Fecho os olhos com força, sentindo meu queixo tremer.
Mas, antes de sentir o tapa, ouço uma voz.
- NÃO TOQUE NELA, OUVIU? - Jones grita.
O homem negro abaixa a mão, respira fundo e vai até o meu pai. Ele não consegue sair dos braços daquele homem forte. Meu pai tenta lutar e sair, mas ele não é forte o suficiente.
Ele começa a agredir meu pai, dar tapas violentos em seu rosto, nas pernas dele, e meu pai não consegue fazer nada, a não ser gemer.
Fico sem saber o que fazer, se meu pai não tem chance contra aquele homem, imagina eu. Não posso tentar me aproximar de novo.
Olho para Jones, apavorada vendo essa cena, e digo:
- O que está havendo? Ele está te devendo muita coisa? No seu bar? Eu posso pagar. Quitei todas as dívidas, só não sabia que papai tinha mais dívidas.
Jones sorri e diz.
- Ele quitou agora. - Diz o Sr. Jones, encarando-me intensamente.
- Como assim? - Questiono sem entender o que está acontecendo.
Jones parece um pouco tenso no início, e suas mãos parecem agitadas naquele momento, como se ele não soubesse como me contar o que estava acontecendo.
- Você não contou à sua filha? - Jones pergunta ao meu pai, que parece bastante tenso naquele momento.
Meu pi nega com um movimento de cabeça, mesmo machucado.
- Seu pai percebeu naquela noite que vim aqui que ele não tinha mais nada para vender... exceto os filhos.
- Não! - Exclamo surpresa, ele não faria isso.
- Ele te ofereceu a vários homens naquela noite... - Ele continua explicando, e eu só posso sentir meu coração se apertar dentro do meu peito. - No fim, ele vendeu você para mim. Mas depois, ele começou a andar para trás, mas comigo, não é assim que funciona. Acordo é acordo.
Me viro olhando para meu pai não acreditando no que aquele homem disse.
Vendida? Sério?
Meus olhos começam a lacrimejar e lágrimas escorrem pelo rosto.
Jones me olha com certa pena, mas ele ordena para o grandão pegar minhas coisas.
Não, eu não posso ir.
Eu olho para meu pai que desaba no chão após o homem o soltar.
Ele começa a chorar desesperado. Eu vou até ele, me ajoelho e digo:
- Pai. Por que fez isso? Pai... - Suplico, apavorada.
- Me desculpe. Naquele dia, estava bêbado. Só vi o que fiz quando voltei para casa. Me perdoa. Eu fui um idiota, ainda sou... - Ele chora mais e me puxa para um abraço, eu retribuo, mesmo magoada e triste por isso.
Ficamos nos abraçando e sinto-o tremer todo, ele está desesperado e eu também, nós não temos chances contra Jones e seu guarda-costas.
Após ele secar suas lágrimas, eu começo a falar:
- Pai. Eu te amo, sei que errou muito me vendendo... mas...
Fui interrompida pelas mãos de Jones me levantando, tento sair de seus braços, mas ele é forte e sou incapaz de sair.
Meu pai se levanta com seus olhos cheios de lágrimas, boca machucada, olhos inchados, e mesmo assim ele tenta me socorrer, mas vejo o guarda-costas dar um soco no estômago do meu pai e ele cai de costas no chão gemendo. Eu fico com raiva, grito e começo a dar tapas em Jones. Ele fala alto:
- Para com isso, garota. Não adianta querer escapar, seu pai vendeu você para mim, não há como voltar atrás.
Começo a desabar em choro e Jones me carrega até o carro, coloca o cinto em mim, me sento o mais distante dele possível, o guarda-costas entra e o carro se movimenta.
Não consegui ver mais meu pai, se ele estava bem. Só escutei sua voz bem baixa, abafada ali no carro, que começou a se movimentar.
" Não a leve, só tenho meus filhos agora, não posso a perder. Por favor."
Sua voz em agonia me deixa mais com o coração partido. Eu não posso deixá-lo, nem ao meu irmão, não posso.
Eu estou encolhida, com medo do que vai me acontecer agora, porque o Jones é um desconhecido e isso me assusta.
Quem é esse homem afinal? Ele não pode ser uma boa pessoa, e agora... vou ter que ser obrigada a viver com ele, seja lá onde for.
Isso perfura meu coração... intensamente.
Eu era uma mulher livre que lutava dia após dia para pôr comida em casa, e infelizmente descobri ao final do dia que fui vendida pelo meu próprio pai. E que agora, talvez, nunca mais o veja, nem meu irmãozinho.