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Nos Braços da Máfia.
img img Nos Braços da Máfia. img Capítulo 2 ROMA – QUARTO ESCURO
2 Capítulo
Capítulo 6 REENCONTRO img
Capítulo 7 DESEJO img
Capítulo 8 MULHER DO INIMIGO img
Capítulo 9 COVARDE img
Capítulo 10 BELO img
Capítulo 11 ATUANDO img
Capítulo 12 UM PELO OUTRO img
Capítulo 13 EVENTO DA MÁFIA img
Capítulo 14 ÚLTIMO DESEJO img
Capítulo 15 DORMINDO COM O INIMIGO img
Capítulo 16 FIM DE SEMANA img
Capítulo 17 ROMÂNTICO img
Capítulo 18 PERFEITO img
Capítulo 19 CONTRA A PAREDE img
Capítulo 20 VADIA img
Capítulo 21 INTERESSE img
Capítulo 22 SEQUESTRADOR img
Capítulo 23 BELLO img
Capítulo 24 PRIMEIRO BEIJO img
Capítulo 25 DESCONFIADO img
Capítulo 26 PODEROSA CHEFONA img
Capítulo 27 ABRINDO O JOGO img
Capítulo 28 INDECISO img
Capítulo 29 OS MANCINNI img
Capítulo 30 DESCOBRINDO A VERDADE img
Capítulo 31 AMIGO img
Capítulo 32 REUNIÃO img
Capítulo 33 SUA img
Capítulo 34 PRAZER img
Capítulo 35 EMBOSCADA img
Capítulo 36 PROSTÍBULO img
Capítulo 37 FIM img
Capítulo 38 RECOMEÇO img
Capítulo 39 TRÊS ANOS DEPOIS img
Capítulo 40 Epílogo - Luna img
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Capítulo 2 ROMA – QUARTO ESCURO

Perla

Segredo, mistério, sofrimento. Essa é a minha vida, uma vida que não

escolhi para mim. Sou obrigada a viver uma mentira, uma mentira que me faz

prisioneira dentro da minha própria casa.

Não me reconheço mais, não sei quem sou.

Sorrisos, casamento. A vida que levo a vista dos outros é perfeita, mas

mal sabem que é pura falsidade. Que sou falsa, que tudo em mim é falso.

Fiquei muito boa nisso, são muitos anos fingindo ser quem não sou, se é que

ainda tenha algo em mim daquela garota de dezoito anos que foi retirada de

sua casa, da sua família, que acordou casada com um desconhecido em outro

país. Que, com esse homem, formou uma "família". Depois

desses cinco anos, ainda não sei o verdadeiro motivo e o que há por

trás disso tudo.

Não posso fazer perguntas, não posso chorar, não posso sequer abrir a

boca sem que meu marido permita. Levei apenas um dia para entender isso.

A primeira e única vez que o questionei, fiquei uma semana trancada em um

quarto escuro onde me era servido apenas pão e água. Meu rosto e minha

boca ficaram ensanguentados, inchados e doloridos, resultado de dois socos

que ele havia me dado.

O quarto escuro faz parte da minha vida. Se Salvatore não gostar do

jantar, é para lá que vou. Se eu apenas respirar na hora errada, o quarto escuro

é o meu castigo. A quantidade de tempo depende do meu juiz. Já fiquei

trancada por horas, dias. Muitas vezes, não sei dizer com precisão, pois

quando estou dentro daquele quarto perco a noção do tempo.

Na frente dos seus comandados e suas famílias, meu captor é um

excelente marido, porém, quando estamos apenas nós dois, não tenho

permissão para ficar próxima a ele sem ser solicitada. E, quando isso

acontece, são raros os momentos em que ele não me agride com suas duras

palavras, ou algumas vezes

fisicamente. Os únicos momentos que essa distância não existe é

quando, sem uma prévia permissão, ele quer usar meu corpo. É nojento, eu

odeio suas mãos sobre mim. Não se trata de sexo, muito menos de fazer

amor.

Salvatore me estupra, me bate, sente prazer com a minha dor, com

meu sofrimento.

Sorrio sem atuar somente quando estou com minha filha, quando

Salvatore viaja, principalmente quando ele se ausenta por muitos dias, ou

quando ele não me usa sexualmente. Por diversas vezes, ele trouxe prostitutas

para nossa casa. Nessas ocasiões, ele se deita com elas em nossa cama. No

intuito de me humilhar. Depois de usar e abusar dessas mulheres, ele as

esfrega na minha cara, faz questão de dizer que elas o dão mais prazer do que

eu. Se ele soubesse que fico feliz quando ele dorme com essas mulheres ...

Elas escolheram essa vida, já eu não tive opção. Sou obrigada a me

deitar com um homem que não escolhi, que não sei a origem. Que, antes

daquele maldito jantar, nunca tinha visto. Até hoje não sei como vim parar

nessa casa, nessa vida, nem se meus pais ainda estão vivos.

Quando Salvatore está acompanhado, o quarto da Donna é o meu

refúgio, o único lugar desta casa em que me sinto bem. Minha filha é o meu

sopro de vida. Às vezes reflito sobre minha gestação e o nascimento da

minha pequena. Lembro o quanto fui rejeitada e humilhada. Meu coração dói,

porque Donna não é fruto do amor, mas de uma violência. Salvatore a

rejeitou quando ela nasceu, por ser menina. Quando completou um ano de

idade, Donna conseguiu "conquistar" o coração do monstro, pois a sua

primeira palavra foi papai.

Nossa enorme casa é uma fortaleza. Homens armados por todos os

lados, não vou a nenhum lugar sem os soldados do Salvatore no meu encalço,

sem ser monitorada. Foi difícil aceitar que minha vida não seria mais a

mesma. Antes de ser capturada, estava finalizando o segundo período no

curso de direito, tinha amigos, família, uma vida como qualquer jovem na

minha idade. De repente, um jantar e tudo mudou.

Quando me vi nessa casa, só tive duas opções. Continuar lutando, não

aceitar a triste realidade de estar casada com um

homem bem mais velho do que eu, nos seus quarenta anos, e

continuar sendo castigada por isso. Ou me render à minha nova vida. Em

qualquer outro cenário, eu teria lutado por meus direitos, mas o que fazer

quando seu marido é o chefe da máfia? Como escapar de algo assim?

Numa tentativa fugaz da minha mente, influenciada pelos tolos

romances que li, cheguei a me iludir que Salvatore poderia se apaixonar por

mim, e eu por ele, já que estamos casados. Meu tolo e romântico coração se

encheu de esperança. Como protagonista da minha própria história, imaginei

que aqueles homens armados estavam aqui para me proteger, que o amor do

meu marido era tão grande que ele tinha medo de me perder.

Tolice.

Controle.

Salvatore controla a tudo e a todos. Controla nossas vidas como peças

de xadrez.

Faze exatamente cinco anos que deixei de existir, sou apenas uma

sombra de uma vida que não pedi, de uma vida que mais parece morte.

Minha morte.

Estou cansada de ser a dona de casa perfeita, a mulher impecável que

oferece jantares para homens poderosos e mafiosos como ele. A mulher que

tem que sorrir para as outras mulheres enquanto tudo o que mais quer é

chorar, se descabelar, gritar, pedir ajuda.

Tenho quase certeza que essas mulheres têm em seus rostos um

sorriso tão falso quanto o meu. Vejo, através do olhar de cada uma, medo,

insegurança e tristeza. Mas nenhuma se atreve a dizer uma sequer palavra, ou

demostrar com algum gesto, o menor que seja, que entendemos nossas dores.

Ao mesmo tempo, penso que é somente no que quero acreditar, pois

não pode ser possível que todos esses homens sejam como Salvatore.

Frio.

Salvatore manda e desmanda, ele é o Don dos Bazzoti. O poderoso chefão.

Parece até nome de filme, mas é a mais pura realidade. Sou casada com o

chefe da máfia, o que me resta é obedecer, por minha vida e por amor a

Donna.

Todos o obedecem. Nunca o questionam. Os que já tentaram não

estão mais entre nós.

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