-Se eu que dormi com ela por cinco anos até agora não sei o que fiz, como vou te responder algo que estou tentando entender?
Emir viu a hora no relógio e faltava 15 minutos para às 13:00. Ele precisava buscar a chantagista universitária antes que ela chamasse a polícia e quando ele chegasse na faculdade, o pai dela estaria lá esperando.
-Preciso ir agora, tenho que buscar alguém ainda e com a confusão, eu não te contei. Eu bati o carro, quer dizer, alguém bateu na minha porta e, enfim, eu te conto depois que voltar do almoço. Devo chegar depois das 15:00 hoje e você volta pra agência ou vai se encontrar com Zeynep?
- Vou almoçar por aqui mesmo. Na verdade, eu pensei que você também ficaria.
-Vontade não falta, mas eu preciso buscar a garota que eu acabei quase atropelando e como te falei, eu conto depois o que aconteceu.
Emir se despediu do amigo, antes passou na sala de Aisha e avisou que qualquer coisa estava no celular.
Desceu até o estacionamento e se apressaria para buscá-la e deixá-la na joalheira. Depois, iria até sua casa tomar um banho, quem sabe assim a dor de cabeça que estava começando a aparecer fosse embora.
Ele iria até a faculdade, buscaria a garota, explicaria sobre o conserto e depois iria embora. Entrou no carro e saiu com o pensamento de que tudo iria se resolver.
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- Ayla, eu acho que esse homem te enganou e você vai perder sua pulseira da sorte e ainda vai levar bronca da sua mãe.
A jovem viu a hora e ele estava atrasado quinze minutos. Achou melhor inventar uma desculpa para a mãe, até resolver o que fazer com a pulseira. Seu pai entenderia, mas a sua mãe com certeza iria encher tanto seu saco que ela ouviria o sermão pelas próximas dez gerações.
- Eu vou ligar pra minha mãe, vocês duas fechem o bico e Samia, se mamãe perguntar, confirma que vou almoçar com você.
Ayla discou e a mãe atendeu e já foi perguntando por que a menina ainda não havia chegado em casa.
-Mãe, eu acabei de sair da aula e vou almoçar com Samia. Vamos comemorar nosso primeiro dia de aula e não se preocupe que não vou chegar tarde.
-Tudo bem, senhorita Ayla, mas espero você em casa antes das 15h. Seu irmão tem tarefa da escola e você precisa ajudar o Ahmet. Seu pai também não vem almoçar, apareceu um problema no escritório e ele vai ficar por lá para resolver. Cuidado e manda um abraço para Samia.
A jovem agradeceu em silêncio que a mãe havia acreditado e já estava nervosa por não saber o que fazer até que o carro de Emir estacionou em frente à faculdade.
-Estou salva! Meninas, a minha carona chegou. Não quero sermão e ligo para vocês quando chegar em casa. Samia, não fala nada pra mamãe, enquanto eu não te avisar.
A jovem entrou no carro sem esperar a resposta das amigas. Conhecendo as duas, Ayla sabia que elas iriam impedir a garota de entrar no carro.
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Emir mal estacionou e a garota foi entrando no carro e como na primeira vez, colocou os pés em cima do banco.
-Pensei que você tinha fugido com a minha pulseira. - Antes que Emir pudesse falar algo a menina já foi se sentindo como se fosse a dona do carro e perguntando pela tal pulseira da sorte dela.
-Se puder tirar os pés daí eu te agradeço. E vamos buscar a sua joia agora. Na verdade, ela vai ficar pronta só depois das 14 horas, mas vou te deixar na joalheira e já está tudo pago. Eu não tenho mais nenhuma responsabilidade e você pode seguir seu caminho que eu vou seguir o meu.
Ayla quis falar algo, mas Emir ligou o som do carro e a jovem percebeu que ele não queria conversar com ela e achou melhor assim.
Além de grosso, era mal-humorado. Tirou os fones de ouvido da bolsa, colocou no Spotify e deu play na sua lista de reprodução favorita.
Emir dirigia com todo cuidado, depois da péssima manhã tinha até medo de ficar perto daquela garota e algo de ruim acontecer. Parou em frente à joalheria e a garota estava de olhos fechados, cantando baixinho uma música que não conseguia entender.
Desligou o veículo e Ayla abriu os olhos e notou que tinham chegado ao local onde o ranzinza levou sua pulseira. Se ele soubesse a importância que aquela joia barata tinha não agiria da forma que estava agindo.
A joalheria até que era organizada pelo menos do lado de fora.
-Ao menos trouxe minha pulseira num lugar decente. Agora vamos que preciso almoçar, espero que esteja pronta e assim vou logo para casa.
Ayla desceu primeiro e Emir seguiu atrás dela. Ao entrarem no lugar, a primeira coisa que Emir notou foi o homem trabalhando em outra joia ao invés da pulseira dela.
-Senhor, me perdoe pelo atraso, mas o par de alianças, demorou, mas do que eu pensei e como o senhor não deixou contato, eu não tinha como avisar.
- Isso só pode ser brincadeira! - Emir falou consigo mesmo e ao lado dele a chantagista universitária olhava com um sorriso debochado no rosto.
-Senhor, podemos esperar? Eu acredito que em dez minutos, o senhor conserta essa pulseira. Eu penso que é só colocar uma solda no fecho e pronto.
Ayla que se mantinha calada, respondeu primeiro que o ourives.
-Senhor, essa pulseira é especial para mim e tenho certeza de que em dez minutos o senhor não vai consertar ela. Então, eu e meu amigo aqui, vamos almoçar e voltamos daqui uma hora.
Ayla saiu primeiro e Emir não acreditava que além de pagar o conserto, ela iria querer até que bancasse o almoço dela.
-A moça tem razão, me perdoe, senhor. Mas em uma hora eu garanto que vai ficar pronta e eu entrego como nova para vocês. Vou até aproveitar para dar uma limpeza nos berloques que notei que são antigos e precisam apenas de um polimento.
Emir tentou entender o senhor, mesmo que não concordasse. A manhã já tinha sido um horror e agora teria que pagar o almoço para a chantagista.
Quando saiu, Ayla aguardava encostada na porta do carro.
-Então, o joalheiro disse que horas fica pronto?
-Daqui uma hora e vou te deixar no primeiro restaurante que eu encontrar. Tive uma manhã difícil e preciso ir para casa.
Ayla notou que aquele homem estava bem estressado e não era por causa dela. Resolveu deixar a gracinha de lado e perguntar se ele estava bem.
-Hey, se quiser posso te fazer companhia no almoço. Somos estranhos, mas eu li uma vez que estranhos podem ser os melhores ouvintes. Podemos almoçar juntos e você me conta os seus problemas e eu te falo como foi o meu primeiro dia na faculdade.
Pela primeira vez, desde que encontrou aquela garota, Emir sorriu. E foi um sorriso sincero.
-Tudo bem, vamos. Eu pago o seu almoço e podemos conversar um pouco.
Ayla entrou no carro e antes que Emir desse a partida a jovem respondeu que ela iria escolher o lugar.