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A Fênix Vai Brilhar
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Capítulo 3

Enquanto os seguranças nos empurravam para fora, lembrei de algo. O laptop de Sofia. Ela saiu tão transtornada que o deixou em sua mesa. Aquele laptop não continha apenas o trabalho dela; continha o backup de muitos dos nossos projetos, as pesquisas de mercado que Isabela fez, meus esboços iniciais. Era a prova do nosso trabalho, do nosso valor.

"Esperem!", eu disse, parando de repente. "O laptop da Sofia. Precisamos pegá-lo."

Ricardo, que nos seguia com um sorriso triunfante, ouviu. Seus olhos brilharam com ganância.

"Boa ideia. Nós mesmos vamos pegar. Deve ter muita coisa útil aí."

Ele e Pedro se dirigiram para a mesa de Sofia. Eles iam pegar nossas ideias, nosso esforço, e entregar de bandeja para Vanessa. Eu não podia permitir. Corri na frente deles e me coloquei na frente da mesa, protegendo o laptop com meu corpo.

"Vocês não vão tocar nisso. Isso pertence a ela."

"Saia da frente, Laura," disse Pedro, sua voz perigosamente calma. "Isso é propriedade da empresa."

"As ideias aqui não são. Nós as criamos."

Ricardo tentou me empurrar para o lado, mas eu me mantive firme. Por um momento, ficamos em um impasse tenso. Eu, uma "estagiária", desafiando os dois donos da empresa.

Foi quando Isabela teve uma ideia. Ela se virou para Pedro, sua expressão mudando de raiva para uma súplica calculada. Ela decidiu apelar para o homem que eu um dia pensei que era razoável.

"Pedro, por favor," ela começou, sua voz mais suave. "Pense em tudo o que fizemos. O projeto do 'Residencial Vértice' era apenas um conceito vago quando chegamos. Nós demos a ele forma, trouxemos os investidores, criamos a campanha de marketing. Laura desenhou cada detalhe dos apartamentos decorados. Eu usei minha experiência para criar um plano de divulgação que atingiu o público certo. Fizemos isso porque acreditávamos em vocês."

Ela fez uma pausa, olhando diretamente nos olhos dele. "O que aconteceu com a Sofia foi cruel. Ela não merecia aquilo. Pelo menos tenha a decência de não roubar o trabalho dela também."

Por um instante, eu vi algo no rosto de Pedro. Uma hesitação. A verdade nas palavras de Isabela parecia tê-lo atingido. Mas então, Vanessa, que observava tudo com atenção, se aproximou e colocou a mão no braço de Pedro, choramingando.

"Pedro, querido... não dê ouvidos a elas. Elas estão tentando te manipular. Elas só estão com raiva porque você me escolheu. Elas não se importam com a empresa, só com elas mesmas. Se você deixar elas levarem esse computador, quem sabe o que elas podem fazer com as informações? Podem vender para a concorrência!"

O argumento de Vanessa, embora falso, era exatamente o que a mente calculista de Pedro precisava ouvir. A hesitação em seu rosto desapareceu, substituída por uma máscara de frieza empresarial. Ele olhou para mim, e depois para Isabela, e a decisão estava tomada.

"Ela tem razão," disse Pedro, sua voz desprovida de qualquer emoção. "Tudo o que está neste escritório pertence à Construtora Santos. Ricardo, pegue o laptop."

A esperança que havia surgido em meu peito foi esmagada. Era pior do que eu imaginava. Ele não era apenas um oportunista; ele era fraco, facilmente manipulado por uma bajuladora e completamente desleal. Aquele era o verdadeiro Pedro Santos.

Enquanto Ricardo avançava para pegar o computador, minha mente acelerou. Imagens do último ano passaram diante dos meus olhos. As noites em que ficamos até tarde, discutindo plantas e orçamentos com Pedro. O dia em que viajamos com Ricardo para visitar um terreno, rindo e fazendo planos. Os jantares, as conversas, a sensação de que estávamos construindo algo juntos, não apenas um negócio, mas um futuro. Tudo aquilo tinha sido uma mentira.

Eles não nos viam como parceiras. Eles nos viam como ferramentas. Ferramentas que agora estavam gastas e podiam ser descartadas.

"Nós realmente pensamos que vocês eram diferentes," eu disse, minha voz baixa, mas cheia de um desprezo gelado. "Achamos que a ambição de vocês era para construir algo grandioso, não para roubar e pisotear os outros."

Ricardo riu enquanto pegava o laptop da mesa.

"Grandeza custa caro, querida. E vocês, com essa sua mentalidade de estagiária, nunca entenderiam isso. Vocês são... comuns. Nós somos destinados a mais. E a Vanessa", ele olhou para ela com admiração fingida, "ela entende isso. Ela tem a visibilidade que precisamos."

A palavra "comuns" ecoou em minha mente. Eu, Laura, fundadora da L'Aura. Isabela, a rainha dos blogs de viagem. Nós éramos tudo, menos comuns. Mas eles não sabiam disso. E, naquele momento, decidi que eles continuariam não sabendo. Essa seria minha arma secreta. Deixá-los pensar que éramos insignificantes.

Eu relaxei minha postura, deixando o desespero tomar conta do meu rosto, uma máscara cuidadosamente elaborada.

"Tudo bem," eu disse, com a voz embargada. "Peguem. Peguem tudo."

Isabela me olhou, confusa, mas eu lhe lancei um olhar rápido, um sinal para que ela confiasse em mim. Ela entendeu e também baixou a cabeça, parecendo derrotada.

Ricardo abriu o laptop com avidez, procurando pelos arquivos. Pedro e Vanessa observavam por cima de seu ombro. Eles procuraram por alguns minutos, suas expressões mudando de triunfo para confusão, e depois para frustração.

"Onde estão os arquivos de design final? E a lista de contatos dos investidores europeus?", perguntou Pedro, impaciente.

Ricardo vasculhava as pastas. "Não sei... só tem rascunhos aqui, versões antigas. As coisas mais importantes não estão aqui."

Eles se viraram para mim, desconfiados. Eu dei de ombros, mantendo minha expressão de tristeza.

"A Sofia... ela costumava guardar os arquivos finais em um pen drive pessoal, para trabalhar de casa. Ela deve ter levado com ela."

Era uma mentira, claro. Eu sempre fui cuidadosa. Os arquivos mais valiosos, o núcleo da nossa propriedade intelectual, estavam seguros em meu próprio dispositivo, criptografados. O que eles tinham ali eram apenas migalhas.

Eles se entreolharam, frustrados. A ideia de caçar Sofia por um pen drive parecia mais trabalhosa do que valia a pena. Eles tinham o suficiente para seguir em frente, mesmo que não fosse o tesouro que esperavam.

"Incompetente até para isso," resmungou Ricardo, fechando o laptop com força. "Não importa. Temos o que precisamos para o lançamento. Agora, sumam daqui."

Eles se viraram e foram embora, nos deixando ali, sozinhas no meio do escritório, com os seguranças nos observando. A primeira parte do meu plano havia funcionado. Eles nos subestimaram. E essa seria a ruína deles.

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