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O CEO QUE NUNCA AMOU: AMOR À VENDA
img img O CEO QUE NUNCA AMOU: AMOR À VENDA img Capítulo 3 Intolerante
3 Capítulo
Capítulo 6 Até quando img
Capítulo 7 A minha razão de viver img
Capítulo 8 A entrevista img
Capítulo 9 Uma visão celestial img
Capítulo 10 Quem é ela img
Capítulo 11 A verdadeira entrevista img
Capítulo 12 Atraído por ela img
Capítulo 13 No escritório img
Capítulo 14 Amizade selada img
Capítulo 15 Paciência por ela img
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Capítulo 3 Intolerante

Theodoro odiava atrasos. Para ele, pessoas que não cumpriam horários não mereciam confiança. Nos seus negócios, não tolerava um segundo de atraso. Ou chegava na hora marcada ou não lhe encontraria. Se acontecesse um erro sequer, ele estava fora.

Mas, nesse momento, estava tolerando esse atraso, porque se tratava do seu melhor amigo. Murilo nunca conseguiu seguir um mísero horário. Em todos os encontros deles, Theodoro se preparava para esperar muito, mas desconfiava seriamente que o amigo fazia isso só para lhe irritar.

Quando começou a cogitar ir embora, o amigo apareceu no restaurante. Estava todo desgrenhando e com o semblante tenso. Alguma coisa grave tinha acontecido.

- Já não era sem tempo. – Theodoro não se abalou em cumprimentá-lo, estava irritado demais para isso

- Não começa, Théo, eu tive um problema.

- Sempre tem, Murilo, você adora inventar uma história para encobrir as suas merdas. – Ele fez sinal para o garçom trazer outro uísque

Estava tão tenso, que precisava relaxar com uma bebida.

- Dessa vez é verdade. – Murilo se acomodou na frente do amigo. – Cara, acabei de descobrir com o meu advogado que um empresário que conheço deu um golpe na esposa. Ele conseguiu uma procuração da pobrezinha e vendeu todos os bens deles. Não deixou nada para ela, a

não ser as roupas. Todo o resto ele tirou da coitada.

Theodoro ergueu a sobrancelha ao ouvir essa história. Não acreditava que a mulher fosse tão burra a ponto de passar uma procuração para o marido dando plenos poderes para que ele vendesse todos os seus bens.

- E o que isso te atinge? Se ela é uma dessas mulheres burras que não enxergam nada além do Botox, você não tem culpa. Tenho certeza que em breve ela arruma outro marido rico e consegue tudo de novo. – Ele bebeu uma generosa dose do seu uísque e sentiu o calor da bebida descer pela sua garganta

- Ele vendeu a casa dos pais dela, e eles também estão na rua. – Murilo ainda se recusava a acreditar que o babaca do Joaquim traiu uma mulher especial como Suzana. – Théo, eu estive com eles há um mês, e o cara babava pela mulher, eu não estou entendendo nada.

- Ela não deveria estar correspondendo às expectativas dele. – Sem paciência para o assunto, Theodoro olhou o cardápio para saber o que iria escolher.

- Eles estavam casados há quatro anos, não acha que é tempo demais para ele não saber quais expectativas a mulher poderia não corresponder?

- Porra! - Theodoro se irritou profundamente em ter que ouvir fofoca. - Não conheço o casal, não me importo com os problemas deles e não quero saber se ela está na rua. Simplesmente não me importo com nada disso.

O amigo o encarou, perplexo. Às vezes, Murilo desconhecia o amigo que convivia desde a escola. Tudo bem que ele sabia que Theodoro não gostava de saber da vida dos outros, mas, dessa vez, era uma história importante.

- Você não tem coração?

- Tenho e está ótimo, fiz check-up há dois meses. O médico disse que tenho coração de atleta... para ser mais preciso, um coração de leão, como ele mesmo insinuou.

- Vai começar com suas ironias? Odeio seu humor ácido.

- Se você parar de falar asneiras, posso ser mais cordial amigo.

- Theodoro,, eu estou dividindo com você o drama de uma bela mulher que está na rua. Você deveria ficar consternado com a situação dela.

- Agora sim, tudo está explicado, você quer comer a pobre sem-teto. Entendi tudo, meu caro, eu ando com o raciocínio lento nos últimos tempos. Sorry!

- Quanta deselegância. Você é um merda, na boa, não se fala assim de uma dama.

Agora Murilo pegou pesado, o que fez com que Theodoro jogasse a cabeça para trás e soltasse uma estrondosa gargalhada, sem se importar com as pessoas ao seu redor.

Essa piada do amigo foi ótima e merecia uma boa risada.

- Falou o rei da noite do Rio. – Ele se inclinou sobre a mesa e estreitou os olhos para Murilo enquanto sussurrava. – Você é tão cordial assim com as putas que gerencia? Importa-se com o coração delas ou só pensa no dinheiro que elas trazem para você?

Ouvir Murilo falar em "dama" foi demais para Theodoro. O cara tinha uma agência clandestina de acompanhantes de luxo, e queria chamar uma mulher idiota de "dama". Realmente era uma grande piada.

- Vai se foder. – Murilo olhou para os lados, incomodado. – Você sabe que não gosto de falar desses assuntos em público. – Claro que ele não gostava, ninguém do meio social deles sabia dos negócios escusos de Murilo.

- Ninguém ouviu, relaxa, mas pare de bancar o bom rapaz, nós dois sabemos que você é o vilão da história.

- Eu não engano as mulheres, elas vão à minha procura sabendo o que posso oferecer. Sou um homem de negócios como você.

- Sei... – Theodoro escolheu o seu pedido e fez sinal para o garçom se aproximar. – A única diferença é que não tenho uma empresa de fachada para camuflar meu real negócio.

- Vamos entrar nessa discussão novamente? Eu faço isso há anos, e você sabe disso.

Sem mais conversa, Theodoro fez o seu pedido.

- Você vai querer o quê?

- O mesmo que você – Murilo respondeu, irritado, e com toda a tranquilidade do mundo, seu amigo fez outro pedido e dispensou o garçom.

- Estou com muita fome, não tomei o desjejum hoje. – Theodoro olhou o celular, viu que mil mensagens tinham chegado e percebeu que as pessoas pareciam não parar nem por um minuto

- Você é tão antiquado, fica falando nesse linguajar refinado. – Murilo fez uma careta. – Você está comigo, não com aquele conselho de velhos babões que administra.

- E você é um chato. Eu falo como quiser, o meu dinheiro me permite falar até em latim.

- Cala a boca! – Irritado, Murilo chutou a canela de Theodoro por baixo da mesa

A prepotência do amigo era algo que o tirava do sério.

– Preciso encontrar uma maneira de ser solidário com a nova solteira da praça. Eu sempre tive tesão pela mulher do Joaquim e quero muito me aproximar dela. Juro que dou casa, comida e roupa lavada para aquela mulher, ela é muito gostosa, cara. No meu cardápio de meninas, não tem nenhuma que chegue aos pés dela. Se você a visse, ficaria completamente louco.

Era cansativo para Theodoro ouvi-lo dizer que toda mulher que sentia tesão era a mais linda do mundo. Às vezes, Theodoro desconfiava que o amigo possuía problemas mentais, porque isso não era normal.

- Vamos mudar de assunto? Eu estou pensando em passarmos um final de semana em Angra. Só andei três vezes no meu iate novo, quero dar mais utilidade para ele.

- Quer que eu arrume umas meninas para enfeitálo? Posso te passar o meu cardápio.

- Engraçadinho! Você trata as mulheres como se fosse alimentos de um restaurante barato. – Theodoro fez deboche da proposta do amigo – O inferno vai congelar no dia em que eu pagar uma mulher para ficar ao meu lado. Pode deixar que convido umas meninas, terei quantas mulheres eu quiser à minha disposição e melhor... de graça.

- Você é quem sabe, a oferta ainda está de pé. Agora me conte sobre o fora que a Pâmela te deu, estou curioso.

Theodoro ignorou a felicidade na voz do Murilo e contou o seu problema. Nesse momento, se sentia puto por ter sido deixado por Pâmela, e apenas o amigo iria entender o que estava sentindo.

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