É bem diferente da vila onde eu moro, onde as casas e ruas pareciam mais antigas, medievais, mas eu adoro, parece até cena de filme.
Já aqui... é a cidade grande, já ouvi falar de Londres, via fotos de umas senhoras ricas, mas vendo pessoalmente, era surreal.
Percebi que Jones tem várias marcas de carro no estacionamento da mansão, uma mais linda que a outra, confesso.
Ele deve ser muito rico.
Mas, quem ele é?
Jones desce do carro, tiro o cinto e ele segura meu braço, me ajudando a sair.
Eu nem consegui olhar para ele. Estou bem nervosa que nem sei se agradeci, mas ele também não fez questão.
Por alguns segundos ficamos os dois ali, se encarando, um sem saber o que dizer ao outro, e então, ele desistiu primeiro de dizer algo e se afastou.
O homem negro carrega algumas malas que ele pegou no meu quarto, sem permissão, nós andamos em direção à mansão.
Fico olhando ao redor, impressionada com tudo isso e também com medo, desse novo lugar, medo do Jones. Do que será de mim.
Jones se aproxima de mim novamente, seus olhos verdes me encaram intensamente.
Engulo em seco. Ele funga baixo e segura no meu pulso, começando a caminhar.
- Vamos. - apenas ordena e eu o sigo sem falar nada.
Entramos na mansão e fico boquiaberta.
Admito que é um lugar lindo.
Ele é rico, e tem tudo o que quer. Mas por que? Por que se interessou em me comprar? Por que meu pai me vendeu?
Ele me conduz até sua luxuosa sala e diz após se sentar.
- Deseja algo? - se aconchega na poltrona e me olha com atenção.
- Ir embora. - falo corajosamente, tento encontrar seus olhos e apenas ouço seu riso rouco.
Fico ali em pé, olhando para ele.
- Bem, Lúcia. Você pertence a mim agora. - Diz sério e então continua. - Ele ficará de olho em você quando eu não estiver aqui.
Ele aponta para o grandão que atacou meu pai. E começa a falar novamente:
- Por enquanto, ficará aqui, pode passear no jardim, na biblioteca. Mas, apenas nesses lugares, me entendeu? Minha governanta te mostrará seu quarto depois.
Eu estava preocupada com o meu irmão, como ele ficaria sem mim? Se meu pai não cuidasse dele?
Eu não confiava que meu pai se lembraria de comprar comida, roupas ou outras coisas para meu irmão.
Eu precisava... pedir algo a ele.
- Eu... Vou obedecer, eu só quero ... que meu irmão esteja bem, que fique bem alimentado, eu não sei como ele irá sobreviver sem mim. - disse, tentando não chorar.
- Tudo bem... vou ver o que posso fazer, caso siga as regras, posso fazer isso. Continuando: você também irá me acompanhar em minhas viagens. - Ele continuou a falar. - Terá seu quarto, mas caso me desobedecer será punida.
O modo que ele diz a sentença final, sobre ser punida, parece ser carregado de uma atmosfera sexual e eu fico sem saber como reagir naquele momento, além de engolir seco.
Ou era coisa da minha cabeça?
- Punida... de que forma serei... serei punida? - Pergunto, gaguejando pela tensão no ar.
- Você saberá de que forma será punida... e vai gostar.
Ele ri após terminar a frase e aquele riso desperta em mim sensações estranhas. Não quero nem imaginar que punições eu terei se o desobedecer.
O que ele poderia fazer comigo? Olha só onde fui me meter.
Ele se levanta e vem até mim, fica me olhando de tão perto... que tento não ficar nervosa.
Ele morde seu lábio devagar e diz.
- Muito bem, espero que seja obediente. Vou dar uma volta. Daqui duas horas esteja no meu escritório. Até lá, a governanta te mostrará a mansão.
Ele chega mais perto e cheira meus cabelos. Mas por que está fazendo isso?
Eu fico parada olhando. Ele alisa meus cabelos e se afasta. Me olha pela última vez e sai da mansão.
Só assim pude respirar direito.
Ele sabe como me deixar nervosa, com vergonha.
Nenhum homem chegou tão perto de mim assim, ainda mais alguém como ele.
Após ele sair a governanta aparece ao lado da porta, ela me chama e me mostra a mansão.
Caminho atrás dela.
Tem três andares.
A casa é linda, toda limpa e organizada. É impecável.
Ela me mostra os quartos, que são muitos, me mostra a cozinha e as três salas que tem aqui, vejo onde fica o escritório de Jones, devo encontrá-lo daqui umas horas.
Conheço uma sala de jogos, tem sinuca e outras coisas que desconheço.
A governanta disse que alguns amigos de Jones frequentam sua mansão e eles jogam esses jogos.
Conheço todos os lugares, fico até exausta.
Por fim ela me mostra meu quarto. Não é tão grande como o do Jones, mas é maior do que o meu antigo. Não tenho que reclamar, mas não quero ficar aqui.
Só quero ir para meu lar, mas não vou conseguir sair daqui.
Estou me mostrando uma garota forte para minha idade, eu chorei no carro mas foi de desespero por meu pai ter sido golpeado.
Mas agora que estou só. Desabo no travesseiro em silêncio.
Meu irmão... Não me despedi dele.
Desabafo em lágrimas, mas me lembro das frases da minha mãe. Vou fazer de tudo para sair daqui. Eu não pertenço a esse homem.
Ele não parece ser um homem muito bom, eu sinto isso.
Quem é ele de verdade?