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Atraída pelo garoto errado - a garota fria e o mulherengo
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Capítulo 2

Capítulo 2

Scarlett Voss

DIA SEGUINTE.

Eu devia ter imaginado que não ia ser tão simples assim. Saio da sala depois da aula de introdução à administração, ainda revisando mentalmente cada ponto importante, quando percebo alguém andando ao meu lado.

- Você anota tudo mesmo, né? - Eu paro, devagar.

Viro o rosto e encontro um garoto sorrindo como se já me conhecesse.

- Desculpe, não entendi? - respondo, sem paciência pra rodeios.

- Na aula - ele aponta com a cabeça. - Você não perdeu nada. Nem uma palavra.

Eu sustento o olhar por um segundo.

- E? - quero saber o que ele disse com isso, é um elogio ou zombaria? Garoto estranho.

Ele ri baixo, como se eu tivesse feito uma piada.

- Nada. Só achei... impressionante.

Claro, um elogio estranho vindo desse garoto.

- Scarlett - digo, antes que ele continue com essa conversa.

Ele entende o gesto.

- Noah.

Assinto, já pronta pra encerrar, mas isso claramente não faz parte dos planos dele.

- Você sempre é assim ou era só porque era a primeira aula?

- Assim como?

- Focada.

- Sim. - tento ser curta, objetiva com ele, mas parece não funcionar.

- Legal - ele responde, como se isso fosse um convite pra continuar a conversa.

Antes que eu consiga sair, mais dois garotos se aproximam.

- Cara, você já começou sem a gente? - o segundo diz, passando a mão no cabelo com confiança demais.

Ele me olha como se estivesse acostumado a ser notado.

Não me impressiona. Reviro os olhos sem que eles notem.

- Ethan - ele se apresenta, direto.

- Scarlett. - digo sem sorriso, sem interesse e ele percebe.

E, ao invés de se afastar... parece mais interessado.

Ótimo, tudo que estou fazendo está falhando.

- E eu sou o Marcus - o terceiro entra, com um sorriso torto. - O mais legal dos três, inclusive.

- Isso é mentira - Noah diz.

- Inveja é feio.

- Você não é engraçado - Ethan corta.

Marcus coloca a mão no peito.

- Isso foi pessoal.

Eu observo os três por alguns segundos.

Eles são... insistentes. E barulhentos. E isso me irrita.

- Vocês sempre andam juntos? - pergunto.

- Sempre - Noah responde.

- Tipo um pacote - completa Marcus.

- Um pacote que você claramente precisa - Ethan diz.

Eu cruzo os braços.

- Eu claramente não preciso. - Olho para eles, fico séria...

Há um silêncio ali, curto, mas há... Marcus ri.

- Gostei dela.

- Eu também - Noah concorda, sem hesitar.

Ethan só me encara, analisando. Como se eu fosse um desafio. Eu não tenho tempo pra isso.

- Eu tenho aula - digo, já me virando.

- A gente também - Noah tenta acompanhar.

Eu paro e olho pra ele.

- Eu vou sozinha. - digo séria, tentando ser paciente, mas já está no limite.

Ele levanta as mãos, rendido.

- Ok, ok.

- A gente se vê - Marcus fala.

- Talvez - respondo.

E continuo andando, sem olhar pra trás nenhuma vez. Educada? Sim. Interessada? Nem um pouco.

O resto da manhã passa melhor. As aulas exigem atenção, e eu gosto disso. Gosto de ter algo concreto pra focar, algo que depende só de mim.

Administração não é só um curso. É um plano. É o que vai me dar estabilidade, crescimento, independência. Eu não estou aqui pra "viver a experiência universitária". Eu estou aqui para construir um futuro. E isso muda tudo.

Quando a aula termina, eu organizo minhas coisas rapidamente e saio, pronta pra seguir minha rotina.

Até alguém praticamente pular na minha frente.

- SCARLETT?! - Eu travo.

Levo um segundo para reconhecer. E quando reconheço...

- Penny?

E então ela já está me abraçando.

- EU NÃO ACREDITO QUE É VOCÊ!

Penny me solta só o suficiente pra me olhar direito, mas ainda segura meus braços, como se eu pudesse desaparecer a qualquer momento.

Eu demoro um pouco pra reagir. Não pelo reconhecimento, mas pela intensidade.

- Você... tá aqui - digo.

- Tô! E você também! Isso é muito doido!

Ela ri, e o som é exatamente como eu lembrava.

Leve, espontâneo, vivo. Ela ainda é a mesma de sempre: cabelos loiros, olhos verdes, magra... mas o que realmente chama atenção é a energia dela. Sempre foi assim.

O oposto de mim. A gente estudou juntas no ensino médio, trocamos número de celular, ela foi a única amiga que tive, mesmo ela sendo o oposto, ela me entendia, respeitava meu espaço, e mesmo ela sendo tão diferente, gostava dela, só não imaginava, que a veria aqui.

- A gente passou anos só conversando por mensagem - ela continua. - E agora isso?

- Coincidência - digo.

- Destino - ela corrige na hora.

Claro, pra ela sempre era assim.

- Você tá fazendo o quê? - ela pergunta.

- Administração.

Ela abre um sorriso enorme.

- Eu também! Mas, que pena que não somos da mesma sala, né?

Eu paro, concordo e digo.

- Sério? Não esperava isso Penny. - falo, ainda sem acreditar.

- Comecei hoje, que bom que nos encontramos!

E então ela ri. E, sem perceber... eu também. Não alto, mas real.

Caminhamos juntas pelo campus, e Penny fala sem parar. Sobre as aulas, sobre as pessoas, sobre o quanto está animada, sobre tudo. Eu escuto. E, estranhamente... não me incomoda.

- Você continua igual - ela comenta.

- Igual como?

- Fechada. Na sua. Mas não de um jeito ruim... só... protegida.

Eu não respondo. Porque ela não está errada.

- Mas eu sei que você gosta de mim - ela completa, convencida.

- Convencida. - reviro os olhos.

- Realista. - ela me corrige, como sempre.

O dia passa mais leve depois disso. Entre aulas e conversas, eu consigo manter meu ritmo, mas agora não estou completamente sozinha.

E isso é... diferente.

Quando saímos da universidade, já está no fim da tarde.

- A gente vai se ver amanhã, né? - ela pergunta.

- Vamos sim.

- Promete?

Eu olho pra ela.

E, por algum motivo, isso importa mais do que deveria.

- Prometo.

Ela sorri, satisfeita.

- Então vai estudar, garota responsável.

- Sempre.

Ela ri e se afasta, acenando antes de sumir entre as pessoas.

Eu fico parada por um segundo, observando.

E então sigo meu caminho. O apartamento me recebe do jeito de sempre: silencioso, organizado, previsível.

Aqui é seguro. Tiro o casaco, deixo a bolsa no lugar e me sento para estudar.

Reviso tudo. Organizo anotações, planejo. As horas passam.

Quando finalmente me deito, o corpo pesa, mas a mente ainda está ativa.

Eu penso no dia. Na faculdade. Nos três garotos insistentes. Em Penny.

Eu encaro o teto. A mesma rachadura. O mesmo lugar, mas... algo parece diferente.

"Isso vai ser tranquilo." Eu penso.

E dessa vez, eu realmente acredito. Por enquanto.

Fecho os olhos, mas o silêncio do apartamento não me deixa dormir imediatamente, nunca deixa. Mas hoje tem algo fora do padrão. Penny.

A forma como ela apareceu, falando comigo como se nada tivesse mudado. Como me abraçou sem pedir permissão... como se eu ainda fosse alguém fácil de alcançar. Eu não sou, não mais.

Ainda assim... eu não me afastei. Isso me incomoda mais do que deveria.

Viro de lado na cama, puxando o cobertor um pouco mais. O frio de Londres parece sempre encontrar um jeito de entrar, não importa o quanto eu me organize.

Talvez não seja só o frio, seja o espaço. Aquele vazio silencioso que eu finjo que não existe. Eu aperto os olhos por um segundo.

Não preciso disso, nem de ninguém.

Repito isso mentalmente, como sempre faço. Funciona, sempre funcionou.

Mas, pela primeira vez em muito tempo, não soa tão absoluto assim. E isso é perigoso. Respiro fundo, forçando meu corpo a relaxar. Amanhã vai ser mais um dia. Mais aulas, mais trabalho, mais controle. Do jeito que precisa ser, mesmo que no fundo, alguma coisa já tenha começado a sair do lugar.

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