Por último, colocou o anel herdado de seu mentor, um símbolo antigo de sabedoria, poder e segredos que atravessaram séculos.
- Hora de começar - murmurou.
Vlad saiu do quarto, cada passo ecoando levemente pelo corredor sombrio, desceu as escadas.
- Vamos - disse ao segurança que o aguardava do lado de fora da casa.
Assim que colocou os pés na empresa, Vlad, voltou a ser Mark Darkmoor.
Ao entrar na sala das secretárias, seus olhos viram Elena, pontual como sempre, na verdade, adiantada. Ela estava arrumando papéis após organizar a correspondência.
Mark sorriu e cumprimentando-a:
- Bom dia, senhorita Lancaster.
O sorriso dele era educado, mas os olhos, negros e profundos, examinavam cada detalhe dela com uma atenção quase predatória.
Elena escutou, dentro de sua mente, um sussurro sedutor:
- Conseguiu se satisfazer ontem à noite?
Ela corou, desviando o olhar, enquanto Mark ia para a sala com o segurança.
Ele entrou na sala e, ao se sentar, Elena ligou:
- Sim.
- Senhor... - disse, com a voz trêmula. - Seu advogado na linha 2.
- Obrigado.
Elena desligou o telefone, ainda sentindo aquela sensação estranha de estar sendo seduzida pela voz dele, o calor subiu-lhe a espinha. Corou levemente, tentando afastar os pensamentos, quando a outra secretária apareceu, distraindo-a por um instante.
Enquanto isso, Mark atendeu a ligação.
- Senhor, estou chegando aqui na rua da empresa... está um caos.
Mark girou lentamente a cadeira, os olhos percorrendo a rua através da imensa janela da sala. Observou um homem descendo de um carro, com uma chave de roda nas mãos, prestes a atacar o motorista de um ônibus que estava, com as mãos erguidas em sinal de paz, tentava conversar.
Os olhos de Mark ficaram vermelhos por um instante, e o homem, no meio do tumulto, foi lançado contra um carro estacionado ao lado. Um silêncio estranho caiu sobre a rua. O motorista do ônibus e alguns pedestres trocaram olhares, confusos, antes de retornarem rapidamente aos seus veículos, desviando do corpo imóvel sobre o capô.
Mark observou o tráfego aos poucos se reorganizar.
- Espero o tempo que precisar - disse calmamente.
***
Elena não conseguia parar de pensar na própria mente. Até onde estava deixando que seus pensamentos fossem?
E, mais perturbador ainda, havia aquela sensação estranha, como se ele soubesse exatamente o que ela sentia, o sussurro silencioso na mente: Conseguiu se satisfazer ontem à noite?
Ela encolheu-se levemente na cadeira, apertando os papéis. Estava envergonhada.
Pouco depois, observou a entrada do advogado. Elena respirou fundo, ajeitou-se e se levantou para recebê-lo.
- Bom dia, senhor.
- Bom dia, sou Julian o advogado do senhor Darkmoore.
- Por aqui, por favor - disse, levando-o até a sala de Mark.
O advogado agradeceu, seguindo-a. Ao abrir a porta da sala, ela o conduziu até a entrada e deixou que entrasse.
Antes de se virar e sair, Elena sentiu o olhar de Mark atravessá-la como uma corrente elétrica. Respirou fundo, tentando afastar aquele sentimento e saiu.
***
- Julian, você sabe que só confio em você - disse Mark.
- Sim, senhor. Farei tudo para que fique legalizado - respondeu Julian.
- Ótimo. Você tem 24 horas.
- Farei em menos tempo, senhor - Julian respondeu, confiante.
Trocaram um aceno breve e se despediram. Assim que Julian saiu, Mark encostou-se na cadeira, observando a porta fechar.
Logo depois, o segurança voltou, retomando seu posto na sala, como uma sombra. Mark ergueu os olhos e suspirou.
O restante do dia passou de forma monótona. Elena saiu para tratar dos exames e providenciou os documentos finais necessários para a contratação.
Enquanto caminhava pelo corredor da clínica e depois pelos cartórios, Elena percebeu que não conseguia evitar de se perguntar sobre o efeito que ele causava nela. Um arrepio percorria seus braços só de lembrar do olhar dele no escritório, e, por alguns segundos, a presença dele parecia acompanhá-la, invisível, em cada passo. Teve um momento que olhou para trás e suspirou ao ver que não era ele, e sim, estranhos, que nem reparavam nela.
***
A mente de Mark estava distante, mergulhada em seus próprios pensamentos. Ainda assim, mantinha uma atenção quase sobrenatural sobre a reunião.
Os funcionários, no entanto, sentiram o peso de sua presença e pararam de falar, trocando olhares nervosos entre si.
- Podem continuar, estou ouvindo - disse Mark, erguendo o olhar de forma lenta e calculada. Sua voz reverberou pela sala, então os funcionários retomaram o discurso.
No final da reunião, Mark levantou-se e foi à sua sala para pegar o paletó dando o dia por encerrado.
Na limusine, enquanto o motorista seguia pelas ruas tranquilas da cidade, sua mente inevitavelmente voltou a Elena. Um desejo intenso queimava sob o controle férreo que mantinha sobre si mesmo, queria arrancar todas as barreiras entre eles, aproximar-se dela, dominá-la e possuí-la por completo.
Mas ele sabia que precisava esperar. A paciência fazia parte do jogo, sabia exatamente quando e como agir, deixando o desejo latente, pronto para explodir no momento certo.
Chegando em casa, os funcionários se despediram e deixaram a mansão num silêncio profundo. Ele os pagava generosamente, mas gostava de ficar sozinho quando voltava, deixando-se envolver apenas pela própria presença e pelos pensamentos que o ocupavam.
Após um breve jantar, pegou uma taça de vinho e dirigiu-se à piscina. Ficou ali por vários minutos.
Então, um leve barulho de salto chamou sua atenção. Marcando cada passo, o som se aproximava, e ele ergueu o olhar.
Ali estava Valquíria, sua irmã gêmea, surgindo da penumbra com uma elegância sobrenatural que sempre a acompanhava.
Mark sorriu levemente:
- Valkiria... há quanto tempo.
Ela se aproximou, cada curva de seu corpo se movendo de forma provocante sob o vestido mínimo que usava. Mas Vlad não reparava. Eram irmãos, e sempre houve respeito entre eles, desde os tempos em que não eram diferentes, antes de abraçarem a eternidade que os separava dos humanos.
- Vlad, senti sua falta - disse ela, aproximando-se para beijar o rosto dele antes de se sentar em uma cadeira ao lado. - Quando você vai sair dessa carcaça velha? - A olhada carregada de desgosto e impaciência.
- Breve. Muito em breve - respondeu ele, mantendo a postura calma, como sempre.
- Que bom. Quero te chamar para minha festa de aniversário... ops, nossa festa. Será amanhã à noite. Terá virgens, e você poderá beber do sangue delas e voltar a ser quem era.
Vlad ergueu uma sobrancelha, um leve sorriso curvando os lábios:
- Não me importo de ser velho, Valquíria. Ainda sei ser sedutor.
- Eu sei, meu caro - disse ela, com um sorriso divertido. - Mas somos gêmeos. Precisamos manter um certo contraste.