Ethan avisou que o quarto de hóspede estava livre e era mobilhado, então não precisou levar os móveis consigo, sabia que se precisasse de algo, os pais prontamente lhe dariam. Olhou o rapaz já lhe esperando dentro do carro, para sua sorte um amigo da sua antiga escola, estava indo no mesmo dia que ela para Atlanta.
Thomas era um amor de pessoa, era um amigo de longa data, para sua sorte iam ficar na mesma faculdade, mas não era o mesmo curso, ele era um físico orgulhoso. Ela ficou feliz de dividir o carro com um homem inteligente, vamos ressaltar a beleza nada simples dele.
Ela correu até os pais e o irmão que estava na calçada, cada abraço que dera lhe causou um sofrimento diferente, os pais fariam uma falta terrível, e o irmão quem iria pegar no seu pé? Ela controlou as lágrimas, mas ainda sim, algumas fugiram pelos cantos dos olhos.
- Se o Ethan fizer alguma gracinha, me liga que eu vou lá, bater nele.
Richard falou choroso, Peter riu baixinho vendo o drama do patriarca, Emma sorriu tristonha para os pais, ela se perguntou por um momento, se não confiava nele, porque mandá-la para a casa dele, mas ela nuca foi de questionar seus pais.
- Não fale do seu filho como se ele fosse um animal, Richard.
Marie corrigiu o marido, aquela era maneira de um pai falar do próprio filho? A mulher de madeixas negras, abraçou a filha mais uma vez, apertando com toda a força, temendo que agora ela se esqueceria da família, como o Ethan havia feito, novamente as lágrimas surgiram, molhando a blusa da jovem Salt.
- Eu vou visitá-los sempre que puder. Juro que vou tentar trazer o Ethan junto.
Emma falou dando uma piscadela, ela levou os dedos indicadores sobre a boca cruzando, mostrando a eles que era uma promessa, mas eles sabiam que não seria tão fácil como ela fazia parecer.
Marie sorriu esperançosa, Emma por mais que não fosse sua filha de sangue, a considerava como tal, sorte dela por ter mais uma filha tão maravilhosa como ela, novamente ela quis chorar.
Emma abraçou todos novamente, dando um beijo em cada um. Ela correu em direção ao carro do amigo, dando tchau para eles.
Quando entrou no carro sentiu um misto de tristeza e alegria, estava feliz por começar sua vida, mas triste por ter que deixá-los ali, ainda tinha o fato de dividir a casa com Ethan. Na verdade isso a deixava mais com medo do que triste.
As histórias sobre Ethan ser raivoso não eram mentira, havia visto na sua infância e adolescência que ele era muito brigão e irritado, mas agora depois de três anos, como ele deveria estar? Além de bonito claro, ela sorriu em seus devaneios, talvez estivesse fazendo papel de boba pensando que a convivência com o irmão seria ruim, ele não podia ser tão ruim? Estava apenas se baseando opiniões de outros para formar a sua.
Emma suspirou vendo a longa estrada à sua frente, por mais que as conversas com Thomas fossem interessantes, ela não conseguia manter o foco no que ele falava, ela começava a sentir paranoica e ansiosa. A verdade era que morar com Ethan a assustava profundamente, mesmo não entendo o porque, ela se acomodou no banco olhando para o amigo, ele sorria enquanto falava algo que parecia distante dela ouvir de fato, quando ele a olhou rapidamente esperando uma resposta, ela sorriu para ele, admirando a beleza dele.
- Você acha que é uma boa ideia morar com seu irmão, tipo faz anos que vocês não veem ele?
Emma suspirou, os pais dela confiavam em Ethan, ela só podia fazer o mesmo por enquanto, até arranjar um emprego para se sustentar não tinha outra opção.
- Com quantos anos ele saiu de casa mesmo?
Emma pensou um pouco, aquilo fazia tanto tempo, sabia como a mãe dela ficava sobre aquele assunto, por isso, não ousava comentar na frente dela. Pobre dona Marie que se culpava pelas irresponsabilidades do filho.
- Faltavam alguns dias para ele fazer quinze anos quando saiu de casa.
Ethan a evitava constantemente naquela época, então não poderia dizer com clareza o motivo dele fugir na calada da noite, mas sabia que um dos motivos era ele ser novamente mandado para o internato fora do país. Mas ela sabia que o motivo ia além disso.
- Quem foge de uma família rica?
Thomas falou rindo, Emma apenas assentiu, talvez ela deveria descobrir o que motivou ele a fugir da sua família? porque não via motivo lógico para isso, afinal, tanto Marie quanto Richard eram excelentes pais.
- Você conviveu com ele, muito pouco né?
Emma assentiu, sabia porque ele fazia tantas perguntas, Ethan era o principal assunto da cidadezinha deles, sempre fora, eles sempre se metia em brigas com garotos mais velhos e sempre vencia por incrível que pareça, ele era simplesmente incrível nisso.
- O suficiente para ele não me assustar, ele não é bem como todo mundo pensa!
Emma falou rindo, mas ela sabia que estava mentindo, porque estava assustada pra caralho ali, mas não porque ele era um delinquente como ouvi por aí ou até mesmo dos seus pais, mas sim porque não tinha ideia de como estaria agora, de como ele trataria, uma irmã ou uma completa desconhecida.
Mas no fundo ela sabia que Ethan não a via como irmã, o que deixava a ligeira pergunta, como ele a via então?
Mas Emma deixou os tantos questionamentos de lado, quando se tratava de Ethan, tudo se tornava uma incógnita, mas no fim só restava uma certeza: ele era seu irmão e nada mudaria isso.
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Quando chegou a Atlanta a noite surgia lentamente, com isso os vários tons de luzes se misturavam com o céu escurecido, a mistura lenta e predominante que fazia as estrelas do céu ficarem quase invisíveis. Ela encarou a janela admirada, as luzes eram como borrões no vidro do carro, a mistura incompreensível de tantos tons, ela sorriu em euforia, tentando controlar o próprio coração fraco e frenético, uma onda de energia consumiu seu corpo, a garota quis pular e gritar, mas conteve-se em apenas bater palmas animadamente.
- Parece que o endereço do seu irmão é mais perto.
Emma suspirou, tentando acalmar a euforia momentânea, até porque agora seria a parte mais difícil, Ethan a esperava, sabia que sim, mas ainda assim, seu irmão lhe trataria bem? Ao menos esperava que ele não se comportasse como antigamente, ele era quase monossilábico quando falava com ela.
Os dois ficaram quase que admirados vendo o bairro em que a casa do Salt mais velho estava, um lugar com amplo espaço, o que era difícil ali, além de custar caro demais. Então ele realmente havia arranjado um bom emprego? Como havia dito, ela sorriu em alívio, sua mãe ficaria orgulhosa dele.
Seu coração salto em descompasso frenético, quando o carro parou no endereço de marcado no GPS, ela respirou fundo prendendo o ar em seus pulmões enquanto levava os dedos finos para a maçaneta, ela expirou o ar quando bateu a porta do carro, Emma se arrastou receosa em direção a calçada. Thomas se aproximou dela, tocando seu braço, os dedos dele fizeram um carinho singelo. Ele sorriu para ela, vendo-a relaxar levemente, aproveitou que ela estava mais calma, seguiu para trás do carro abrindo o porta malas, tirando de lá os pertences dela.
Quando terminou, as caixas e malas estavam perto da porta evitando o sereno da noite, Emma seguiu Thomas até perto do carro, onde eles se abraçaram brevemente.
- Qualquer coisa me liga, você parece apreensiva demais.
Ela sorriu agradecida, sabia que não era necessário, era apenas seu irmão ali. Sua linha de raciocínio foi atrapalhada, quando Thomas segurou em seus braços com um pouco mais de força, sem machucá-la, ela arregalou os olhos ao notar o que ele fazia, os lábios dele se aproximavam devagar, quando deu por si, ela abria levemente os lábios esperando um beijo do belo rapaz.
as línguas se moviam tímidas e lentas, dando uma calmaria ao beijo diferente, ela corou ao sentir os dentes dele prender o lábio e puxar lentamente para cima, ela encarou sem reação os olhos castanhos dele, quando ele se afastou o sorriso estampava seu rosto.
- Eu preciso ir... a gente podia sair no sábado né!
Ele falou sorrindo para a garota corada a sua frente, ela concordou com a cabeça sorrindo bobamente para ele, que achou adorável. Ele deu um leve sorriso, deixou um selinho nos lábios dela antes de se afastar, entrando no carro.