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A Fênix Vai Brilhar
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Capítulo 4

Os seguranças nos escoltaram para fora do prédio, sem nenhuma delicadeza. A porta de vidro se fechou atrás de nós, nos deixando na calçada fria da noite. Por um momento, ficamos ali, em silêncio, a humilhação e a raiva girando dentro de nós. Eles tinham ficado com os rascunhos, as sobras do nosso trabalho, e nos descartado como lixo. Mas eles não tinham o essencial. Eles não tinham nosso talento, nossa visão, e o mais importante, eles não tinham a chave para o verdadeiro sucesso. Eu a carregava comigo, em um pequeno e discreto pen drive na minha bolsa.

"Eu não acredito que eles fizeram isso," disse Isabela, quebrando o silêncio. "Eles são piores do que eu imaginava."

"Eles são amadores, Isa. Gananciosos e estúpidos," eu respondi, minha calma voltando. "Eles pensam que ganharam, mas a guerra ainda nem começou."

Naquela noite, não fomos para casa. Fomos até o apartamento de Sofia. A encontramos encolhida no sofá, chorando. Contamos a ela que eles não conseguiram os arquivos importantes e que iríamos lutar. Mas o dano à sua confiança já estava feito. Ela estava aterrorizada com as ameaças de Ricardo.

Decidimos realizar um pequeno "funeral". Não para Sofia, que estava viva, mas para a sua carreira naquela cidade, que os irmãos Santos tinham tentado matar. Pegamos seu crachá de estagiária, o pequeno vaso de planta de sua mesa que conseguimos recuperar, e uma cópia impressa da carta de demissão injusta. Em uma lata de metal na varanda, queimamos tudo. Foi um ritual simples, mas simbólico. Estávamos queimando o passado, a dor, a identidade de vítimas. Das cinzas, algo novo iria nascer. Prometemos a Sofia que não apenas limparíamos seu nome, mas que lhe daríamos uma posição em nosso verdadeiro império quando a hora chegasse.

No dia seguinte, o lançamento do "Residencial Vértice" aconteceu como planejado. As notícias estavam por toda parte. Os irmãos Santos, sorridentes, posavam para as fotos ao lado de Vanessa, que usava um vestido chamativo e falava com a imprensa como se tivesse projetado o prédio inteiro. Eles brindavam com champanhe, celebrando seu sucesso construído sobre nossas costas, sobre a dor de Sofia. A visão deles, tão felizes e triunfantes, alimentou ainda mais o fogo da minha vingança.

Enquanto eles celebravam, eu preparava meu contra-ataque. Fui ao meu ateliê, um lugar que os irmãos Santos nem sabiam que existia. Lá, entre tecidos caros e manequins, eu tinha uma pequena caixa de madeira entalhada. Dentro dela, havia um broche. Não era uma joia cara, mas era único. Um design meu, uma fênix estilizada, com pequenas pedras que pareciam brasas. Eu o fiz pensando em Pedro, um dia. Pensei em dá-lo como um símbolo do nosso sucesso conjunto, de renascer para algo maior. Agora, ele teria um novo significado.

Naquela tarde, vesti um terninho simples, prendi o cabelo em um coque baixo e fui até o local do evento de lançamento. Parecia uma funcionária de baixo escalão, uma mensageira. Ninguém me barrou. Encontrei Pedro no meio da multidão, recebendo os parabéns de todos.

"Pedro," eu o chamei.

Ele se virou e, por um segundo, pareceu surpreso ao me ver. Seu sorriso vacilou.

"Laura. O que você está fazendo aqui?"

"Eu vim me despedir," eu disse, com uma calma que o desestabilizou. "E para te entregar isso."

Eu estendi a pequena caixa de madeira para ele. Ele a pegou, desconfiado.

"O que é isso?", ele perguntou.

"Um presente de despedida. Para celebrar o seu..." eu fiz uma pausa, "sucesso."

Ele abriu a caixa e viu o broche da fênix. Ele não entendeu o simbolismo, claro. Para ele, era apenas um acessório bonito. Naquele momento, Vanessa se aproximou, se agarrando ao braço dele.

"O que é isso, querido? Oh, que lindo!", ela exclamou, pegando o broche da caixa. "É para mim? Você é tão atencioso!"

Antes que Pedro pudesse responder, ela prendeu o broche em seu vestido. "Combina perfeitamente comigo, não acha?"

Pedro olhou para mim, depois para ela, e forçou um sorriso. "Sim, querida. Fica ótimo em você."

Ele se virou para mim, sua expressão uma mistura de constrangimento e arrogância.

"Obrigado pelo... presente, Laura. Foi um gesto... simpático. Mas agora, se nos der licença, temos convidados importantes para atender."

Ele estava me dispensando. Mais uma vez.

"Claro," eu disse. "Adeus, Pedro."

Eu dei as costas para eles e caminhei em direção à saída, sem olhar para trás. Eu podia sentir os olhos dele em mim, confusos com a minha atitude. Ele achava que eu tinha ido lá para admitir a derrota, para dar a ele um último presente de uma ex-admiradora. Ele não fazia ideia de que eu tinha acabado de entregar a eles o cavalo de Troia.

Ao sair do prédio e entrar no ar fresco da tarde, peguei meu celular e disquei um número.

"Isabela? Está tudo pronto."

"Ele pegou?", ela perguntou do outro lado da linha.

"Melhor. Ele deu para a Vanessa. Ela está usando agora."

Uma risada baixa veio do outro lado. "Perfeito. Eles são tão previsíveis."

"Agora, é a minha vez," eu disse, olhando para o céu. "É hora de deixar a estagiária morrer."

Entrei no carro que me esperava. Fechei os olhos por um instante. Adeus, Laura, a estagiária. Olá, Laura, a Fênix. Eu estava pronta para renascer. E meu renascimento seria a ruína deles. O pen drive no meu bolso continha as plantas originais, os contratos, as provas de que o "Residencial Vértice" era uma fraude, construído com materiais mais baratos do que os prometidos aos investidores, uma bomba-relógio de problemas estruturais. E o broche? O broche era o detonador. Ele continha um minúsculo dispositivo de rastreamento e gravação. Eu ouviria cada palavra, cada plano, cada mentira. Eles me deram acesso total ao seu círculo íntimo. A vingança estava apenas começando.

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