A relíquia do Oceano
img img A relíquia do Oceano img Capítulo 5 Parte I - Capítulo 4
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Capítulo 6 Parte I - Capítulo 5 img
Capítulo 7 Parte I - Capítulo 6 img
Capítulo 8 Parte I- Capítulo 7 img
Capítulo 9 Parte I - Capítulo 8 img
Capítulo 10 Parte I - Capítulo 9 img
Capítulo 11 Parte I - Capítulo 10 img
Capítulo 12 Parte I - Capítulo 11 img
Capítulo 13 Parte II - A relíquia do Fogo - Capítulo 12 img
Capítulo 14 Parte II - Capítulo 13 img
Capítulo 15 Parte II - Capítulo 14 img
Capítulo 16 Parte II - Capítulo 15 img
Capítulo 17 Parte II - Capítulo 16 img
Capítulo 18 Parte II - Capítulo 17 img
Capítulo 19 Parte II - Capítulo 18 img
Capítulo 20 Parte II - Capítulo 19 img
Capítulo 21 Parte II - Capítulo 20 img
Capítulo 22 Parte III - A Relíquia do ar - Capítulo 21 img
Capítulo 23 Parte III - Capítulo 22 img
Capítulo 24 Parte III - Capítulo 23 img
Capítulo 25 Parte III - Capítulo 24 img
Capítulo 26 Parte III - Capítulo 25 img
Capítulo 27 Parte III - Capítulo 26 img
Capítulo 28 Parte III - Capítulo 27 img
Capítulo 29 Parte III - Capítulo 28 img
Capítulo 30 Parte III - Capítulo 29 img
Capítulo 31 Parte IV - A Relíquia do Oceano - Capítulo 30 img
Capítulo 32 Parte IV - Capítulo 31 img
Capítulo 33 Parte IV -Capítulo 32 img
Capítulo 34 Parte IV - Capítulo 33 img
Capítulo 35 Parte IV - Capítulo 34 img
Capítulo 36 Parte IV - Cappítulo 35 img
Capítulo 37 Parte IV - Capítulo 36 img
Capítulo 38 Parte IV - Capítulo 37 img
Capítulo 39 Epílogo img
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Capítulo 5 Parte I - Capítulo 4

Diana

A viagem pelo mar foi silenciosa. Só havia nós dois na pequena embarcação. Aquele homem misterioso disse que estava me levando até os outros, algo me dizia que eu não iria gostar de conhecer essas pessoas.

Além dessa informação, ele não disse mais nada e eu também não tinha o que falar. Escorei-me na lateral do barco e fiquei observando o mar, as ondas que se formavam com a ação dos remos. De repente surge uma pergunta, não me aguento e acabo a fazendo.

- Por que quer todas as pedras? - Questionei-o, ele se virou, me encarou e respondeu

- Dinheiro

- Dinheiro? Mas não faz sentido. Você está me pagando uma fortuna para pegar pra você. Acredito que esteja pagando aos outros também

- Estão me pagando mais

Mais do que ele estava pagando a mim? Aos outros?

- Quem? Quem quer tanto essas joias?

- A risada estrondosa rompeu o ar até mim. A brisa do mar acertou meu rosto como se quisesse me dar uma bofetada.

- Não acha que direi, certo?

- Custa nada tentar. - Dei de ombros em uma despreocupação que eu não apresentava. O sorriso escondendo o nervosismo.

No momento em que deixei a cadeia, tudo o que conseguia pensar era na minha liberdade. Mas agora, com os ânimos mais calmos, eu pensei friamente sobre aquilo.

Não era uma aluna aplicada nas aulas sobre nossa religião que eram dadas pelas sacerdotisas, mas me lembro de algumas coisas, e apenas isso foi possível me alarmar. E agora, o que fazer?

Quatro pedras, uma para cada elemento e cada deus, cada uma carregada de poder, e isso separadas, eu não fazia ideia do poder delas juntas.

Como se adivinhasse meus questionamentos, ele fala:

- Não está pensando em desistir, está?

- É claro que não. Vou pegar essa pedra, meu dinheiro e sumir no mapa. Não quero saber de mais nada.

Falei com convicção, eu mesma precisava me prender a essas palavra. Era de dinheiro e liberdade que eu precisava.

Deixei o silêncio se acomodar entre nós novamente, e assim se seguiu até que chegamos no reino de D, Arcos.

***

Fui deixada a uma determinada distância de uma embarcação gigantesca. O homem disse que não precisaria me levar, nem me apresentar. Disse que tinha outros compromissos e assim que me afastei da embarcação que me levou até ali, os remos trabalhando silenciosos, não era possível ver quem o fazia se mover sob as águas, a mesma se afastava lentamente.

Andei até lá e algo me dizia que eu conhecia aquelas pessoas, ou parte delas pelo menos.

Ao chegar, comprovei, infelizmente, que estava certa.

- Diana!

Eu tinha que adivinhar que pessoas estavam ali, será que sabiam que seria eu?

- Não acredito, viva ainda

O casal que me cumprimentou tão calorosamente era Fill e Ida, os irmãos gêmeos que fizeram parte da equipe que salvaria a vida do rei, a mesma na qual eu me ferrei totalmente.

Andei a passos largos, apressados, seus sorrisos se ampliaram.

- Está mesmo com saudade, garota! - Fill falou, mas meu passo não cessou, não diminuiu.

Ida entendeu minha intenção antes do irmão e deu um passo para trás, mas de toda forma já era tarde demais.

Acertei um gancho de direita na mandíbula de Fill, antes que ele caísse para trás, o segurei pelo cabelo e acertei sua testa na madeira lateral do barco. Ida já estava correndo, mas a raiva era tanta que alimentei meus músculos destreinados com ela, e a alcancei.

Puxei pela gola do casaco e ela caiu no chão, sentei na sua barriga e a esbofeteei várias vezes. Ela tentou me acertar, mas não senti seus golpes tamanha era minha fúria. Pessoas se juntaram ao nosso redor e me agarraram, me puxaram, encerrando meu acerto de contas.

Ouvi uma voz dizer:

- Calma, gatinha! Calma, está tudo bem agora.

Não podia ser, estaria ouvindo coisas ou estaria realmente ouvindo sua voz.

- Adam!

***

Arya

O ritual estava prestes a acontecer, e eu fui me preparar para ele. As vestes ornamentadas eram exclusivas das guardiãs, por isso eu seria notada a partir do momento que colocasse os pés para fora do templo. Quando deixei o templo, vi Adam observando a movimentação do povo em torno do local já preparado. Seu olhar estava distante, não sei o motivo, mas algo apertou em meu peito. Fui até ele, e o rapaz me elogiou de uma maneira que fiquei envergonhada, não era comum receber elogios, muito menos vindo de homens.

Ele pareceu interessado nos processos do ritual, respondi todos seus questionamentos. Era bom ter alguém interessado, e para quem ensinar estas coisas.

Notei que imediatamente ele pareceu inquieto, desviou o olhar, coçou a cabeça e eu não entendi o motivo de sua inquietação.

- Arya, antes do ritual, você precisa fazer alguma coisa? preparar a pedra ou o local da cerimônia?

Sua pergunta podia ser só mais uma entre as outras que ele havia feito, mas seu comportamento estava estranho agora.

- Não, já está tudo pronto. Os guardas trarão a pedra em breve. - Respondi.

- Os guardas trarão a pedra?

- Sim, por quê? - Estava ficando confusa.

- Por nada, só curiosidade. - Respondeu e me lançou aquele sorriso estranho.

Ele estaria nervoso por nunca ter participado de um ritual como esse?

- Fique tranquilo, Adam, não é um tipo de ritual sacrificial ou algo assim.

Seu sorriso vigilante ampliou.

- Que bom, melhor assim.

Os sinos começam a tocar, a população se anima. Todos começa a dançar e bater Palmas, mesmo sem música tocando. Olho para o templo e vejo dois guardas trazendo a relíquia. Suas lanças apoiadas em seu ombro livre, enquanto o outro braço segurava a alça do suporte.

Vi Adam dar um passo vacilante, mas parou, olhando para mim. Sorri o encorajando e ele caminhou até os guardas que com minha autorização silenciosa, entregaram a pedra a ele. Mas os guardas não se faltaram, o seguiram enquanto caminhava.

O vi olhar para os guardas atrás dele, depois seus olhos percorreram todo o lugar e percebi que ele não sabia para onde ir. Indiquei com a mão o lugar aí centro, quando seus olhos pararam nos meus. Novamente o vi vacilar, parecia em dúvida. Estaria com medo de acontecer algo a ele?

- Está tudo bem. - murmurei calmamente para que ele lesse em meus lábios e apontei para o pequeno altar preparado para receber a pedra.

Então Adam olhou ao seu redor novamente e finalmente caminhou até o altar colocando a pedra sobre ele. Os guardas se posicionaram um de cada lado do altar, meu amigo fez um cumprimento engraçado e voltou em minha direção. A mão atrás da cabeça, como se estivessem envergonhado, me fizeram sorrir, embora não soubesse o porquê.

- Sabia que você teve uma grande honra?

Falei, o sorriso se expandindo .

- É sério? - Ele ainda tinha aquela expressão engraçada no rosto.

- É sim, agora vamos que já está na hora.

Segurei sua mão e o arrastei de volta para o centro. Já havia muitas pessoas em torno da pedra, o círculo já estava grande o bastante para que começassemos a cerimônia. A lua estava alta o bastante, então, quando apagaram as tochas e lamparinas, uma luz pálida banhou o lugar. Toda a praça ganhou um iluminação azulada pálida, e, a medida que a visão de todos se acostumaram com a nova iluminação, foi possível observar tudo perfeitamente. E era lindo, muito lindo, lindo mesmo.

Começamos o cântico, era animado e dançante. As crianças que participavam pareciam se divertir bastante. Senti algo em meu ombro e notei que Adam havia apoiado a mão sobre meu ombro. Senti-me corar, mas eu precisava me concentrar.

Voltei a atenção para frente e continuei o cântico enquanto dançamos em círculo. O ritmo de animado, tornou-se mais lamurioso. Era nosso pedido ao deus Arcos: como viveríamos sem sua benção e sua misericórdia?

Talvez não parecesse tanto tempo para nós que passamos todo o ano esperando por este dia, mas foram duas horas de canções e danças. Eram todas passadas se geração em geração. Algumas animadas e outras nem tanto .

Finalmente chegou o ponto alto. Retirei a relíquia de dentro de seu suporte, e me mantive no meio do grande círculo, não mais o compondo junto com os outros aldeões. A ergui para o alto e entoei o último cântico. As pessoas ergueram suas velas apagadas, repetindo minhas palavras, e ao fim delas, um clarão rasgou o céu, um turbilhão dourado envolveu a todos nós. As velas que estavam apagadas acenderam com o poder emanado e eu senti o poder em meu corpo ser revigorado.

                         

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