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DO CONVENTO AO MORRO
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Capítulo 2 1

- Luara Cavalcanti -

Meu nome é Luara Cavalcanti, até os meus 6 anos de idade, meus pais me chamavam de Lua, mas depois da morte deles, meu mundo acabou. Com eles eu tinha liberdade, amigos e uma vida inteira repleta de felicidades e sonhos.

Completei 18 anos há um dia atrás. Vivi 12 anos em um Convento, me preparando pra ser uma Freira bem religiosa da forma como a minha tia sempre sonhou pro meu futuro, ela dizia que foi o último pedido da minha mãe, eu desconfio, mas tenho que acreditar. Titia sempre disse que era pro meu bem e que em breve eu saberei o motivo dela ter me colocado no Convento, mas diz que me poupa de muita coisa e acredito muito no que minha tia Helga diz, além do mais, ela é minha única família, a única que me protegeu todo esse tempo. Eu devo tudo à ela.

No Convento, eu não tenho muitas amizades, as Freiras que têm aqui não deixa nenhuma menina ficar próxima uma da outra, no máximo, aos finais de semana, elas liberam o jardim do terreno para que possamos respirar o ar livre e nos comunicar com outras pessoas. Toda segunda, quarta e terça, rezamos 4 vezes o terço, isso une um pouco mais as meninas do Convento; Aqui, não podemos ficar sem usar o nosso vestido, ele é todo preto, tem uma manta sobre a cabeça, cobre todo o braço e toda a perna, eu não entendo o motivo de ter que usar sempre, mas as Irmãs dizem que se não vestir algo que cubra nosso corpo, seremos pecadoras. Na hora de dormir, minha tia Helga comprou um casaco e uma calça pra eu vestir, simples, grande e confortável, da forma como eu gosto.

Eu sempre quis conhecer o mundo lá fora, e sempre que eu expresso isso a alguém, me advertem. Dizem que o mundo é cercado de coisas ruins, de pessoas ruins e que devemos sempre nos prevenir, ficar na Igreja ou dentro de casa, que é o que as mulheres boas e puras fazem, mas eu sempre quis conhecer. Nesses 12 anos eu nunca coloquei o pé pro lado de fora do Convento, titia diz que fica em uma área rural do Rio de Janeiro, longe de toda turbulência urbana e que conhecer o mundo não será meu caminho, quando eu sair daqui, ela disse que eu iria viver de casa para Igreja, que o tempo de estudar acabou e que está na hora de eu ir pra a Igreja e ser a "serva do Senhor". Eu nunca entendi o motivo de toda essa proteção, será mesmo que o mundo é tão pecador assim para que minha tia queira me manter só em casa e na Igreja? Será que as pessoass são tão ruins assim?

Saio dos meus pensamentos ao ouvir a Irmã Luzia me chamando:

- Menina, venha aqui. Sua tia acabou de chegar, vá conhecer sua casa! Que o Senhor Jesus ilumine sua vida e te proteja de todo mal! – Disse ela dando um beijo materno na minha testa. A Irmã Luzia é como uma segunda mãe, ela sempre fez quase tudo que eu queria. Levava a comida ao meu quarto e tirava alimentos da cozinha no meio da madrugada quando eu a acordava com fome, sorrio com os pensamentos, irei sentir muita a sua falta.

- Já tô indo! – Respondo recolhendo minha mochila já que eu não tinha muitas roupas para colocar em uma mala. Ao sair pela porta do meu quarto, vejo a Irmã Luzia com lágrima nos olhos. Corro até ela e me jogo em seus braços num abraço apertado, choro tristemente em ter que deixá-la. – Irei sentir muito sua falta, minha segunda mãe! Nunca se esqueça disso, você estará marcada pra sempre no meu coração! – Ela chora ainda mais e eu dou um beijo estalado em sua testa.

- Fica com Deus, minha querida. Venha me visitar! Sentirei sua falta! - Ela responde e eu aceno saindo pelas grades do Convento, indo em direção ao táxi que minha tia pegou pra vir me buscar.

- Que demora, Luara! Na próxima vez em que eu te chamar, trate de vir o mais rápido possível! – Titia diz entrando no carro e me chamando pra sentar ao seu lado na parte de trás, apenas concordo e entro desajeitadamente, ficando encolhida num canto.

Minha tia sempre foi assim, meio séria demais e afastada de todo mundo, tenho muito medo dela, nunca houve demonstração de carinho e afeto da sua parte, sinto muito a falta dos meus pais. O carro dá a partida e eu olho pela janela, parece que estamos em um local bem distante, já que demoramos cerca de 40 minutos num local rural e com poucas pessoas. Ao chegar na cidade, olho atentamente cada detalhe com os olhos brilhando, é de manhã e o sol brilha despertando uma vontade imensa de uma praia, uma piscina... Mas eu só fico na vontade mesmo, já que além de nunca ter ido, sou proibida.

Passo por uns locais com grandes prédios bem arquitetados, postes com fios elétricos, casas, vários centros comerciais e muitas pessoas com a parte do corpo descobertos, segundo o Convento, são todos pecadores, mas parecem estar tão felizes. Eu lembro que quando era pequena usava roupas curtas igual aos meus pais e nunca foi pecado, éramos felizes, mas nunca comentei nada com ninguém, até porque, eu seria castigada como já fui diversas vezes. Sim, apesar de não saber quase nada de nada, eu sempre fui uma garota um pouco rebelde, com uma personalidade bem forte, as irmãs ficavam loucas comigo.

Passamos pela orla da praia, mulheres com uma tipo de short jeans curto e blusas com alças finas mostrando seus braços e suas pernas, homens com shorts e camisas de pouca manga... Não vejo problemas, mas segundo o convento, está faltando pano ali, lá tinha pessoas correndo com seus cachorros, e do outro lado, a praia. Eu nunca vi a praia tão de perto, é tão mágico, tão lindo! Dou uma risada animada. Será que titia deixaria eu ir lá pra sentir a sensação da areia nos meus pés? Ou então será que ela vai deixar eu entrar na água salgada? Com um largo sorriso, observo tudo atentamente. Pessoas usando um sutiã e calcinha na praia, pessoas usando roupas íntimas! Abro a boca pelo espanto e cutuco minha tia.

- Por que eles estão usando poucas roupas assim? É normal isso? – Aponto para as pessoas e olho para minha tia.

- Não, não é normal! Isso é pecado! Deus castiga. – Ela me olha com desprezo e retruca.

Permaneço observando tudo, realmente, a paisagem é muito bonita, pessoas alegres conversando uma com a outra, só não entendi a parte de homens e mulheres andando de mãos dadas, homens com homens, mulheres com mulheres...

Lá no Convento, não podíamos tocar em ninguém, e eu só toquei na Irmã Luzia porque já possuímos um alto grau de intimidade. Não perguntarei titia para ela não ficar ainda mais irritada comigo. Ouço a voz dela um tempo depois dizendo que chegamos, olho novamente em volta e reparo que chegamos em uma casa simples, porém bonita, com muros baixos, um portão de ferro, a casa é branca e tem uma Cruz em cima da porta, o local é um pouco deserto, não tem muitas pessoas e a casa fica uns 50m longe uma da outra. Solto um suspiro, essa será minha nova casa, terei que me acostumar.

Pego minha pequena mochila e adentro na casa de minha tia, observo em volta e a casa é ainda mais simples na parte de dentro, porém, bem grande. Tem um sofá de couro preto, uma mesa de centro simples e os móveis são todos de madeira antiga, a casa aparenta ser um pouco antiga e assombrada, observo tudo atentamente e olho pra um corredor com 3 portas tentando decifrar qual será o meu quarto.

***

- Do canto esquerdo, é o meu e o seu quarto. Seu quarto ficará próximo ao meu, e essa porta à frente do meu quarto, é o banheiro. No seu quarto, comprei algumas roupas apropriadas pra você, presente de 18 anos. – Ela dá um sorriso falso, sem mostrar os dentes – Irei para o meu quarto, o almoço será servido pela Lena às 13h da tarde, esteja pronta, logo após você poderá descansar caso eu não precisar da sua ajuda em casa. Agora são 12:25, você tem 35 minutos para se ajeitar e vir almoçar comigo, horário de almoço não será servido depois das 13h, esteja pronta.

Ela sai de perto e vai pro quarto. Observo os cômodos e vou pro lado esquerdo da sala que tem uma porta, abro a mesma e me deparo com uma mulher nova até, bonita porém descuidada, deve ter lá seus 40 e poucos anos, fazendo o almoço. Ela me olha, dá um sorriso e volta a fazer a comida, deve ser a tal Lena e pelo que eu vi, ela não é muito comunicativa.

Saio dali e decido ir ao meu quarto, passo pelo corredor e entro no pequeno cômodo com a cor branca, uma cama de madeira com um colchão fofo, um guarda roupa antigo de madeira, um criado-mudo de madeira e uma penteadeira em frente à minha cama de madeira também, acho que Helga tem apreço a decorações rústicas. Dou um risinho abafado.

Vou em direção ao guarda roupa e abro o mesmo, me deparo com muitas roupas escuras, torço o rosto numa careta. Vestidos longos com mangas longas, saias jeans até o pé com casacos pretos, moletom marrom, calça jeans largas com a cor desbotada e grande blusas com mangas longas, opto por vestir uma vestido longo com mangas longas e um sapatênis preto já que eu não tenho muitas opções, pego uma toalha e vou para o banheiro. Tomo banho por uns 10 minutos com água fria, molho os cabelos e passo um sabonete inodoro no corpo. Ao ouvir minha tia gritar, desligo o chuveiro e saio do boxe desesperada, ponho minhas roupas íntimas e meu vestido, penteio meu cabelo e faço um coque nele, calço meu sapato, estendo minha toalha no gancho e saio do banheiro correndo à cozinha.

- Até que enfim, menina. Achei que tivesse morrido naquele banheiro. – Minha tia diz irritada e eu me contenho, meu prato já está feito, é sopa de legumes. Como silenciosamente e a observo falando – Após comer, vamos ao mercado fazer algumas comprar que estou precisando aqui para casa. - Assinto já terminando de comer, ponho meu prato na pia e saio para escovar os dentes.

Volto alguns minutos depois, titia já está pronta pra irmos ao mercado, ela pega sua bolsa de ombro e vamos andando para o mercado que fica +/- uns 15 minutos andando, eu não reclamei, adoro andar e é bom conhecer o ambiente, mesmo sendo completamente deserto. Chegamos no mercado, acho que era o maior pela região porque estava cheio, e até que era movimentado, as pessoas estavam com a parte do corpo descoberto, olho com espanto enquanto elas também me olhavam da mesma forma, uns cochichavam e outros riam, eu não entendi mas preferi ficar quieta.

Titia me pede para procurar Ades e pede pra eu ficar a vontade na hora de escolher sabor, sorrio e ando distraída em busca do tal Ades, depois de 5 minutos rodando as fileiras do mercado, encontro junto com outras bebidas que eu não conhecia, olho atentamente aos sabores e sem querer esbarro com uma moça bem bonita com uma garrafa de vidro na mão e o líquido transparente, olho para ela e depois para garrafa, era algo parecido com "Smirnoff", acho que é uma agua diferente, já que é transparente.

- Poxa, colega, olha pra onde anda. – Ela diz me olhando de cima a baixo. - Você é freira? – segura o riso e eu assinto. - Deu pra perceber, sua roupa é horrorosa. Quantos anos você tem? 35? – arqueio as sobrancelhas.

- N..n-ão, tenho 18 anos. E minha tia quer que eu seja freira, tô treinando pra isso. – Olho retraída, e depois desvio o olhar.

- Vamos Eliza, não temos muito tempo. Já peguei o Big Apple, o Relíquia tá esperando nós lá fora. – Ele diz olhado pra nós e quando me vê, arqueia a sobrancelha, sinto meu rosto ficar quente e abaixo a cabeça. Esse moço é bem bonito.

- Sua tia quer que você seja, mas e você? Você quer ser? Você parece ser legal, mas suas roupas são horríveis pra gente da sua idade, tem 18 anos e deveria se cuidar mais. Vou indo, nos esbarramos por aí. – Ela sai com o moço bonito e ele permanece me encarando e logo some da minha vista. Fico confusa, como assim "eu quero ser?", eu não tenho opção. Pego um Ades de pêssego e uva, vou em direção a fileira que minha tia se encontra.

- Você é lenta demais, Luara. – Ela diz indo pro caixa pagar a mercadoria. No caixa ao lado vejo a menina que me parou, ela parece tão contente com suas roupas curtas e seus rabiscos no corpo, o olhar dela se cruza com o meu e eu dou meio sorriso, ela pisca pra mim e sai do mercado.

Volto pra casa com esses pensamentos na cabeça, se o mundo é tão injusto e as mulheres que exibem seu corpo são pecadores e impuras, porque ela veio tentar me ajudar e foi legal comigo? Eu gostei dela, queria ter uma amiga, me sinto muito sozinha. Vou pra minha casa e agarro meu travesseiro já na minha cama. Será mesmo que eu não sou obrigada a ser freira? Titia diz que eu não tenho escolha, mas meu coração diz que eu posso ser uma profissional como mamãe era.. Adormeço com esses pensamentos.

Acordo, e noto que já escureceu, busco um casaco e uma calça de moletom larga e vou ao banheiro tomar banho, lavo meus cabelos e decido deixá-los soltos, nunca deixei solto, apenas para dormir no meu quarto no Convento sozinha. Desço para sala e a mesa já está posta, decido esperar por titia mas ela não aparece, como estou com muita fome, me sirvo da sopa que a Lena fez e ataco tudo, na hora de tirar o prato da mesa, Helga me puxa pelo braço com muita brutalidade.

- Por que não me esperou para jantar? Por que não foi lá em cima e me chamou? Ninguém janta sem mim nessa casa! – Ela diz com muita raiva, me puxa pelos cabelos e vai em direção ao meu quarto comigo, me joga no chão e fecha porta trancando logo depois. Meu Deus, o que eu fiz?

Titia está magoada comigo.

Choro baixinho e adomerço no chão do quarto. Acordo no meio da madrugada com muitos zumbidos na parte de fora da casa, forço minha vista pra enxergar que horas são e percebo que é apenas 23:00 da noite. Abro a janela do meu quarto com delicadeza e vejo uma menina com a pele branquinha, baixinha e com um cabelo enorme sentada encolhida na calçada chorando, me dá um aperto no peito e eu sinto necessidade de ir até lá e dar um abraço.

Pego o banquinho da penteadeira e posiciono na frente da janela, com cuidado dou um pulo pra fora da janela e por pouco, não caio com a testa no chão. Vou andando com passos lentos até a menina que ao me notar, se encolhe e chora ainda mais. Me agacho na sua frente e quando reparo, pude perceber que é aquela menina do mercado.

- Eliza?

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