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Quando a Amiga Vira Inimiga: Uma História de Vingança
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Capítulo 1

Quando abri os olhos, o cheiro de desinfetante invadiu as minhas narinas, e uma dor aguda no meu abdómen lembrou-me que eu tinha acabado de perder o meu filho.

O meu marido, Leo, não estava em lado nenhum.

Peguei no meu telemóvel com as mãos a tremer, o ecrã mostrava dezenas de chamadas não atendidas e mensagens de texto que enviei para ele durante o meu acidente.

Todas sem resposta.

Eu tinha caído das escadas. Grávida de oito meses.

A última mensagem que lhe enviei foi antes de ser levada para a sala de operações: "Leo, o nosso bebé... pode não sobreviver. Onde estás?"

Agora, o bebé tinha-se ido, e ele ainda não estava aqui.

Respirei fundo, a dor no meu peito era quase tão má como a do meu corpo, e disquei o número dele.

O telefone tocou durante muito tempo antes de ele atender, com a voz cheia de impaciência e cansaço.

"O que foi agora, Sofia? Estou exausto."

A voz dele era fria, distante.

"Leo, o nosso bebé..."

A minha voz falhou, as lágrimas que eu segurava ameaçavam cair.

"Eu sei, eu sei," ele interrompeu-me bruscamente. "A minha mãe já me contou. É uma pena, mas estas coisas acontecem. Não te stresses com isso."

Não me stressar com isso? Eu perdi o nosso filho.

"Onde estás?" perguntei, a minha voz era um sussurro fraco.

Houve uma pausa. Ao fundo, ouvi uma voz feminina, suave e familiar.

"Leo, querido, o médico disse que a minha febre ainda não baixou. Podes trazer-me mais um cobertor?"

Era a Eva. A minha "melhor amiga".

O meu coração parou por um segundo.

"Leo, estás com a Eva?"

"Sim," ele admitiu, sem qualquer sinal de culpa. "Ela desmaiou de febre alta hoje, eu tive que a trazer para o hospital. Ela não tem ninguém aqui em Lisboa para cuidar dela."

Ela não tem ninguém. E eu? Eu era a tua mulher, a carregar o teu filho. Eu não tinha ninguém?

"Eu caí das escadas, Leo. Eu liguei-te tantas vezes."

"Eu sei, a minha bateria morreu," ele disse, a sua desculpa era fraca e óbvia. "Olha, a Eva está muito doente. Não posso deixá-la sozinha. A minha mãe está a caminho para te ver. Fica bem."

Ele estava prestes a desligar.

"Divórcio," eu disse, a palavra saiu da minha boca antes que eu pudesse pensar. "Leo, vamos divorciar-nos."

O silêncio do outro lado da linha foi pesado.

Depois, a sua raiva explodiu.

"Divórcio? Estás a falar a sério? Só porque eu estou a cuidar de uma amiga doente? Sofia, para de ser tão egoísta! A Eva podia ter morrido! Tu estás bem, estás no hospital com médicos."

"O nosso filho morreu, Leo."

"E achas que eu não estou triste com isso?" ele gritou. "Mas a vida continua! Não podes esperar que o mundo pare por ti! Cresce, Sofia!"

Ele desligou.

Eu olhei para o telefone na minha mão. Tentei ligar de volta, mas a chamada foi direta para o voicemail. Ele tinha-me bloqueado.

Uma risada amarga escapou dos meus lábios.

Egoísta. Ele chamou-me egoísta.

Eu olhei para a minha barriga agora vazia. O espaço que antes continha todas as minhas esperanças e sonhos era agora apenas um vazio doloroso.

A porta do quarto abriu-se e a minha sogra, a Dona Isabel, entrou, com uma expressão de falsa preocupação no rosto.

"Sofia, minha querida, como te sentes?"

Ela sentou-se ao meu lado, mas não me tocou.

"Onde está o Leo?" perguntei, embora já soubesse a resposta.

"Ah, o Leo... ele teve uma emergência com a amiga dele, a Eva. Coitadinha, tão doente. Mas ele mandou-me vir logo. Ele está muito preocupado contigo."

Preocupado. Se ele estivesse preocupado, estaria aqui.

"Eu quero o divórcio," repeti, a minha voz mais firme desta vez.

A cara da Dona Isabel mudou instantaneamente. A máscara de simpatia caiu, revelando o seu desprezo.

"Divórcio? Não sejas ridícula. Perdeste o bebé, é uma tragédia, mas não é o fim do mundo. Tu e o Leo podem tentar de novo."

Ela olhou para a minha barriga com um olhar frio.

"Embora, honestamente, eu sempre tenha duvidado que conseguisses levar uma gravidez até ao fim. És tão frágil."

A crueldade dela era direta, sem rodeios.

"Não vou tentar de novo. Acabou."

"Não sejas tola," ela disse bruscamente. "Um homem como o meu filho? Achas que vais encontrar melhor? Ele é um bom homem. Ele só é... bondoso. Ele ajuda os amigos."

Bondoso. Era essa a palavra para abandonar a tua mulher grávida depois de um acidente grave para cuidar de outra mulher?

Eu não respondi. Apenas virei o rosto para a janela, olhando para a noite escura lá fora.

Eu estava sozinha. Completamente sozinha.

E pela primeira vez, em vez de me sentir assustada, senti uma estranha sensação de liberdade.

O bebé era a única coisa que me prendia a ele. Agora, essa ligação tinha sido cortada.

Não havia mais nada para me segurar.

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