- Senhorita Lancaster, preciso falar com o senhor Darkmoor imediatamente. Acredito que encontrei um homem que pode ser filho dele.
Elena ficou boquiaberta. Impossível acreditar, ela ouviu que o magnata não tinha descendentes.
Elena passou a ligação para o patrão e voltou ao trabalho. Inacreditável como todo aquele desejo intenso que sentiu nos dias anteriores desapareceu assim que deixou a empresa e voltou para casa no dia anterior. Aquele calor súbito e incontrolável não existia mais, mas a lembrança ainda a deixava corada.
A outra secretária havia se aposentado e deixado o cargo. Agora, no escritório, era apenas ela e o senhor Darkmoor.
***
Mark levantou e ajustou o paletó antes de se dirigir à porta.
- Vou até o advogado e depois passar em uma clínica para um teste de paternidade. Se precisarem de mim, ligue no meu celular.
Elena ouviu atentamente e assentiu.
- Claro, senhor.
Ela suspirou, tentando voltar ao trabalho após ele sair.
Mark cumpriu todas as tarefas que precisava naquele dia e, no final da tarde, foi para casa. À noite, vestiu-se com elegância impecável para comparecer à própria festa de aniversário, na mansão de sua irmã.
Ao chegar, a mansão de Valkiria estava repleta de convidados, não apenas vampiros em busca de sangue, mas também de visitantes seduzidos pelo poder e pela aura sobrenatural que ela emanava.
Ela apareceu imediatamente, com o sorriso sedutor que sempre a caracterizava. Caminhou até ele, e o cumprimentou com carinho:
- Vlad... ou devo dizer, irmão, é bom te ter aqui.
Mark apenas sorriu e voltou ao olhar ao redor. Ali a sedução e o desejo se misturavam com poder e sangue. Ele, por sua vez, se mantinha contido.
Mark aproveitou a festa até o final. Quando estava prestes a sair, Valquíria reapareceu ao seu lado, desta vez acompanhada por uma mulher de sorriso confiante, que o observava com desejo.
- Vlad, um presentinho para você antes de sair - disse Valquíria.
- Valkiria... - murmurou, surpreso e irritado ao mesmo tempo.
- Ora, vamos - continuou ela, com um sorriso provocador. - Ela quer, e você está precisando. Não se alimentar da forma correta o deixa assim, envelhecendo. Faça sexo com ela... e tome seu sangue.
Mark manteve a calma. Um leve sorriso curvou seus lábios:
- Você nunca perdeu a oportunidade, não é?
Mark tentou inicialmente manipular a situação, mas a insistência e a ousadia dela eram difíceis de ignorar. Com um leve suspiro, decidiu ceder, movendo-se com a graça predatória que sempre o caracterizou.
A mulher ofereceu o pescoço com confiança. Vlad inclinou-se lentamente, os olhos negros fixos nela.
Ao tocar a pele macia com os dedos, sentiu a energia vital pulsando sob seu toque, e as presas se projetaram brevemente, apenas o suficiente para marcar seu poder e satisfazer a necessidade primária que ardia à tempos.
Com movimentos calculados, ele bebeu superficialmente, absorvendo o sangue, mantendo o controle sobre si mesmo e sobre a situação.
A mulher estremeceu, fascinada, enquanto Vlad recuava, limpando a boca com um lenço que a irmã lhe deu.
Valkiria sorriu satisfeita, e Vlad permaneceu imóvel por alguns segundos, sentindo o prazer e a energia que o sangue lhe devolvia.
- Você deveria beber mais - disse Valquíria, cruzando os braços e mantendo o olhar provocador. - Durma com ela...
- Não quero ela, Valkiria - respondeu Vlad, com firmeza na voz.
- É mesmo? - a irmã arqueou uma sobrancelha, curiosa. - E quem você quer, então?
Ele suspirou, os olhos se perdendo por um instante em lembranças e pensamentos que só ele conhecia.
- Conheci alguém - murmurou.
- E por que não está com ela? - insistiu Valquíria.
- Ela é noiva.
- Isso não é empecilho. Posso sentar nele e tomar todo o sangue, e ela ficaria sozinha para você. O que acha?
- Obrigado, mas farei do meu jeito - disse, com um leve sorriso de canto de boca. - Sempre faço.
A irmã riu, admirando a determinação do irmão, sabia que nenhum jogo de sedução ou manipulação poderia dobrá-lo quando ele decidia algo.
Ele voltou para casa e, sem perder tempo, foi até o espelho. O reflexo demorou alguns segundos para se formar, revelando primeiro a imagem que tivera mais cedo, depois a versão dez anos rejuvenescida de si mesmo. A pele mais lisa, os cabelos impecáveis, a curvatura da coluna firme... parecia dez anos mais jovem, impecável em todos os detalhes.
- Ainda não... - murmurou para si mesmo.
Então, o reflexo desapareceu e reapareceu, desta vez mostrando a verdadeira imagem de Vlad, como todos o conheciam. Alto, charmoso, forte e sedutor, com cabelos negros como a noite e pele levemente pálida. Mas eram os olhos que realmente prendiam, os mesmos de sempre, profundos, penetrantes, capazes de enxergar a alma de qualquer um, de dominar sem precisar de força, de seduzir sem tocar.
Vlad permaneceu diante do espelho, absorvendo cada detalhe de si mesmo, recordando o poder que carregava, a imortalidade que o definia e a aura que sempre deixava todos ao redor em alerta. Era por dentro, um predador, implacável e completamente consciente de seu domínio sobre o mundo ao seu redor.
- Amanhã, minha cara... amanhã vou te tocar... - a voz dele, baixa e grave, deslizou pelo vento, alcançando Elena mesmo em seus sonhos.
Ela despertou de imediato, com o corpo em chamas. Olhou para o lado, encontrando o noivo adormecido ao lado.
- Querido... e se a gente... - murmurou, hesitante, ainda envolta pela excitação que percorria seu corpo.
Ele abriu os olhos, franziu a testa e rosnou de impaciência:
- Que saco, Elena... procura outro pra isso.
Virou-se de costas e voltou a dormir, deixando-a boquiaberta.
- O que você disse? - perguntou, surpresa e frustrada, mas não obteve resposta. Respirou fundo, afastando os pensamentos que a consumia, e decidiu se levantar. Hora de se arrumar.
Assim que entrou no escritório, notou uma rosa vermelha-sangue cuidadosamente colocada sobre a mesa. Tocou as pétalas de forma suave e sorriu, fazia tempo que não ganhava uma flor. Encontrou um vaso pequeno, colocou a rosa nele e deixou-o ali, para poder admirá-la o dia todo.
De repente, o ramal tocou, fazendo-a dar um salto. Com o coração acelerado, atendeu:
- Senhor Darkmoor?
- Venha até minha sala.
Ela sentiu o mesmo arrepio que sempre aparecia quando ele a chamava.