Nos últimos anos de vida, a doença a consumiu rapidamente. Primeiro, era só uma tosse ocasional, algo que os médicos pareciam não levar tão a sério. Mas então vieram os acessos de falta de ar, as noites intermináveis de tosse seca e dolorosa. O diagnóstico veio tarde demais: fibrose pulmonar. Disseram que não havia muito o que fazer. O ar começou a lhe faltar mais do que nunca, e, em pouco tempo, ela já não conseguia andar sem perder o fôlego.
Eu tinha apenas doze anos quando a vi definhar. As mãos dela, antes fortes, tornaram-se frágeis, feias. Seu olhar, que um dia brilhava com vida e afeto, ficou opaco, resignado. No fim, mal conseguia falar sem se engasgar com a própria respiração. A imagem da última noite que passamos juntas era um peso constante no meu peito.
E então, ela se foi.
Com sua morte, eu não tinha mais ninguém. Meu pai já tinha morrido anos antes, e fui enviada para viver com a irmã dele, uma tia que eu mal conhecia, em Oklahoma.
Minha tia não era má. Tentava ser gentil, mas eu sentia que nunca seria parte daquela família de verdade. Meus primos me olhavam como se eu fosse um fardo. Nos jantares, eu me sentia uma estranha entre eles. Nos natais, os presentes que eu ganhava eram claramente dados por obrigação.
Eu sabia que não podia reclamar. Minha tia me deu um teto, comida, tentou me incluir na vida deles. Mas não era o mesmo que ter uma mãe.
Por isso, assim que completei dezoito anos, juntei tudo o que tinha e saí de lá. Me mudei para aqui para a Geórgia. O apartamento que encontrei era pequeno, velho e caindo aos pedaços, mas era meu. Pela primeira vez, senti que tinha um espaço só meu.
Mas a liberdade vinha com um preço.
O aluguel apertado, as contas acumulando, o salário miserável da lanchonete...
Suspirei, passando as mãos no rosto.
Ser sugar baby... aquilo realmente poderia ser uma saída?
Se minha mãe estivesse viva, jamais aprovaria algo assim.
Mas ela não está mais aqui, infelizmente.
E eu estou cansada de lutar para sobreviver.
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O cheiro do café fresco preencheu meu pequeno apartamento enquanto me sentava à mesa com o jornal aberto. O céu ainda estava meio cinza do lado de fora, e o silêncio da manhã me fazia sentir ainda mais sozinha.
Mordisquei uma torrada enquanto circulava anúncios nos classificados. Precisava encontrar algum trabalho extra antes do turno na lanchonete, algo que me rendesse dinheiro rápido.
"Precisa-se de diarista, pagamento no fim do expediente."
"Trabalho temporário: panfletagem no centro."
"Babá por algumas horas pela manhã."
Nada parecia pagar o suficiente. Suspirei e dobrei o jornal, esfregando os olhos. O tempo estava contra mim.
Ao sair de casa para ir ao mercado, quase trombei com o senhor Vasquez, meu senhorio. O homem, barrigudo e de expressão sempre mal-humorada, cruzou os braços ao me ver.
- Babi, precisamos conversar.
Engoli em seco.
- Eu sei, senhor Vasquez. O aluguel...
- Já está há mais de um mês atrasado!
Ele me interrompeu, irritado.
- Eu sou um homem paciente, mas paciência não paga as contas. Você precisa acertar isso logo.
Respirei fundo.
- Me dá até o fim de semana? Eu vou conseguir.
Ele me analisou por um momento, resmungando algo inaudível.
- Tudo bem. Mas se não me pagar até domingo, você tá fora.
Ele saiu, deixando-me parada na entrada do prédio, sentindo o peso do desespero aumentar no meu peito.
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O turno na lanchonete foi um inferno.
Eu tentava manter a compostura, mas a ameaça do despejo pairava sobre mim como uma nuvem carregada. Esqueci um pedido, derrubei uma bandeja, levei uma bronca do gerente.
Zoe percebeu.
- O que foi?
Perguntou enquanto enchia um copo com refrigerante.
- O senhor Vasquez.
Falei baixo, encostando-me no balcão.
- Disse que, se eu não pagar o aluguel até domingo, estou fora.
- Droga...
Ela fez uma careta.
- Conseguiu algum trabalho extra?
Apenas balancei a cabeça negativamente, desanimada.
- Talvez eu possa te emprestar algo...
- Não. Eu não posso aceitar.
Zoe suspirou, mas não insistiu.
Passei o resto do expediente em silêncio, sentindo-me cada vez mais sufocada.
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Os dias passaram, e nada melhorou.
Tentei tudo. Procurei empregos temporários, respondi anúncios, bati de porta em porta. Mas ninguém queria contratar alguém por apenas algumas horas de manhã.
Na sexta-feira à noite, cheguei em casa exausta, joguei a bolsa no sofá e fiquei encarando o teto.
Eu não tinha mais tempo.
Peguei o celular e abri o site que Zoe havia me passado. O nome brilhava na tela como uma tentação: Elite Sugar Match.
Respirei fundo e comecei a preencher o cadastro. Nome, idade, interesses. Escolhi uma foto em que eu parecia natural, mas atraente.
Quando cliquei em "Criar perfil", senti um arrepio percorrer minha espinha.
Eu não sabia se estava fazendo a coisa certa.
Mas também não via outra saída.