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Meu CEO
img img Meu CEO img Capítulo 3 Desafio
3 Capítulo
Capítulo 6 Raiva e carinho img
Capítulo 7 Real indentidade img
Capítulo 8 Sem pressa img
Capítulo 9 Quero que seja diferente img
Capítulo 10 Farei tudo img
Capítulo 11 Estou grávida img
Capítulo 12 O que deu em mim img
Capítulo 13 Me sinto protegida img
Capítulo 14 Fruto da minha imaginação img
Capítulo 15 Ofegante img
Capítulo 16 Um ano depois img
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Capítulo 3 Desafio

Assim que acordo, lembro-me do celular e, como um tolo,

verifico se tem mais alguma mensagem da mulher misteriosa. Não

tem nenhuma. É decepcionante, e me irrito comigo mesmo por

pensar assim.

Resolvo cuidar de tudo para começar o trabalho. Tomo banho,

coloco um terno cinza e arrumo os cabelos em frente ao espelho.

Meu pai sempre se orgulhou de ser pioneiro no ramo de

proteção de dados. Era um leigo no assunto, mas um mestre em

administrar.

Com o crescimento da internet, também cresceram novas

oportunidades de roubar. É por isso que a TEC Corporation se

especializou nessa área e hoje trabalha com diversas empresas,

bancos e pessoas que fazem parte desse meio digital.

Depois de pegar os papéis que trouxe ontem para casa, enfio-

me no elevador, que desce até o estacionamento. Meu motorista já

está à minha espera. Quando entro no carro, resolvo dar atenção

aos documentos. Ontem não consegui resolver nada, pois só

pensava na estranha, mas hoje resolvi esquecê-la e focar em

trabalhar.

Chego rápido à sede de Nova York, já que estava me

mantendo ocupado, lendo os diversos formulários e novos contratos.

Saio do veículo e paro antes de passar pela porta da frente.

Apesar de poder entrar pelo subterrâneo, gosto de chegar por aqui

para passar pela recepção e conferir as coisas. Contudo, meu

objetivo de hoje é encontrar uma pessoa específica, mesmo sabendo

que é tolice.

Assim que noto quão ridículo é o que estou fazendo, passo

pela porta giratória e vou direto ao meu escritório. É claro que o

passarinho irritante não faz parte do meu quadro de funcionários.

- Bom dia, senhor Novack! - minha secretária me

cumprimentou com um belo sorriso no rosto.

Talvez seu nome seja Mia. Ela sempre me deseja um bom dia,

mas nunca lhe retribuo.

- Bom dia, senhorita! - Passo por ela, lendo o papel que

está em minhas mãos. - Você poderia me trazer um café, por favor?

- Coloco minhas coisas sobre a mesa.

- Claro, senhor. - Dá um sorriso assustado que me faz

franzir o cenho. - Aqui estão os papéis para a análise. - avisou-me

antes de sair.

"Ótimo!" Mais papéis!

Alguma força maior que toma o meu corpo me faz pegar o

celular do bolso. Eu tentei, a todo custo, tirar todo o glitter dele na

noite passada.

Busco as mensagens de ontem.

"Ser simpático não faz o meu tipo. As pessoas me olham como se

eu fosse um estranho."

A falta de resposta me irrita e me faz guardar o aparelho

novamente. Concentro-me somente nos papéis agora.

"É isso que dá ser mal-educado com todo mundo. Se

continuar assim, bundão, pode ser o chefe do ano."

Apesar da demora, ela finalmente respondeu, e, como um

idiota, olho a mensagem no mesmo instante.

"Senhor bundão". Estou começando a me acostumar com

esse apelido. Não somos amigos, tampouco quero que sejamos,

apesar de estar curioso para saber quem ela é.

"O que a senhorita Birdpink está fazendo agora?"

Ela me manda uma foto e eu vejo que está no metrô. Não me

enviou uma dela, e sim de uma senhora dormindo, sentada no banco

da frente.

"A senhora parece simpática, mas quero uma foto sua."

"Está ficando obsessivo com esse assunto. Não terá uma foto

minha. Contente-se com a senhora simpática!"

Ela tem razão: estou começando a insistir demais nessa

questão. Deveria me concentrar no trabalho. Entretanto, agora, que

estamos conversando de novo, é difícil apenas ignorá-la.

"Tem razão. Vou começar a ignorá-la, passarinho."

"Não seria o primeiro. Então, tudo bem."

"Claramente, não vou fazer isso até que me mostre algo com o

qual eu me contente."

Surpreendentemente, minha tela é invadida por uma foto do

seu dedo do meio. É pouco, mas consigo ver que sua pele é pálida,

com uma tatuagem, e que sua unha está pintada de azul,

combinando com sua cor. Isso me agrada.

"Gostei da tatuagem. É muito sexy. Gostaria de saber se outras

partes do seu corpo também são."

"Vai ficar só com a mão, senhor bundão."

"Você é a mulher mais difícil que conheço. Geralmente, não

preciso fazer nada para que as mulheres tirem as calcinhas."

"Isso, na verdade, é uma honra. Eu nunca faria tal coisa com

um pervertido como você."

"Só está dizendo isso porque está longe, e não na minha frente.

Acredite: eu lhe agradaria muito, passarinho. Tanto que desejaria

repetir."

"Nunca vai acontecer."

"Agora é você que está me subestimando. Tome cuidado ao me

provocar!"

"Vai ter que ficar com a ideia de que nunca vai me encontrar,

de que jamais vou ser uma das idiotas que ficam no seu pé e de que

nunca me faria perder cabeça a ponto de ficar com você."

Toda essa provocação está me deixando louco. Ninguém

nunca falou assim comigo antes ou me recusou. Essa mulher pode

ser uma lunática, porém está me motivando a provar o contrário.

"Espero ter a oportunidade de provar o contrário, passarinho."

Emma

Não sei por que mandei mensagens para ele, nem por que

conversamos. É loucura! Ian é meu chefe, um egocêntrico safado.

Talvez seja a falta do que fazer ou a solidão. Só isso para

justificar tudo que está acontecendo.

Devo confessar que ele é engraçado, embora seja irritante. E,

apesar de saber disso, ainda quero receber e responder suas

mensagens.

Não posso negar que senti um pouco de medo e que até

agora sinto. Não fiz nada demais, porém, com a fama de chefe que

ele tem, devo me prevenir e não dar muita pinta, para não correr o

risco de topar com ele e ser reconhecida de alguma forma.

O pior é que assim que virei o quarteirão, eu o vi. Ele estava

lindo, trajando um terno cinza. Sua bunda fica maravilhosa na roupa

mais justa e seus cabelos estavam sendo levados pelo vento,

mesmo não sendo tão longos. O homem é lindo, quase um deus. Se

não fosse tão arrogante...

Fiquei feliz quando o vi entrar no prédio. E, para disfarçar,

esperei alguns minutos do lado de fora.

Quando trabalho, as horas se passam e eu nem percebo.

Gosto muito do que faço e de onde trabalho. Sou a única mulher no

meu setor e uma das melhores no ramo, assim como Victor, que

agora está me pedindo ajuda com o olhar.

Depois de ser um cavalheiro ao ajudar Ágatha e Mia, ele se

tornou o queridinho delas. É sempre bem-educado, um bom ouvinte,

nunca é desrespeitoso com ninguém, e todas o acham fofo.

Só o observo de onde estou. Geralmente, nós nos vemos no

restaurante, na hora do almoço. Só não quando estou com preguiça,

pouca fome, e opto por comer algo na lanchonete da empresa.

Mas hoje, em uma tentativa inútil de fugir dos meus

pensamentos, escolho ir com ele e suas novas amigas para lá. É

estranho estar no mesmo lugar que as secretárias. Elas são

simpáticas e nunca me olharam estranhamente, nem nada, mas

compará-las a mim neste exato momento seria um crime. Enquanto

estou com uma camiseta simples, uma calça jeans surrada e sapatos

de adolescente do segundo grau, elas estão usando um vestido

bonito, saltos altos, e estão com os cabelos bem feitos, além de

maquiagens elegantes. Até parecem madames, pela forma de agir.

- Vocês não sabem como está sendo estranho o meu

trabalho hoje. - Falou Mia. Está empolgada com o que vai contar.

Ela é a secretária de Ian. Portanto, querendo ou não,

infelizmente, fico curiosa para saber a notícia.

- Por quê? - Perguntou Ágatha. - O idiota do seu chefe fez

alguma coisa? Quero dizer... mais alguma coisa?

- Ele está de bom humor. - Comentou surpresa, com um

sorriso nos lábios pintados de vermelho. - Desejou um bom dia

para mim, pediu "por favor" quando quis um café e não estava tão

grosso como sempre. Será que o pai dele morreu?

- Credo, Mia! Talvez ele só esteja revendo como trata os

funcionários ou tenha transado com alguém ontem. - Disse Ágatha,

fazendo-me engasgar com o suco que bebia.

Todas olham para mim, e Victor ri da minha cara. Nenhum

deles sabe realmente o que aconteceu.

- Seria alguma namorada? - Questionou Mia, pensativa.

- Não mesmo. - Respondi sem pensar, vendo-as lançar

um olhar estranho para mim novamente. - Vocês mesmas dizem

que o homem é um arrogante. Como arranjaria uma namorada que o

suportasse? - Argumentei após minha gafe.

- Pode até ter razão, Emma. Mas, já viu o homem? -

Perguntou o óbvio. - Ele é lindo de morrer e tem muito dinheiro.

Aposto que seu telefone está repleto de número de mulheres.

Ontem, por exemplo, uma delas foi ao seu escritório. Estava tão

irritada que nem esperou que eu anunciasse sua chegada. - A

mulher do telefone, talvez?

- Então, essa está descartada como candidata. - Ironizou

Ágatha.

- Ele ficou chateado e nem sabia do que ela estava falando.

- Mia continua pensativa.

Eu poderia deixar essa passar, mas meus dedos e a burrice

da minha cabeça falam mais alto. Pego o meu celular e digito uma

mensagem para ele, antes de sair do restaurante.

"Deve ter sido divertido lidar com a loira oxigenada ontem."

Surpreendendo-me, Ian responde rápido, como se já

esperasse pela minha mensagem.

"Então, foi você mesmo. Saiba que ela ainda está me irritando.

Por que disse que é minha namorada? Todos sabem que não

namoro."

"Foi exatamente por isso que eu disse. Gostaria de ter visto as

caras dos dois."

"Não foi nada engraçado ter que aturar as bobagens dela quando

me procurou."

Não sei se está irritado ou simplesmente comentando o fato.

"Quem sabe, na próxima, eu esteja por perto para ver como

vai reagir à outra mulher irritada por alguma coisa que eu tenha dito

sobre você?"

"Um momento..."

Os três pontinhos no final de sua mensagem me irritaram, pois

o restante está demorando uma eternidade para chegar.

"Como sabe que ela esteve ontem no meu escritório? Está me

espionando, comprando informações ou...? "

Só agora reflito sobre o que fiz. Antes Ian achava que eu era

uma estranha da rua, mas agora sabe que estou mais próxima dele

do que imaginava. Fico puta comigo mesma e desejo me bater.

"Acho que falei demais."

Desejo apagar as mensagens, achando que assim ele se

esquecerá, porém o estrago já foi feito.

"Você trabalha para mim, não é, passarinho?"

"Você ainda não sabe quem sou, então espero que isso não

me traga problemas, bundão. Além do mais, não estou cometendo

um crime, não é?"

"Se sou seu chefe, não admito que fale comigo dessa forma e

exijo vê-la agora."

Já fiz muita merda na vida e gosto de achar que sou

inteligente, só que isso foi demais. Agora estou quase ferrada.

Tomara que ele não me procure na empresa só para me demitir.

"Acho que está convencido demais, Ian. Não pode me exigir

isso. Apesar de ser meu chefe, não sabe quem sou, e não vou dar a

você a oportunidade de me demitir."

"Não quero demitir você, só saber, finalmente, qual é o rosto da

mulher que está me deixando louco."

"Eu estou te deixando louco? Não me conte piadas! É você

quem está se importando muito com esse mistério. Além do mais,

não vou acreditar que não me demitirá, já que até o momento o que

sei sobre você é que não se permite ser desafiado por um

funcionário. O que quer dizer que não vou dizê-lo quem sou,

bundão."

O momento de silêncio só me deixa ainda mais nervosa. Não

gosto de situações como essa, onde estou sendo pressionada, mas

admito que a culpa é minha.

"Tudo bem, passarinho. Mas saiba que vou descobrir quem é,

querendo ou não, e provarei que sou de confiança, que não vou

demiti-la."

"Boa sorte, então! Não sou fácil de ser achada. E, mesmo se

estiver no mesmo lugar que eu, nunca imaginará quem sou."

"É um desafio?"

"Não, Ian. Não é um desafio. Agora, deixe-me voltar ao

trabalho!"

Guardo o celular no bolso e retorno ao prédio sozinha. Não

quero que, de alguma forma, ele tenha tempo de me achar. Antes de

passar pela recepção, vejo-o encostado na parede de mármore,

olhando para todas as pessoas que passam pelo hall.

Filho da mãe!

Respiro fundo, enfio-me no meio de um grupo de funcionários

que trabalha nos escritórios do andar de cima e tento, a todo custo,

não o olhar. Sinto um frio na barriga incomum quando passo ao seu

lado, mas, como já sei, ele nunca olhará para mim. Nem me nota

quando passo.

Lá no fundo tenho dois sentimentos conflitantes, e um deles é

bem idiota. Queria ser o tipo de mulher que ele notasse. Mas isso

nunca vai acontecer.

Vou direto para o meu setor. Talvez possamos conversar

quando ele me mandar mais mensagens, pois eu não tomarei mais

essa iniciativa. Não quero mais brincar de provocar o chefe. Se, por

algum azar, Ian me achasse, tenho total certeza de que me demitiria.

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