhou para as próprias mãos, agora destinadas a manejar garrafas e gerir contas, em vez de lidar com os problemas que o trouxeram até ali.
- Gerente do West Bar...
Murmurou Ethan, testando o título na língua.
- Soa como uma vida honesta.
- É mais do que honesta, é sua vingança.
John deu um tapinha firme no ombro do chefe. Ethan assentiu, observando John sair tão rápido quanto chegou. Ele olhou novamente para rua. O sol finalmente rompeu o horizonte, iluminando a história que estava apenas começando.