A rapariga, não fazendo ideia de que o novo assistente era o amor do seu noivo, depois de lhe dar um beijo casto e forçado nos lábios, aceitou retirar-se tranquilamente.
O patrão saiu do escritório e foi para o seu gabinete, pensou que encontraria a sua assistente, mas ela não estava lá. Entrou um pouco em pânico, porque lhe ocorreu que ela poderia já ter saído sem avisar.
Atendeu uma chamada recebida nesse momento no telefone principal, voltou ao gabinete da sua assistente e encontrou-a a soluçar, com o rosto apoiado no braço sobre a secretária.
A chamada que recebeu há alguns minutos era para a informar de que um dos seus filhos tinha discutido com um colega e lhe tinha dado um forte golpe no nariz, e por isso foi-lhe pedido que viesse à instituição dentro de duas horas para falar sobre este caso, pois não é a primeira vez que isto acontece, se não é um dos gémeos, é o outro que se mete em brigas com os colegas na escola.
E porque é que os vossos filhos brigam?
Os colegas gozam com eles porque os pais não os deixam na escola, a ama encarrega-se de os deixar de manhã e de os ir buscar à tarde.
Também são gozados porque, no primeiro dia de aulas, a professora disse-lhes que cada um devia fazer uma apresentação pessoal de si próprio e do que ambiciona ser no futuro. Os rapazes disseram que não tinham pai e que viviam com a mãe, o que desencadeou uma onda de críticas e de gozo entre as outras crianças que ostentavam orgulhosamente os nomes de ambos os pais.
Isto magoou muito a Ângela, que se sente culpada por os seus filhos estarem a ser denegridos só porque não têm um pai que os represente, e que se considera a má da fita por ter sido ela a apaixonar-se por um homem estúpido que acabou por abandoná-la.
Lamenta, não se apercebeu de quantos minutos esteve a chorar naquela posição. Até que a porta se abre e Mário José entra.
- O que é que queres agora? -pergunta a rapariga, enquanto se endireita e tenta limpar as lágrimas que ainda lhe correm pela cara.
- Estás assim por causa daquela mulher que veio? -respondeu ele com outra pergunta, e um sorriso divertido nos lábios.
- Não idiota, tu nem sequer és importante na minha vida para estar a derramar uma lágrima por ti. -Ela ficou chateada porque interpretou isso como uma zombaria.
- Ela é a minha noiva. O homem comentou, e sentou-se na cadeira em frente à secretária, mas não sem antes trancar a porta para que ninguém os interrompesse.
- Bem, isso é excelente. Dou-te os parabéns e ao mesmo tempo tenho pena da tua futura mulher, ela não sabe com que lixo vai casar. -Ela disse estas palavras, mas com um nó na garganta. Primeiro, ele diz-lhe que a quer como namorada e, agora, dá a notícia de que se vai casar.
- Sim, mas eu não me quero casar, não a amo, eu... eu amo-te, ruivinha.
- Ha, ha, ha, ha, ha, não te armes em parvo, Mário José. Claro que vais casar com ela, é porque queres.
- Não é assim, o meu pai obriga-me a fazê-lo contra a minha vontade, senão não me põe como herdeiro no testamento e também não me vai dar esta empresa.
- A outro cão com esse osso, essa mentira, não acredito em ti, Mário José.
- Mesmo que não acredites, é assim que as coisas são. E é por isso que te peço que me faças o favor de te fazeres passar por minha namorada diante dos meus pais. O meu irmão mais novo sabe de ti, já me viu chorar por causa da tua ausência e é testemunha de que te amo. Os meus pais também sabem, bem, não sabem que... que me aproximei de ti para um maldito jogo. Só lhes disse que foste estudar para outro sítio, eles não sabem que ainda estavas naquela escola.
E eu sei que ainda lá estava, porque alguém me confirmou, mas nessa altura eu estava fora do país a estudar e quando voltei procurei-o e não o encontrei.
- E o que é que o teu irmão tem a ver com isto? -perguntou a rapariga, confusa com tudo aquilo.
- Ele pode confirmar para os meus pais, e aí eles vão acreditar que hoje que nos reencontramos, estamos juntos de novo, e aí eles vão cancelar o noivado com a minha pro... com a Amanda.
- Não Mário José, não te posso ajudar no que me estás a pedir, não vou ser o teu disfarce e não vou desrespeitar os teus pais e muito menos o teu noivo, não vou permitir que ninguém me trate ou me veja como uma raptora de maridos. Se queres livrar-te dela, arranja outra maneira, mas não contes comigo.
- Por favor, ajuda-me. Prometo-lhe que, se a aceitar, assinarei imediatamente a sua demissão e, em vez de me pagar os anos que faltam, fá-lo-ei por si. Se me fizeres esse favor, não te pagarei apenas com dinheiro, mas também com muito amor, porque te amo e agora que te encontrei não quero que te separes de mim. O que dizes? Aceitas ajudar-me com o meu problema?
- Eu disse que não! -Não sou uma qualquer que se vende só para ganhar um punhado de dinheiro, sou uma senhora decente, Mário José, não te enganes comigo, já não estou disposta a ser o teu brinquedo.
- Vou reconquistá-lo a qualquer preço, minha linda ruiva. Isso eu garanto-te.
- Não continues a insistir e sai do meu gabinete. Agora que me descobriste, não me deixas em paz para trabalhar?
- Não te deixo em paz até concordares em ajudar-me a cancelar o meu casamento.
- Nem nos teus sonhos me conseguirás convencer.
- Nos meus sonhos, não só consegui isso, como também consegui casar contigo e dar-te os melhores orgasmos que alguma vez sentiste. -disse o rapaz, enquanto sorria de forma sedutora.
- Cala-te e é melhor dares-me autorização para sair durante cerca de duas horas, depois volto.
- Onde é que vais? -perguntou ela, franzindo o sobrolho.
- Isso não é da tua conta. -respondeu ele com rispidez. -Ela está de mau humor, só pensa no que lhe vão dizer na escola, vão certamente castigar os seus filhos por brigarem, mas ela vai defendê-los e pedir-lhes que ponham os outros na ordem para não incomodarem os seus.
E também os seus filhos vão levar um bom sermão por não lhe terem contado o que se passa na escola com os colegas, talvez ela já tivesse agido para evitar essas brigas.
- Se não me disseres, não te dou autorização para saíres. -Mario José continua a insistir.
- É urgente e se não me deres, saio sem a tua autorização. Ela levantou-se e pegou na mala para sair.
- Eu vou contigo.
- Não", gritou ela, desesperada e nervosa, porque a hora da escola estava a aproximar-se e, ainda por cima, o pai dos seus filhos queria acompanhá-la. -Ha, como é que ela pode permitir isso, se ele a acompanha, vai aperceber-se de que ela tem dois lindos príncipes e de certeza que lhos vai tirar.