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Sem Segundas Chances Para Traidores
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Capítulo 3

Dei a ele dez minutos de vantagem antes de sair da festa. Peguei o elevador de serviço até a garagem, meus movimentos rápidos e silenciosos. Meu próprio carro estava estacionado em uma seção privativa. Entrei e saí para a rua.

Foi fácil encontrar o carro dele. Ele dirigia um carro esportivo personalizado que era impossível não notar. Mantive uma distância segura, com os faróis apagados. Ele dirigia rápido, afastando-se do distrito comercial e em direção aos novos e luxuosos prédios residenciais.

Ele entrou na garagem subterrânea de um prédio de apartamentos moderno e elegante. Estacionei do outro lado da rua e observei.

Alguns minutos depois, Kátia Moraes saiu do lobby do elevador. Sua postura profissional havia desaparecido. Ela usava um robe de seda, com os cabelos soltos. Parecia impaciente.

Quando o carro de Davi parou, ela correu até ele, sua expressão uma mistura de beicinho e prazer.

"Você demorou uma eternidade", ela reclamou, com a voz brincalhona.

Davi saiu do carro, com um sorriso largo no rosto. Ele a puxou para seus braços.

"Eu tive que fugir da festa", disse ele, a voz baixa e íntima. "Eu tinha uma surpresa para alguém especial."

Ele gesticulou vagamente para o céu, onde os últimos fogos de artifício estavam desaparecendo. "Você gostou deles?"

"Eram para mim?", ela perguntou, os olhos se arregalando. "Pensei que fossem para... ela."

"Eu estava pensando em você o tempo todo", disse ele, beijando-a profundamente. "Eu prometo, Kátia. Só mais um pouco de tempo. Assim que este negócio for fechado, eu resolvo as coisas."

Eu estava sentada no meu carro, com o motor desligado, observando-os pelo retrovisor. Minhas próprias palavras de anos atrás ecoaram em minha mente. Os fogos de artifício do aniversário. Eu havia dito a ele que era extravagante demais, que deveríamos economizar o dinheiro. Ele havia insistido. Agora eu sabia por quê. O grande gesto romântico não era para sua esposa. Era para sua amante.

Como pude ser tão estúpida?

Kátia envolveu os braços em volta do pescoço dele, pressionando o corpo contra o dele.

"Eu não quero esperar, Davi", ela ronronou. "Fico com ciúmes de pensar em você com ela."

Ele riu, um som baixo e rouco. "Você não tem do que ter ciúmes."

"Então prove", ela sussurrou, as mãos deslizando pelo peito dele. "Mostre-me quem você realmente quer."

Ele não precisou de mais incentivo. Ele a pegou no colo, as pernas dela envolvendo sua cintura, e a carregou em direção ao carro dele.

Ela soltou um gritinho de riso.

Ele a empurrou contra a porta do passageiro, sua boca encontrando a dela novamente. Os vidros eram escuros, mas eu podia ver suas silhuetas se movendo juntas, uma dança frenética e desesperada.

Afundei no meu assento, meu corpo escondido nas sombras. Uma única lágrima escapou e traçou um caminho frio pelo meu rosto. Eu a enxuguei com raiva.

Ver uma vez em uma foto era uma coisa. Ver ao vivo era outra. A traição parecia nova, uma ferida aberta novamente.

Lembrei-me de suas promessas, seus votos. Tudo mentira.

O que ele via nela? Ela era jovem, ambiciosa e óbvia. Era só isso que era preciso? Um brinquedo novo e brilhante para substituir o antigo e familiar?

Forcei-me a respirar fundo e devagar. Depois outra vez. Eu não ia desmoronar. Não aqui. Não agora.

Eu tinha um plano. Eu tinha uma saída.

Apenas mais quarenta e sete horas. O pensamento era uma tábua de salvação. Eu suportaria isso. Eu passaria por esta noite, e então estaria livre.

Não voltei para a festa. Dirigi para casa, para nossa casa grande e vazia. A casa que construímos juntos, cheia de memórias que agora estavam manchadas. Fui direto para o nosso quarto e deitei, sem me preocupar em tirar o vestido.

Devo ter adormecido, porque fui acordada pelo som da porta do quarto se abrindo. Eram quase 3 da manhã.

Davi estava na porta, sua silhueta contra a luz do corredor. Ele parecia tenso.

"Alana? Você está aqui. Eu estava tão preocupado."

Ele correu para a cama, o alívio inundando seu rosto quando me viu.

"Voltei para a festa e você tinha sumido. Você não atendeu o celular. Pensei que algo tivesse acontecido."

Eu quase ri. Preocupado. Ele só estava preocupado porque seu álibi perfeito, sua esposa amorosa, havia desaparecido.

"Você voltou tarde", eu disse, minha voz seca. "Deve ter sido um grande problema com o servidor."

"Foi", disse ele, sem hesitar. "Uma bagunça de verdade. Mas já está tudo resolvido."

Ele se sentou na beirada da cama, pegando minha mão. Seu toque era nojento.

Eu estava ficando boa nisso, percebi. Mentir. Fingir. Ele me ensinou bem.

Ele parecia tão aliviado por eu estar bem, por seu mundo perfeito ainda estar intacto. Ele me puxou para um abraço, enterrando o rosto no meu cabelo.

"Nunca mais me assuste assim", ele sussurrou. "Se eu te perdesse, não saberia o que fazer. Eu vasculharia o mundo inteiro por você."

Fiquei perfeitamente imóvel em seus braços, suas palavras me envolvendo como uma jaula.

Não se preocupe, Davi, pensei. Logo você terá a chance de provar.

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