- Sim, de vez! Fui selecionada para trabalhar na Taylor's softwares. Lembram quando me candidatei? - elas responderam ao mesmo tempo que sim. Chegava a ser engraçado a sintonia delas.
- Que notícia incrível! Então, você e seu noivo decidiram vir pra cá? - perguntou Luana.
- Não. Só eu mesmo. Eu rompi o noivado. - respondi calmamente. Nem parecia que estava chorando há quatro dias atrás. Vi que elas estavam me encarando, procurando palavras. Pâmela que era a mais faladeira perguntou:
- O que aconteceu?
- Encontrei ele na cama com outra! - senti de novo um aperto no peito.
- Nossa que barra! Como você está? Quer falar sobre isso? - perguntou Luana.
- Agora estou bem! Se vocês quiserem saber, não me incomodo, talvez até seja bom. - elas assentiram com a cabeça e eu contei tudo. Mostrei as mensagens, e não sei se estavam fingindo, mas pareciam com raiva.
- Amiga, você precisa esquecer tudo isso, quem sabe hoje não encontre um gatinho pra começar a saber o que é flertar com alguém? - falou Camile.
Sorri meio envergonhada e pedimos uma rodada de tequila e mais um drink. Não tenho costume de beber mas hoje eu queria fazer tudo diferente. Depois de terminar meu copo, comecei a sentir aquela leveza do álcool e um pouco de tontura, mas me senti bem, feliz!
As meninas começaram a falar de um homem que estava sentado numa mesa próxima, bebendo uma cerveja sozinho. Ele estava atrás mim, por isso não virei de imediato, pra não ficar perceptível que falávamos dele.
- Nossa, que gatooo! - falou Luana.
- Meu coração se quebra quando vejo alguém beber sozinho! - Pâmela falou e deu uma gargalhada.
- Devíamos falar com ele! Ele precisa de companhia! - sugeriu Luana.
Me virei e vi o homem mais bonito de toda minha vida, seu cabelo preto era bem cortado e penteado para trás. Seus lábios eram carnudos e a barba estava por fazer. Seu corpo era musculoso. Ele tinha cara de poucos amigos. Estava distraído no celular.
- E se a Laura fosse falar com ele? - brincou Pâmela.
- Eu? Nem sei como fazer isso. - falei e sorri sentindo meu rosto corar.
- Ah para né? Laura, você nem precisa se esforçar! É uma mulher linda e gostosa! Qualquer cara vai te dar mole! - falou Camile
- Obrigada amiga, mas o que eu diria a ele?
- Sei lá. Fala que achou ele triste, pergunta se ele quer companhia. - Camile falou morrendo de rir.
- Laura, se você for lá e passar pelo menos cinco minutos na mesa com ele eu pago a sua conta hoje! Só pra você se empolgar nessa vida boa de gente solteira! - falou Pâmela.
Na hora me deu um súbito de coragem, vinda do álcool, com certeza! Me levantei e disse:
- Negócio fechado! Cinco minutos né? - Falei já me levantando. Meu Deus, o que eu estava fazendo? Caminhei até a mesa daquele homem e falei:
- Oi! Tudo bem? Você está esperando alguém?
- Sim. - ele me respondeu secamente. Nem olhou pra mim! Senti meu estômago revirando e meu rosto esquentando de vergonha, mas perguntei ainda assim:
- Posso te fazer companhia até a pessoa que você está esperando chegar? - Ele finalmente tirou os olhos do celular e me olhou de cima a baixo, com olhos olhos verdes muito intimidadores! Pensei que ele nem iria me responder, já estava prestes a cavar um buraco pra entrar quando ele disse:
- Por que? - Fiquei sem saber o que dizer, então resolvi falar a verdade:
- Olha, desculpe tê-lo incomodado! Minhas amigas e eu estávamos observando você e achamos que você estava triste. Então fizemos uma aposta. Se eu conseguisse me sentar e conversar com você por cinco minutos, elas pagariam minha conta. - sorri meio sem jeito, sentia minhas bochechas arderem. O que eu estava pensando? Ia ganhar um belo fora! Que grande mico. Comecei bem!
- Desculpe mesmo! Eu já vou! - falei e me virei, quando ele falou:
- Cinco minutos? Então você vai me acompanhar na cerveja. - Parecia uma ordem. Eu já tinha bebido dois drinks e uma dose de tequila, mas não podia recusar, tomara que eu não passe mal. Me virei pra ele e vi que ele me olhava com um pequeno sorriso.
Sentei e observei enquanto ele pedia mais um copo ao garçom.
Em seguida estendeu a mão e disse:
- Marcelo, muito prazer! - Eu demorei um pouco pra conseguir desviar dos olhos dele. Ele me encarou sorrindo, como se achasse divertido me ver sem palavras. Finalmente, toquei sua mão e respondi:
- Laura! Obrigada por me ajudar com a aposta! - saiu sem querer! Ele só ficou me encarando. Como era bonito!
- Por nada! Meu amigo deve chegar logo, é bom que o resto do bar para de sentir pena do cara bebendo sozinho. - falou e continuou me encarando. Será que ele estava ofendido? Ficamos num silêncio constrangedor. Quebrado por ele me perguntando:
- É daqui mesmo, Laura?
- Não. Sou de Salinas no Norte de Minas. Morei aqui na época da faculdade e voltei essa semana, pra morar outra vez.
- O que te fez querer voltar pra cá?
- Gosto muito daqui. E também fui selecionada por uma empresa que sempre desejei trabalhar, esse foi o maior motivo. - Era uma parte da verdade, mas não toda.
- Legal. Parabéns! - nesse momento, um outro rapaz também muito bonito chegou e disse:
- Eitaa Cello, resolveu partir pra outra? Achei que ia ficar todo amuado aí pelo chifre mas se deu bem já! - notei que ele estava bêbado mas o Marcelo olhou pra ele como se pudesse matá-lo só com o olhar.
- Dá onde saiu essa princesa, tem mais não? Amigas? - o amigo dele falou e puxou uma cadeira rindo muito. Estendeu a mão e disse pra mim:
- Eduardo, mas pode ser Edu para você! - falou e beijou minha mão .
- Laura, prazer!
Marcelo fuzilava o amigo, parecia muito irritado.
- Então, eu já vou Marcelo, seu amigo já chegou e meus cinco minutos já se foram, vou voltar para minha mesa! - eu disse e antes de eu me levantar Eduardo segurou minha mão e falou:
- Por que não chama suas amigas e vem sentar com a gente? O Marcelo ainda precisa de companhia! - Olhei para o Marcelo buscando alguma confirmação, ele me olhou e levantou os ombros e sorrindo. Quase perdi o folego!
Chamei as meninas e apresentei a eles. Bebemos mais uma cerveja e as meninas pediram mais uma rodada de tequila, eu recusei mas o Eduardo tomou a minha e a dele. Nem eu e nem o Marcelo falamos mais nada. As meninas e o Edu estavam super entretidos.
- Gente, vamos pro Observatório? Hoje vai ter um show top lá e eu consigo um camarote para
gente! Topam? - Eduardo falou entusiasmado!
As meninas nem pensaram e responderam um sim triplo, eu acabei por dizer sim e o Edu olhou para o Marcelo e perguntou:
- Não vai dar para trás né?