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Depois do fim
img img Depois do fim img Capítulo 2 O fim
2 Capítulo
Capítulo 6 Colocando um ponto final img
Capítulo 7 Uma proposta img
Capítulo 8 Dando início a liberdade img
Capítulo 9 Decisão tomada img
Capítulo 10 Voando para uma nova vida img
Capítulo 11 Bem-vinda ao Texas! img
Capítulo 12 Surpresa img
Capítulo 13 Uma nova equipe img
Capítulo 14 Palavras de conforto img
Capítulo 15 Conhecendo o futuro img
Capítulo 16 Dois sobreviventes img
Capítulo 17 Bem-vinda ao lar img
Capítulo 18 O divórcio img
Capítulo 19 Uma chance img
Capítulo 20 O encontro img
Capítulo 21 Invasão img
Capítulo 22 Revelações img
Capítulo 23 Determinação img
Capítulo 24 Planos img
Capítulo 25 A chegada do inimigo img
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Capítulo 2 O fim

Era uma quarta-feira à noite. Tínhamos saído do trabalho e ido direto a um restaurante para comemorar nossos 15 anos de casados. Eu estava feliz. Superfeliz. Estávamos planejando nosso primeiro filho; eu havia parado de tomar o anticoncepcional e nós estávamos bem - algo que não acontecia há anos.

O restaurante japonês era o nosso santuário particular. O cheiro de vinagre de arroz e gengibre sempre foi o perfume das nossas celebrações.

- Estou feliz por estarmos aqui - eu disse, buscando a mão dele sobre a mesa, um gesto que era, ao mesmo tempo, carinho e um pedido silencioso de trégua.

- Por quê? - Diego perguntou. Ele não sorria com os olhos, apenas com os lábios. Um sorriso de vitrine.

- Porque estamos comemorando nosso aniversário, amor. São 15 anos juntos, não 15 dias. Passamos por tanta coisa que nem imaginei que chegaríamos aqui - respondi, colocando minha mão sobre a dele.

- Pois é, quem diria...

Eu concordei com a cabeça. Eu amava o Diego; continuava apaixonada por ele, mesmo depois de tudo.

- Bom, vamos nos servir? Estou com fome - ele disse, sorrindo e pegando o prato.

- Vamos lá - respondi, indo atrás dele. Já estava acostumada com o jeito seco dele de agir comigo, o modo caloroso da época do namoro foram há muito deixadas para trás, então eu já não me incomodava mais.

No caminho até as ilhas repletas de comida, um homem esbarrou em mim do nada, derrubando meu prato no chão.

- Merda - murmurei, abaixando-me para juntar os cacos enquanto o garçom vinha me socorrer.

- Desculpa, moça, eu não te vi - disse o rapaz, abaixando-se para ajudar.

- Tá, relaxa - respondi, seca, sem olhar para o rosto dele. Eu conhecia o manual de sobrevivência ao lado de Diego: nunca dê abertura, nunca olhe nos olhos de outro homem, nunca sorria para estranhos. Mas o "crime" já estava registrado na mente paranoica dele. Levantei-me, deixando o garçom cuidar da bagunça. - Obrigada - agradeci ao funcionário e fui buscar outro prato.

Ao me aproximar da ilha, notei Diego. Ele me olhava com ódio.

- O que houve? - perguntei, já preocupada.

- Eu estou indo embora - ele disse bruscamente, devolvendo o prato e saindo do restaurante.

- Diego! - chamei, indo atrás. - Diego, espera!

Ele foi direto para o carro. Corri e entrei ao mesmo tempo que ele, com medo de que me deixasse ali, como já fizera uma vez.

- Sai do carro, sua puta - ele disse, agarrando o volante com força.

- Oi? Você está louco? Por que está me chamando assim?

- Eu vi, Ariane.

- Viu o quê?

- Você dando em cima daquele cara. O que "esbarrou" em você - disse ele, fazendo aspas com os dedos.

Fiquei incrédula. Eu não tinha feito nada; tinha sido até grossa com o sujeito. Mas quando percebi que Diego estava surtando de propósito, já era tarde.

- Diego, você está ficando doido. Eu não estava dando em cima de ninguém. O babaca esbarrou em mim, eu derrubei a merda do prato no chão. Não fiz nada.

- Fez sim, você sempre faz. Eu vi tudo. Vadia. - Ele disse, quanto arrancava com o carro e íamos para casa.

E mais uma vez aquelas palavras me machucaram. Não era a primeira, e nem seria a última vez que ele me chamava de vadia.

O trajeto para casa foi um deserto de palavras. Eu sabia o roteiro: ele gritaria, eu choraria até os olhos arderem, eu pediria desculpas por algo que não fiz e, dias depois, selaríamos a paz com sexo. Para ele, o sexo resolvia tudo

Como meus sogros moram conosco, pensei que a presença deles conteria a briga. Entrei em casa, dei boa noite baixinho e subi. Estava a caminho do banheiro quando ele me agarrou por trás. Em um abraço apertado, pegou-me desprevenida e me virou de frente.

Pela primeira vez em 15 anos, ele fez o que eu jamais esperaria. Veio o primeiro soco. Depois o segundo, o terceiro. Perdi a conta. Senti meu nariz quebrar. O sangue começou a jorrar. Quando ele me deixou no chão e sentou-se na beira da cama para me olhar com desprezo, o choque paralisou meus sentidos.

Por um momento eu não sabia o que fazer. Não sabia se chorava de dor, ou se gritava por socorro.

Depois de alguns minutos tentando entender o que estava acontecendo ali, no nosso quarto, eu soube o que tinha que fazer.

Lembrei das palavras de minha mãe, e a coragem que sempre me faltava nas horas das brigas para ir embora me abateu com todas as forças.

Puxei o ar que restava e gritei:

- SOCORRO!

Na segunda vez que gritei, ele avançou para me bater de novo, mas meu sogro entrou no quarto, arrancando-o de cima de mim. Minha sogra se abaixou, perguntando se eu estava bem. Eu não conseguia responder. Minha voz havia sumido.

- Quer saber de uma coisa? - Diego gritou, com ódio queimando nos olhos. - Pega suas coisas e some! Eu quero a merda do divórcio!

Fiquei encarando aqueles olhos pretos - olhos que um dia, a muito tempo - já me olharam com carinho, com desejo. Enquanto saia sangue pelo meu nariz e boca minha mente travava. Literalmente me dava a famosa "tela azul". Não sabia o que fazer, muito menos o que responder.

Depois de longos minutos, assim que consegui ouvir minha sogra perguntar novamente se eu estava bem, decidi me mexer. Sem dizer uma palavra.

Com o rosto sangrando e banhado em lágrimas, me virei e sai do quarto, dando as costas para o homem que eu mais amei na vida e abandonando nossa história.

Jamais imaginei que fosse acabar assim... com violência.

Minha mãe me criou para nunca, nunca, aceitar que um homem levantasse a mão para mim, e por fim, o homem com quem me casei, em quem confiei, entreguei minha alma e minha vida... me bateu. Depois de 15 anos de casamento.

Não achei que chegaria neste ponto, mas chegou. E tudo por causa de um ciúme paranoico.

O gosto metálico do sangue na minha boca era o batismo de uma mulher que eu não conhecia. Enquanto eu descia as escadas, ouvi o baque surdo de algo quebrando no quarto - provavelmente o abajur que escolhemos juntos em nossa lua de mel - seguido pela voz grave e decepcionada do meu sogro: 'Você se tornou o homem que eu mais desprezo, meu filho'.

Aquelas palavras foram o último prego no caixão do meu casamento.

Atravessei a porta da sala sem pegar uma peça de roupa sequer. As paredes, adornadas com fotos de viagens e sorrisos ensaiados, agora pareciam estranhas, como um cenário de um filme de terror que eu finalmente tinha coragem de abandonar.

O ar frio da noite atingiu meu rosto inchado, e pela primeira vez em quinze anos, o calafrio que senti não foi de medo, mas de uma clareza cortante.

Entrei no carro e segurei o volante com as mãos trêmulas. Olhei pelo retrovisor e não reconheci a mulher de olhos fundos e lábios partidos, mas reconheci o fogo que começava a surgir por trás da dor. Ele achava que estava me expulsando, que o divórcio era a sua arma final. Ele não entendia que, ao levantar a mão para mim, ele havia quebrado as correntes que me mantinham refém da sua paranoia.

Liguei o motor.

Minha mãe dizia que o amor não dói; se dói, é outra coisa. Eu ia descobrir o que era viver sem essa 'outra coisa'.

Minha primeira parada seria a delegacia - não por vingança, mas porque os próximos quinze anos da minha vida pertenciam apenas a mim.

Podia até estar agindo sem pensar, no automático, mas para mim, violência física era algo que eu jamais, jamais aceitaria, e Diego sabia disso, ele sempre soube.

Por um momento minha cabeça quis racionalizar o ocorrido para tentar justificar as atitudes dele, mas balancei a cabeça e me forcei a entrar no modo automático de novo, somente assim eu iria conseguir sair de todo o poço de sofrimento que era esse casamento.

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