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Quando a Amiga Vira Inimiga: Uma História de Vingança
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Capítulo 3

Passei a semana seguinte na casa dos meus pais, num estado de dormência.

A minha mãe, a Ana, cuidou de mim com uma devoção silenciosa, trazendo-me comida que eu mal tocava e chá que eu esquecia de beber.

O meu pai, o Rui, era mais direto.

"Vais deixá-lo destruir-te?" ele perguntou uma noite, sentando-se na beira da minha cama. "Aquele canalha não merece as tuas lágrimas."

"Eu não estou a chorar por ele," eu disse, e era verdade. "Estou a chorar pelo meu filho."

"Eu sei," disse o meu pai suavemente. "Mas a vida tem que continuar. Tens que te levantar e lutar."

No dia seguinte, contratei a melhor advogada de divórcio da cidade, a Dra. Campos.

Ela era uma mulher de meia-idade, com um olhar penetrante e uma atitude pragmática.

"Ele abandonou-te no hospital e fugiu com a outra," disse ela, depois de eu lhe contar a história toda. "E há a questão do brinco. Isto é um caso claro de adultério e abandono. Vamos depená-lo."

Eu não queria vingança. Eu só queria acabar com isto.

"Eu só quero o que é meu por direito," eu disse. "O apartamento foi comprado com o dinheiro da minha herança. Eu quero o apartamento e o divórcio. Nada mais."

A Dra. Campos acenou com a cabeça. "Simples e limpo. Gosto disso. Vamos notificá-lo."

Os papéis do divórcio foram enviados para o escritório do Leo.

Dois dias depois, ele ligou-me. Pela primeira vez em mais de uma semana.

Atendi, colocando a chamada em altifalante para que a Dra. Campos, que estava comigo no seu escritório, pudesse ouvir.

"Sofia, que raio estás a fazer?" ele gritou, sem sequer dizer olá. "Recebi papéis de divórcio! Estás louca?"

"Não, Leo. Estou perfeitamente sã," respondi calmamente.

"Tu queres o apartamento? O nosso lar? Depois de tudo o que eu fiz por ti?"

"O que fizeste tu por mim, Leo? Além de me deixares sozinha para perder o nosso filho?"

"Eu estava a cuidar de uma pessoa doente! Quantas vezes tenho que te dizer isso? Tens zero compaixão!"

"E tu?" retorqui. "Onde estava a tua compaixão quando eu estava a sangrar no hospital?"

Ele ficou em silêncio por um momento.

"Olha, eu cometi um erro," ele disse, a sua voz suavizou-se um pouco. "Eu devia ter estado lá. Peço desculpa. Mas o divórcio? Não é um pouco extremo?"

"Não. Não é extremo. É necessário."

"É por causa da Eva, não é?" ele acusou. "Estás com ciúmes. Não há nada entre nós, ela é só uma amiga."

"Uma amiga cujo brinco encontrei no nosso quarto? Uma amiga com quem vais em 'viagens de negócios'?"

A linha ficou silenciosa novamente. Eu tinha-o apanhado.

A Dra. Campos sorriu-me, um sorriso predatório.

"Sofia, por favor," ele disse, a sua voz agora a soar a desespero. "Não faças isto. Pensa em tudo o que passámos."

"Eu estou a pensar, Leo. E tudo o que vejo é dor. Eu quero o divórcio. Assina os papéis."

"E se eu não assinar?" ele desafiou.

"Então," a Dra. Campos interveio, a sua voz era cortante como aço. "Sr. Alves, vamos levar o assunto a tribunal. E acredite em mim, com as provas que temos – testemunho do hospital, registos telefónicos, o brinco – o juiz não será favorável à sua causa. A sua... 'amizade' com a Sra. Eva será exposta publicamente. Tem a certeza que é isso que quer?"

Houve um longo silêncio. Eu podia quase ouvi-lo a pensar.

"Vocês vão ter notícias do meu advogado," ele disse finalmente, e desligou.

"Ele vai lutar," disse a Dra. Campos. "Mas ele vai perder."

Eu senti-me exausta, mas também aliviada. O primeiro passo tinha sido dado.

A guerra tinha começado.

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