Cansado dos joguinhos e da manipulação constante, tudo o que ele desejava era que elas simplesmente desaparecessem.
No movimento, sua mão esbarrou no bolso e o abotoador de prata dos Cain, pesado e gelado, deslizou e caiu sobre o tapete persa, abafado, mas estrondoso no silêncio tenso da sala.
Os três olhares se voltaram ao mesmo tempo para o objeto no chão, e Danielle, sempre rápida, se abaixou para pegá-lo.
"O que é isso?", ela questionou, a voz carregada de desconfiança enquanto examinava o 'C' estilizado. "Nunca vi esse modelo antes."
Num gesto brusco, Donavan arrancou o item da mão dela. "Não é nada."
A reação dura só aumentou o alarme que já tomava conta das três.
"Isso não veio das nossas famílias", afirmou Jinnie, franzindo o cenho. "De onde tirou isso, Donavan?"
"Então é por isso que está tão frio com a gente?", acusou Kortney, dando um passo à frente. "Já escolheu outra?"
O medo nelas era evidente - não se tratava da angústia de mulheres rejeitadas, mas do pavor de jogadoras prestes a perder sua peça mais poderosa, aterrorizadas diante da possibilidade de ver ruir o escudo dos Pittman, aquele que mantinha Jeb protegido em seu pedestal.
"E se eu tiver?", devolveu Donavan, num tom cruel que fez a cor sumir dos rostos delas - uma satisfação amarga se contorceu dentro dele.
"Isso é impossível!", gritou Kortney. "O herdeiro dos Pittman tem obrigação de se casar com uma de nós! Sempre foi assim, é tradição!"
"Precisa dar uma resposta agora", pressionou Danielle, a voz tensa. "Escolha uma de nós."
Diante delas, Donavan enxergava apenas arrogância e posse, a convicção absoluta de que a vida dele pertencia a elas e poderia ser usada como peça em seus jogos. Na primeira vida, ele aceitara esse destino, acreditando que fosse amor, mas agora, via a verdade nua - não passava de domínio.
Levantando o abotoador, ele disse: "Isso aqui é um brasão de família, símbolo de uma aliança de casamento."
Os olhos das três brilharam com uma esperança imediata, convencidas de que só poderia ser um novo design criado por alguém da família delas, um presente secreto.
Então, ele continuou: "Só que não veio dos Mason, nem dos Peterson, e muito menos dos Pierce."
Elas se entreolharam, sem conseguir processar o que tinham acabado de ouvir.
"Ah, comprou um abotoador novo", riu Kortney, aliviada, escolhendo a explicação mais cômoda. "Donny, você quase nos matou de susto! É lindo, deixe eu ver."
Ela pegou o acessório da mão de Donavan, fixando-o no punho da camisa dele enquanto se demorava no toque. "Ficou perfeito em você."
"A gente paga por ele", se adiantou Danielle, puxando da bolsa um cartão de platina. "Considere um presente, para compensar o susto."
Logo as três o cercaram, ajeitando sua gola, elogiando o abotoador e registrando fotos no celular, como ele se fosse um triunfo - haviam entendido suas palavras como brincadeira, como um teste de afeto, e continuavam acreditando que ele permanecia indeciso, ainda disponível.
A cena inteira era tão absurda que Donavan quase riu, ou gritou, talvez os dois. Ele se sentia como um fantasma assistindo ao próprio funeral, observando as pessoas de luto comemorarem.
Nesse instante, a porta da sala se abriu e Jeb entrou mancando, trazendo no rosto um sorriso alegre e iluminado.
"Que festa é essa?", ele perguntou, fixando os olhos nos presentes sobre a mesa. "Ah, são para mim?"
O feitiço se quebrou e imediatamente as três voltaram toda a atenção para Jeb, irradiando verdadeira devoção.
"Claro que não, bobinho", respondeu Kortney, batendo de leve no nariz dele. "Esses são para o Donny."
"Mas, já que ele não quer...", emendou Danielle, piscando de forma cúmplice, puxando uma caixa com um relógio de edição limitada e colocando nas mãos de Jeb. "Fica para você."
Donavan acompanhou em silêncio enquanto os presentes destinados a ele eram despejados em Jeb, que bancava o modesto, fingindo relutância antes de aceitar com graça.
"Chega", ele pensou.
Sem dizer palavra, virou as costas e deixou a sala, abandonando os quatro no pequeno mundo fechado e perfeito.
No escritório, fechou a porta e retirou o abotoador frio de platina do punho. Para ele, esse objeto era a promessa de outro futuro - um caminho pautado pela lógica dura e sem espaço para dor.
E sabia que, cedo ou tarde, teria que se acostumar a ele.