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Capítulo 3 3

Emir e Kerem, depois de calmos, decidiram o que o publicitário faria dali para frente. Sua ex sabia tudo sobre ele, o que pensava e o que faria em várias situações.

-Cara, me desculpa o que vou te falar, mas Sevda, além de apaixonada, vai entregar de bandeja tudo que sabe sobre você? O que você fez de tão errado assim para que a mulher que "morria" por você, agora virasse namorada do homem que te odeia e inveja desde sempre?

Emir se sentia um completo fracasso. Mesmo com Aisha tentando animar o chefe, ele se sentiu um inútil pela primeira vez em seus 36 anos de vida.

-Se eu que dormi com ela por cinco anos até agora não sei o que fiz, como vou te responder algo que estou tentando entender?

Emir viu a hora no relógio e faltava 15 minutos para às 13:00. Ele precisava buscar a chantagista universitária antes que ela chamasse a polícia e quando ele chegasse na faculdade, o pai dela estaria lá esperando.

-Preciso ir agora, tenho que buscar alguém ainda e com a confusão, eu não te contei. Eu bati o carro, quer dizer, alguém bateu na minha porta e, enfim, eu te conto depois que voltar do almoço. Devo chegar depois das 15:00 hoje e você volta pra agência ou vai se encontrar com Zeynep?

- Vou almoçar por aqui mesmo. Na verdade, eu pensei que você também ficaria.

-Vontade não falta, mas eu preciso buscar a garota que eu acabei quase atropelando e como te falei, eu conto depois o que aconteceu.

Emir se despediu do amigo, antes passou na sala de Aisha e avisou que qualquer coisa estava no celular.

Desceu até o estacionamento e se apressaria para buscá-la e deixá-la na joalheira. Depois, iria até sua casa tomar um banho, quem sabe assim a dor de cabeça que estava começando a aparecer fosse embora.

Ele iria até a faculdade, buscaria a garota, explicaria sobre o conserto e depois iria embora. Entrou no carro e saiu com o pensamento de que tudo iria se resolver.

**

- Ayla, eu acho que esse homem te enganou e você vai perder sua pulseira da sorte e ainda vai levar bronca da sua mãe.

A jovem viu a hora e ele estava atrasado quinze minutos. Achou melhor inventar uma desculpa para a mãe, até resolver o que fazer com a pulseira. Seu pai entenderia, mas a sua mãe com certeza iria encher tanto seu saco que ela ouviria o sermão pelas próximas dez gerações.

- Eu vou ligar pra minha mãe, vocês duas fechem o bico e Samia, se mamãe perguntar, confirma que vou almoçar com você.

Ayla discou e a mãe atendeu e já foi perguntando por que a menina ainda não havia chegado em casa.

-Mãe, eu acabei de sair da aula e vou almoçar com Samia. Vamos comemorar nosso primeiro dia de aula e não se preocupe que não vou chegar tarde.

-Tudo bem, senhorita Ayla, mas espero você em casa antes das 15h. Seu irmão tem tarefa da escola e você precisa ajudar o Ahmet. Seu pai também não vem almoçar, apareceu um problema no escritório e ele vai ficar por lá para resolver. Cuidado e manda um abraço para Samia.

A jovem agradeceu em silêncio que a mãe havia acreditado e já estava nervosa por não saber o que fazer até que o carro de Emir estacionou em frente à faculdade.

-Estou salva! Meninas, a minha carona chegou. Não quero sermão e ligo para vocês quando chegar em casa. Samia, não fala nada pra mamãe, enquanto eu não te avisar.

A jovem entrou no carro sem esperar a resposta das amigas. Conhecendo as duas, Ayla sabia que elas iriam impedir a garota de entrar no carro.

**

Emir mal estacionou e a garota foi entrando no carro e como na primeira vez, colocou os pés em cima do banco.

-Pensei que você tinha fugido com a minha pulseira. - Antes que Emir pudesse falar algo a menina já foi se sentindo como se fosse a dona do carro e perguntando pela tal pulseira da sorte dela.

-Se puder tirar os pés daí eu te agradeço. E vamos buscar a sua joia agora. Na verdade, ela vai ficar pronta só depois das 14 horas, mas vou te deixar na joalheira e já está tudo pago. Eu não tenho mais nenhuma responsabilidade e você pode seguir seu caminho que eu vou seguir o meu.

Ayla quis falar algo, mas Emir ligou o som do carro e a jovem percebeu que ele não queria conversar com ela e achou melhor assim.

Além de grosso, era mal-humorado. Tirou os fones de ouvido da bolsa, colocou no Spotify e deu play na sua lista de reprodução favorita.

Emir dirigia com todo cuidado, depois da péssima manhã tinha até medo de ficar perto daquela garota e algo de ruim acontecer. Parou em frente à joalheria e a garota estava de olhos fechados, cantando baixinho uma música que não conseguia entender.

Desligou o veículo e Ayla abriu os olhos e notou que tinham chegado ao local onde o ranzinza levou sua pulseira. Se ele soubesse a importância que aquela joia barata tinha não agiria da forma que estava agindo.

A joalheria até que era organizada pelo menos do lado de fora.

-Ao menos trouxe minha pulseira num lugar decente. Agora vamos que preciso almoçar, espero que esteja pronta e assim vou logo para casa.

Ayla desceu primeiro e Emir seguiu atrás dela. Ao entrarem no lugar, a primeira coisa que Emir notou foi o homem trabalhando em outra joia ao invés da pulseira dela.

-Senhor, me perdoe pelo atraso, mas o par de alianças, demorou, mas do que eu pensei e como o senhor não deixou contato, eu não tinha como avisar.

- Isso só pode ser brincadeira! - Emir falou consigo mesmo e ao lado dele a chantagista universitária olhava com um sorriso debochado no rosto.

-Senhor, podemos esperar? Eu acredito que em dez minutos, o senhor conserta essa pulseira. Eu penso que é só colocar uma solda no fecho e pronto.

Ayla que se mantinha calada, respondeu primeiro que o ourives.

-Senhor, essa pulseira é especial para mim e tenho certeza de que em dez minutos o senhor não vai consertar ela. Então, eu e meu amigo aqui, vamos almoçar e voltamos daqui uma hora.

Ayla saiu primeiro e Emir não acreditava que além de pagar o conserto, ela iria querer até que bancasse o almoço dela.

-A moça tem razão, me perdoe, senhor. Mas em uma hora eu garanto que vai ficar pronta e eu entrego como nova para vocês. Vou até aproveitar para dar uma limpeza nos berloques que notei que são antigos e precisam apenas de um polimento.

Emir tentou entender o senhor, mesmo que não concordasse. A manhã já tinha sido um horror e agora teria que pagar o almoço para a chantagista.

Quando saiu, Ayla aguardava encostada na porta do carro.

-Então, o joalheiro disse que horas fica pronto?

-Daqui uma hora e vou te deixar no primeiro restaurante que eu encontrar. Tive uma manhã difícil e preciso ir para casa.

Ayla notou que aquele homem estava bem estressado e não era por causa dela. Resolveu deixar a gracinha de lado e perguntar se ele estava bem.

-Hey, se quiser posso te fazer companhia no almoço. Somos estranhos, mas eu li uma vez que estranhos podem ser os melhores ouvintes. Podemos almoçar juntos e você me conta os seus problemas e eu te falo como foi o meu primeiro dia na faculdade.

Pela primeira vez, desde que encontrou aquela garota, Emir sorriu. E foi um sorriso sincero.

-Tudo bem, vamos. Eu pago o seu almoço e podemos conversar um pouco.

Ayla entrou no carro e antes que Emir desse a partida a jovem respondeu que ela iria escolher o lugar.

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