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O MARIDO DA HERDEIRA
img img O MARIDO DA HERDEIRA img Capítulo 4 Entre Estantes e Segredos
4 Capítulo
Capítulo 6 À Beira da Piscina, à Beira de Nós img
Capítulo 7 A Última Noite do Nome Antigo img
Capítulo 8 O nome que ele quer, o poder que eu não dou img
Capítulo 9 A Suíte img
Capítulo 10 Café Amargo, Palavras Frias img
Capítulo 11 O Teatro dos Ricos Não Tem Cortina img
Capítulo 12 Castiel Group img
Capítulo 13 Uma Semana, Dois Campos de Batalha img
Capítulo 14 A Herdeira em Campo de Guerra img
Capítulo 15 Silêncio com Gosto de Pecado img
Capítulo 16 Uma queda, um colapso img
Capítulo 17 Café da manhã real img
Capítulo 18 Clara tem nome e sombra img
Capítulo 19 Negócios, sangue e um pouco de mágoa img
Capítulo 20 Visita Indesejada img
Capítulo 21 Território Invadido img
Capítulo 22 Entre os Corpos, O Caos img
Capítulo 23 O Destino não tem vergonha img
Capítulo 24 Depois do fim do mundo img
Capítulo 25 Debaixo da Chuva, o Orgulho Some img
Capítulo 26 A Primeira Vítima é o Silêncio img
Capítulo 27 Quando a Armadura Cai img
Capítulo 28 Quando a paz dura só até o celular vibrar img
Capítulo 29 Quando o passado bate na porta... Ele não pede licença img
Capítulo 30 Eu Sou Teu. E Isso É Tudo. img
Capítulo 31 Se não dá para derrubar, aprende a temer img
Capítulo 32 Quando a sua existência incomoda... Seja inesquecível. img
Capítulo 33 Eu só preciso de você. Aqui. Agora. Sem o mundo. img
Capítulo 34 Tem coisas que o mundo não precisa ver... Mas eu preciso saber img
Capítulo 35 Nem todo silêncio é paz. Alguns... GRITAM. img
Capítulo 36 Cada um segura uma guerra img
Capítulo 37 A verdade vem em doses... cortando. img
Capítulo 38 Quando a ausência vira silêncio... img
Capítulo 39 Quando a gente segura o que não sabe se aguenta img
Capítulo 40 Eu posso até ser sua, mas não sou refúgio para o seu passado. img
Capítulo 41 Entre cicatrizes e silêncios, o mundo segue queimando img
Capítulo 42 Quando o amor sangra, o orgulho veste armadura img
Capítulo 43 Quando o amor vira faca afiada img
Capítulo 44 A mulher que sempre segurou o mundo img
Capítulo 45 Quando a dor vira chama img
Capítulo 46 O Café da Manhã Mais Amargo do Mundo img
Capítulo 47 Onde o Silêncio Diz Tudo... e o Orgulho Diz Mais Ainda img
Capítulo 48 O silêncio que sobra img
Capítulo 49 O passado se fez presente img
Capítulo 50 Quando o Amor vira Ruína e Sangue img
Capítulo 51 Quando a educação acaba e o caos começa img
Capítulo 52 A Rainha não negocia. Ela ordena. img
Capítulo 53 O enjoo que veio do inferno img
Capítulo 54 Positivo ou Negativo img
Capítulo 55 Se der positivo, minha vida nunca mais vai ser minha img
Capítulo 56 E agora img
Capítulo 57 O silêncio precisa ser quebrado por alguém que saiba escutar. img
Capítulo 58 O Passado Não Bate na Porta. Ele Manda Mensagem img
Capítulo 59 Verdades que não libertam... Afundam! img
Capítulo 60 Algumas verdades não entram pela porta. Elas arrombam img
Capítulo 61 Silêncio também é uma forma de guerra img
Capítulo 62 O Buquê Quebrado img
Capítulo 63 A Refeição e a Rendição img
Capítulo 64 O Trono Tinha Meu Nome img
Capítulo 65 Antes do Terremoto img
Capítulo 66 Veneno em Seda img
Capítulo 67 Após o jantar img
Capítulo 68 E Se Eu Herdar o Caos img
Capítulo 69 A Ligação Que Nunca Devia Ter Existido img
Capítulo 70 O lugar onde o silêncio tem voz img
Capítulo 71 Ela está grávida, Caius img
Capítulo 72 Pela Primeira Vez, Mãe img
Capítulo 73 Galpão Escuro img
Capítulo 74 O Primeiro Encontro img
Capítulo 75 Emboscada no Porto img
Capítulo 76 O Começo Depois da Tempestade img
Capítulo 77 Nós três img
Capítulo 78 Estamos todos juntos nisso img
Capítulo 79 Ele é a melhor parte de nós dois img
Capítulo 80 Recomeços img
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Capítulo 4 Entre Estantes e Segredos

POV Selene Castiel

A biblioteca da mansão é o único lugar onde ainda me sinto... sozinha.

O cheiro de couro dos livros antigos, o silêncio denso, a madeira escura. Tudo aqui grita poder antigo, herança, tradição. Tudo que eu nunca pedi, mas carrego como um fardo com etiqueta de luxo.

Estou sentada no chão, entre duas estantes, com um copo de vinho roubado da adega e um livro aberto que não li nenhuma linha. O salto jogado de lado, o cabelo preso com uma caneta. Eu - a herdeira, a CEO, a manchete viva - em sua forma mais crua.

Então ele entra.

Como sempre. Do nada. Como se o universo tivesse prazer em me jogar no caos.

Caius Varella.

Camisa preta dobrada até os cotovelos, jeans escuros e aquele olhar que parece te despir com calma. Ele me vê no chão, e não ri. Nem se surpreende. Apenas se aproxima.

- Estava te procurando. - diz.

- Parabéns, então. Me achou. - respondo sem levantar o olhar.

Ele para em pé à minha frente. Me observa como se eu fosse parte do mobiliário, mas daquelas peças que você quer levar pra casa e não sabe por quê.

- Posso?

- Sentar ou julgar?

- Os dois, talvez. - ele dá um meio sorriso e senta ao meu lado.

Ficamos ali, encostados na estante, o silêncio entre nós vibrando.

- Por que aqui? - ele pergunta.

- Porque a biblioteca é o único lugar onde ninguém vem pra fazer cena.

- E você precisa fugir de cena?

Dou um gole no vinho, sem responder. Ele continua:

- Você sempre posa como uma tempestade... mas aqui, tá mais pra furacão depois do estrago.

Viro o rosto devagar.

- Você tem talento pra metáforas, Varella. Já pensou em escrever um livro?

- Já pensei em viver um. Com alguém que não foge da própria história.

O silêncio corta como navalha.

- Isso é uma cantada?

- Isso é um aviso.

- De quê?

- De que eu vejo você. Por trás da pose, dos escândalos, das armaduras. E isso, Selene... te apavora.

O vinho fica amargo na boca.

- Sabe o que me apavora, Caius? A ideia de que você acha que me entende.

- Eu não acho. Eu sinto.

Ficamos frente a frente. O ar carregado. Os olhos dele nos meus, sem medo. Sem máscara.

E então ele se inclina.

Mas não me beija.

Apenas encosta a testa na minha. Um toque leve, íntimo, quase sagrado.

- Você não precisa fugir o tempo todo.

- E se for a única coisa que sei fazer?

- Então me deixa te ensinar outra.

O chão parece desaparecer.

Mas antes que qualquer coisa aconteça, a porta da biblioteca se abre.

Dona Nair aparece na porta da biblioteca, segurando um pano de prato e com aquele olhar carinhoso que só ela consegue lançar, como se soubesse exatamente o que está se passando mesmo sem ter ouvido uma palavra.

- Menina Selene... o jantar já terminou há um tempo. Seu pai pediu pra ver você antes de subir. Tá tudo bem?

Eu me afasto de Caius no mesmo segundo, como se ela tivesse pego a gente fazendo algo errado. Mas Dona Nair não repreende, não pergunta, não julga. Só observa. Como sempre fez.

- Tá sim, Nair. Eu só... queria um pouco de silêncio. - me levanto, ajeitando o vestido.

Ela sorri, aquele sorriso cheio de história e cuidado.

- Silêncio é bom. Mas cuidado pra ele não virar solidão, viu?

Me beija a testa e sai, deixando um rastro de cheiro de bolo e saudade de mãe.

Caius se levanta logo depois, passa por mim e diz, bem baixo:

- A senhora que cuida de você tem mais sabedoria do que muita gente rica que eu conheci. Você devia escutar mais.

Não respondo. Porque escutar dá trabalho quando a gente vive tentando se esconder do som.

***

Já era umas 23h quando o meu celular vibra.

PIETRO: Estou aqui fora.

Olho pela janela e, sim, o desgraçado está mesmo: Pietro Moreau. Encostado num carro preto brilhante, com aquele terno que cheira a vaidade e perfume caro. Sinto o estômago virar.

Desço.

Sozinha.

Sem salto. Sem pressa.

Abro o portão com frieza.

- Você está louco?

- Louco por você, talvez. - ele sorri, aquele sorriso cínico de sempre. - Selene, a gente precisa conversar. Isso entre você e esse cara... esse tal noivado... não pode ser sério.

- Isso entre mim e você já acabou, Pietro. Você só gostava da Selene que te obedecia. E essa morreu faz tempo.

- Não finge. Eu te conheço.

- Não. Você conheceu uma parte de mim. A mais burra.

Ele se aproxima. Rápido demais. A mão quase encosta no meu braço.

- Eu sinto sua falta. Eu penso em você toda noite.

- Então pensa calado. O que ainda acontece entre a gente é algo casual, Pietro.

Dou um passo pra trás. Fria. Firme. Pela primeira vez, ele vê que não tem mais acesso. E isso o desconcerta.

- Vai embora, Pietro. Antes que eu mande te retirar. E dessa vez... não com palavras.

Ele me olha por mais dois segundos. Entra no carro e parte. Sem drama. Sem volta.

Viro pra entrar de novo. E então o vejo.

Caius.

No jardim lateral, ao lado do velho carvalho iluminado. Camisa branca, mangas dobradas, e aquele olhar.

Aquele maldito olhar.

- Você gosta de adrenalina, né? - ele diz, com a voz rouca de quem não sabe se está com raiva ou excitado.

- Você sempre aparece assim? - retruco. - Do nada?

- Eu não apareço. Você que se exibe.

Dou um passo. Ele também.

- Ele era alguém do seu passado?

- Era.

- E quer ser presente?

- Não mais.

Ficamos frente a frente. Só a grama e a raiva nos separando.

- Eu não gosto de ver homem tocando o que é meu. - ele solta, num tom grave que me faz estremecer.

- Eu não sou sua. - rebato.

- Ainda não.

Silêncio.

A lua escorrendo no rosto dele, a tensão entre nós pulsando como um trovão prestes a estourar.

- Você está com ciúmes? - pergunto, arqueando a sobrancelha.

- Eu estou com fome.

- De quê?

- De tudo que você não me dá. Ainda.

Ele dá mais um passo. Estamos perigosamente perto. A respiração dele entra na minha. O calor do corpo invade o ar.

- Você quer brincar comigo, Caius?

- Não. Eu quero incendiar você. E ver o que sobra depois.

O mundo para. Por um segundo, tudo que existe são nossas bocas, quase tocando. Mas ele não beija.

Ele apenas olha.

Depois vira as costas.

E vai embora.

Me deixando ali, no jardim, com o coração na boca e a certeza de que esse homem é o único capaz de fazer o que ninguém mais conseguiu: me despedaçar... com calma.

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