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Capítulo 2 Chapter 1

Meses antes

- Parabéns pra você... – Sorrio ainda de olhos fechados, despertando aos poucos – nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida – Abro meus olhos, mantendo o sorriso, ao ver minha então melhor amiga, Bianca, diante da cama de casal de seu quarto, segurando um bolinho de chocolate com uma única vela acesa – Tem que fazer um pedido – diz se inclinando na minha direção, quando sento.

Encaro a vela diante de mim sem saber o quê pedir. Tinha tudo que uma garota da minha idade gostaria de ter. Não havia nada que não tivesse ainda, a não ser...

Alguém para amar.

Beijar a maioria das bocas de uma balada, havia deixado de me satisfazer, acabando por deixar um vazio dentro de mim.

Assopro a pequena vela ciente do meu pedido, não me importando com a classe social do indivíduo ou a cor de sua pele. Sendo recíproco, era o quê importava.

- Achei que não fosse levantar tão cedo – comento erguendo os olhos para Bianca. Uma loira de 1,60 de altura, corpo magro definido e que adorava uma praia para se bronzear.

Um contraste bem diferente de mim, composto por um corpo mais avantajado e cheio de curvas. Isto graças à minha descendência africana.

- Não podia perder a chance de acordar você – Ela caminha até a penteadeira rosa do outro lado do quarto, penteando os cabelos longos – Não se preocupa. Não tem açúcar – diz me olhando pelo espelho, ao notar que encarava o bolinho em minha mão.

Desde que me entendo por gente precisei aprender a lidar com aquela doença, isto depois de quase ter morrido duas vezes, por esquecer completamente de tomar a insulina.

Deixo o bolinho de lado, pegando minha bolsa num canto do quarto. Tirando de lá uma pequena bolsa térmica com insulina.

Com uma seringa, tiro um pouco do líquido do recipiente de vidro, fechando por último a bolsa térmica.

- Não sei como consegue fazer isso – Bianca comenta – Nem ferrando que iria conseguir. Tenho pavor de agulha.

No começo, também tinha. Era um escândalo para conseguir tomar a dose de insulina antes do café da manhã, porém com o tempo fui me acostumando e hoje quase não sinto mais a "picadinha".

Depois de feito isto, posso realmente começar meu dia, primeiramente me preparando para um banho, para só então, poder tomar meu café da manhã.

Saio do quarto caminhando em direção da mesa de oito cadeiras, dividindo espaço com a sala de estar.

A mãe da Bianca, Cláudia, era viciada em decoração. Toda vez que mudava a estação, ela fazia questão de mudar objetos e tudo que vinhesse no pacote.

Ela conseguia levar mais do que a sério, seu trabalho de decoradora de ambientes.

- Marcela – diz quando me aproximo, parando uma xícara perto da boca, cujos lábios estavam pintados com um batom roxo – Não sabia que estava aqui. Quer dizer, nunca sei quando você está – diz olhando para Bianca do seu lado.

- A gente foi numa balada ontem – diz Bianca.

- Saímos de lá tarde e não quis ir para casa – completo, sentando na frente de Bianca.

- Quase todos os dias vocês estão em uma festa – Claudia comenta – Não tinham que estar estudando para às provas?

Preciso me conter para não revirar os olhos.

Estávamos no segundo ano da faculdade de Medicina. No primeiro, imaginei que já aprenderia em como salvar vidas de imediato, mas não foi bem assim. Éram tantas leis, decretos e afins, que me estressava e desmotivava.

No segundo ano, as coisas ainda éram meio que parecidas, só que de vez em quando, nos ensinavam alho de útil.

Havia escolhido Medicina por acaso, numa tentativa de fugir da pressão que meus pais estavam colocando sobre mim. E consegui, só que aumentei ainda mais a pressão que eles colocam sobre mim.

- Não têm provas estes dias – Bianca dá de ombros.

- Até que poderiam inventar uma de última hora. Assim, a conta do cartão de crédito, chegaria um pouco menor este mês – Bianca mastiga devagar, mantendo os olhos fixos na mãe.

Há pouco mais de quatro meses, seus pais haviam decidido se separar bruscamente, algo que ate os dias atuais, ainda não consegui entender.

O pai da Bianca, Mauro, sempre se mostrou um homem bom. Não era muito de conversar, considerava ele mais... observador. Diferente de Cláudia, que onde chegava gostava de ser o centro das atenções, sempre ressaltando o trabalho magnífico que fazia.

Mas atrás disso tudo, tinha certeza de que havia algum segredo. E havia sido este segredo, que fez Mauro se separar e pagar uma pensão gorda para Bianca, que tinha o prazer de gastar cada centavo em baladas, extravagando a raiva que sentia do pai.

Cláudia respira fundo, quando um clima pesado se instala, quebrando o silêncio.

- Vão sair hoje? – Bianca e eu nos entreolhamos. Ainda não havíamos pensado em onde ir, apesar de ser meu aniversário.

Bianca solta o ar dos pulmões.

- Vamos.

Cláudia assenti em contra gosto.

- Tomem cuidado.

- A gente sobre toma – Ergo uma sobrancelha, encarando Bianca. A gente? Não era eu que sempre dava PT e precisava ser praticamente levada para fora da balada. Sempre chorosa e querendo ligar para o ex, que nem atendia as ligações que fazia.

Tomo meu café da manhã, escolhendo a dedo tudo que comeria, graças à mesa farta com quase todo tipo de fruta. Precisando evitar sempre, o consumo exagerado de açúcar nos alimentos.

Minutos mais tarde, deito de barriga para cima na cama redonda e acolchoada de Bianca, encarando o teto do quarto.

- Já sabe aonde a gente vai? – Bianca pergunta, deitando do meu lado.

- Pensei que soubesse – Viro a cabeça para olhar para ela.

- E eu pensei que tivesse uma ideia de onde queria ir no seu aniversário – Ela ri baixo.

A verdade era que não havia parado para pensar nisso. Minha vida era uma festa, sempre estava em uma. Então, para o dia do meu aniversário, não pensei em nada extravagante.

Bianca começa a mexer no seu lugar, um Iphone, o último lançamento. Volto a encarar o teto do quarto, me permitindo não pensar em nada por alguns segundos.

- Já sei aonde a gente vai – diz de repente, virando o celular na minha direção. Tem uma fotografia com alguns paredões e um amontoado de pessoas – Baile funk.

- Baile funk? – repito. Até aquele momento de nossas vidas, ainda não tínhamos ido em um baile funk. Já havia ouvido falar, sobre o fluxo constante de drogas e as músicas com palavras pesadas. Mas nunca havia ido, não tinha um motivo ainda aparente – Tem certeza? A gente pode ir a outro lugar. Deve ter alguma casa de show que irá ter uma banda ao vivo – Não me soava uma boa ideia, ir para uma favela, sem nunca termos ido.

- Ah, qual é, Marcela. Não veio problemas em a gente ir. A gente nunca foi – Ela tenta argumentar.

- É. A gente nunca foi e não sabemos bem como chegar lá.

- Pra quê existe GPS? – Como sempre, Bianca estava muito determinada em ir, levando para as cucuias minha sensatez – É bora ou vamos? – Ela sorri, mostrando os dentes brancos enfileirados.

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