Vanessa concordou, sua voz melosa. "Você fez o certo, Ricardo. Precisamos de pessoas fortes ao nosso redor, não de choronas. E a outra, a Isabela? Ameaçando expor vocês? Com os cinquenta seguidores que ela tinha no Instagram? Hilário."
A raiva subiu pela minha garganta, quente e amarga. Isabela já tinha saído do prédio, mas eu ainda estava ali. Não pude me conter. Saí da nossa pequena sala e fui em direção a eles.
"Repete o que você disse sobre a Sofia," eu falei, minha voz baixa.
Ricardo se virou, surpreso por eu ainda estar lá. Um sorriso de escárnio se formou em seus lábios.
"Ah, a outra estagiária. O que foi? Vai chorar também? Eu disse que ela é uma inútil e que o futuro dela acabou. Satisfeita?"
Sem pensar, avancei e dei um tapa forte em seu rosto. O som ecoou no corredor silencioso. Vanessa gritou, assustada. Ricardo me olhou, chocado por um segundo, antes de sua expressão se transformar em fúria. Ele agarrou meu braço com força, seus dedos apertando minha pele.
"Sua vadia! Quem você pensa que é?"
Dois seguranças apareceram imediatamente, alertados pelo grito de Vanessa.
"Tirem essa louca daqui!", ordenou Ricardo.
Eu me debati, mas eles eram mais fortes. "Você é um monstro!", gritei para ele, enquanto eles me arrastavam em direção à saída. "Nós demos um ano da nossa vida para vocês! Nossas ideias construíram o que vocês têm!"
Ricardo apenas ajeitou o colarinho da camisa, o local onde eu o acertei agora vermelho. Ele riu, um som cruel e sem humor.
"Suas ideias? Vocês são estagiárias. Vocês não têm ideias, vocês fazem o que mandamos. Nós demos a vocês a oportunidade de estar perto de gente como a gente. Vocês deveriam ser gratas."
"Gratas? Por serem roubadas e humilhadas?", a voz de Isabela soou da entrada. Ela não tinha ido embora. Tinha esperado por mim.
Ela caminhou em nossa direção, o celular na mão, mas não estava gravando. Seus olhos estavam fixos em Ricardo.
"O que você fez com a Sofia foi nojento. E agora você agride a Laura?"
Ricardo soltou uma risada. "Eu não me importo com a Sofia. E se eu fosse vocês, tomaria cuidado. Posso fazer com vocês o mesmo que fiz com ela. Garantir que nunca mais trabalhem."
Naquele exato momento, Pedro saiu da sala de reuniões, atraído pela confusão. Ele viu a cena: eu sendo segurada pelos seguranças, Isabela confrontando Ricardo, e Vanessa ao lado dele, com uma expressão de vítima assustada.
"O que está acontecendo aqui?", perguntou Pedro, sua voz controlada, mas com uma nota de irritação.
Vanessa correu para o lado dele, as lágrimas já escorrendo pelo seu rosto perfeitamente maquiado.
"Pedro! Foi horrível! A Laura ficou louca e atacou o Ricardo do nada! E a Isabela voltou para ameaçá-lo! Elas estão com inveja de mim, só pode ser isso!"
Eu olhei para Pedro, esperando ver um lampejo de dúvida, um sinal de que ele me conhecia, de que ele sabia que eu nunca faria algo assim sem um motivo extremo. Mas não havia nada. Seus olhos passaram por mim como se eu fosse uma estranha, uma funcionária problemática.
Ele olhou para Ricardo, que apenas deu de ombros, e depois para Vanessa, que soluçava em seu ombro. Sua expressão se endureceu.
"Seguranças," ele disse, sua voz agora fria como gelo. "Tirem as duas do prédio. Elas não trabalham mais aqui. E garantam que elas não voltem a entrar."
A decisão foi instantânea. A encenação de Vanessa funcionou perfeitamente. Ele não questionou, não duvidou. Ele simplesmente nos descartou. Naquele momento, o último resquício de sentimento que eu tinha por ele morreu. Era o fim. Os seguranças me soltaram e nos empurraram rudemente em direção à porta. A traição estava completa.
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