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Quando a Amiga Vira Inimiga: Uma História de Vingança
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Capítulo 4

Uma semana depois, o advogado do Leo contactou a Dra. Campos.

A contraproposta dele era ridícula.

Ele concordava com o divórcio, mas queria metade do valor do apartamento.

"Ele alega que contribuiu para as despesas do lar e para a valorização do imóvel," explicou a Dra. Campos ao telefone. "É um disparate. O apartamento foi pago na totalidade com o dinheiro que a tua avó te deixou. Temos os extratos bancários para provar isso."

"Ele não tem vergonha," eu murmurei.

"Eles raramente têm," disse a Dra. Campos secamente. "Ele também está a exigir a devolução de todos os 'presentes caros' que te deu durante o casamento."

Eu ri-me. Uma risada sem alegria.

"Presentes caros? Ele deu-me um colar no meu aniversário que eu descobri mais tarde que era uma imitação barata. É isso que ele quer de volta?"

"Provavelmente. É uma tática para te desgastar. Para te fazer desistir e aceitar um acordo pior."

"Eu não vou desistir."

"Bom. Porque eu também não."

Nos dias que se seguiram, a minha vida tornou-se uma sucessão de reuniões com a Dra. Campos, a reunir documentos e a preparar a nossa argumentação.

Foi um processo doloroso, reviver cada detalhe do meu casamento falhado.

Uma tarde, estava a sair do escritório da Dra. Campos quando vi uma figura familiar do outro lado da rua.

Era a Eva.

Ela estava a olhar diretamente para mim. Parecia pálida e mais magra.

Ela atravessou a rua, vindo na minha direção.

Eu parei, esperando. Não ia fugir.

"Sofia," ela disse, a sua voz era fraca. "Podemos conversar?"

"Acho que já dissemos tudo o que havia para dizer."

"Por favor," ela insistiu, os seus olhos estavam vermelhos. "Só cinco minutos."

Eu suspirei. "Cinco minutos."

Fomos a um café próximo. Sentámo-nos numa mesa no canto.

"O Leo está um caos," ela começou. "Ele não come, não dorme. Ele está a sofrer muito."

"Que pena," eu disse, sem qualquer emoção.

"Ele ama-te," ela disse, como se estivesse a tentar convencer-se a si mesma. "Ele só... ele ficou confuso."

"Confuso? Eva, poupa-me do teu teatro. Eu sei o que vi. Eu sei o que vocês os dois são."

Ela baixou o olhar para a sua chávena de café.

"Eu não queria que isto acontecesse," ela sussurrou. "Eu nunca quis magoar-te."

"Mas magoaste. Tu e ele. Vocês destruíram tudo."

Ela levantou o olhar, e pela primeira vez, vi uma centelha de raiva nos seus olhos.

"E tu? És tão perfeita? Sempre a julgar toda a gente do teu pedestal. A menina rica que teve tudo na vida."

Fiquei surpreendida com o veneno na sua voz.

"Eu nunca te julguei, Eva. Eu tratei-te como uma irmã."

"Trataste-me como o teu projeto de caridade!" ela cuspiu. "A pobre órfã que precisava da tua ajuda. Deixaste-me viver na tua sombra, sempre a sentir-me inferior."

Eu estava chocada. Era assim que ela me via?

"E o Leo," ela continuou, a sua voz a tremer de emoção. "Ele viu-me. Ele viu a verdadeira eu. Ele não me via como alguém para ser salva. Ele via-me como uma igual."

Agora tudo fazia sentido. O ressentimento dela, a traição.

"Então, ficaste com ele para te vingares de mim?"

"Não!" ela disse rapidamente. "Eu amo-o. E ele ama-me. Ele só tem medo de admitir por causa de ti."

Levantei-me. Já tinha ouvido o suficiente.

"Bem, Eva, agora ele não tem mais nada a temer. O caminho está livre. Podes tê-lo."

Virei-me para sair.

"Tu vais arrepender-te disto, Sofia!" ela gritou atrás de mim. "Vais acabar sozinha e amarga!"

Eu não olhei para trás.

Continuei a andar, deixando as suas palavras venenosas para trás.

Ela podia ter o Leo. Ela podia ter o homem que me abandonou.

Eles mereciam-se um ao outro.

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