Ele achou que seu pai tinha ido longe demais...
Marlyn saiu de seu novo quarto e subiu as escadas para encontrar sua mãe, mas, ao começar a descer, notou alguém entrando na casa. Ela parou por um momento para olhar para essa pessoa.
Ele a encarou como se estivesse buscando sua alma. A situação a deixou tensa e desconfortável, e ela continuou descendo as escadas. Quando chegou ao final da mesma nota, o homem era enorme e tinha um olhar muito feroz.
Ela olhou para cima e o viu cruzar os braços. Marlyn franziu a testa levemente enquanto ele a encarava. Era como se ele a estivesse julgando por algo, mas o quê? Ele não estava naquela casa por vontade própria.
-Então é você! -Eu nunca imaginei algo assim, - Eduardo olhou para a garota de cabelos castanhos de cima a baixo.
-Como? -Marlyn não entendeu o que o estranho queria dizer.
-Você é quem se envolveu com o meu pai, -a jovem arregalou os olhos. -Eu nunca imaginei que ele... Você não tem vergonha?, -reclamou Eduardo, incapaz de suportar a ideia de saber que aquela garota era a esposa do seu pai.
-O que você está dizendo? Eu não...
-Não tente se fazer de vítima em tudo isso. -O CEO inclinou-se levemente em sua direção até encostar a bochecha dela na sua. -Você não vai conseguir nada.
Naquele momento, Marlyn sentiu o coração acelerar por ter aquele homem tão perto. Ela ficou tão nervosa que não sabia como responder. A verdade era que a única coisa que a mantinha tensa era a extrema proximidade do homem.
Ela congelou, mas conseguiu encará-lo com o canto do olho e pôde ver a intensidade em seus olhos castanhos. Ele conseguia vislumbrar algumas manchas esverdeadas que se destacavam bastante, transformando aquele olhar em um olhar de leão.
Marlyn ficou tensa com a maneira como ele a olhava. A jovem piscou, sem saber por quê, mas todo o seu corpo tremia, até mesmo as partes que não deveriam.
-Entendido?
-Eduardo? Marlyn? Nossa! Vocês já se conheceram. - O CEO se afastou dela, ainda a encarando.
-Sim, eu já tive o prazer, pai, -disse ele como se não tivesse feito nada de errado.
-Estou muito feliz. Só espero que vocês se deem bem, porque, afinal, vocês dois são meio-irmãos.
Cláudio deu um largo sorriso ao lado de Marlyn. Naquele momento, Eduardo encarou o pai com os olhos arregalados, e a jovem morena também olhou para o velho, surpresa.
-Meio-irmãos?, -disse o loiro, olhando para a morena à sua frente.
-Ela é filha da Mirella... Não tive tempo de te contar, já que você saiu de casa tão rápido, mas ela é a Marlyn.
Os dois se entreolham, espantados. Eduardo jamais imaginou que aquela moça fosse filha da nova esposa de seu pai. Ele pensava que ela era sua...
-Prazer em conhecê-lo, -diz ela com aquela voz doce que o faz franzir a testa.
-Oh! Meu querido, meu filho chegou, venha conhecê-lo.
Quando o CEO vira o rosto, percebe que a esposa de seu pai não era nada do que ele imaginava. Na verdade, era uma mulher mais velha, não tão velha quanto Cláudio, mas não uma criança como a que estava à sua frente.
Ele olha novamente para Marlyn, que desviava o olhar. Teria que conversar com ela a sós para esclarecer certos pontos. Fosse quem fosse, seu pai se casara com uma mulher com uma filha bastante velha; era óbvio que essa herança seria muito próxima.
-Eduardo, que bom te ver. Seu pai me falou muito sobre você. -O loiro sorri de lado. A verdade é que ele não queria estar ali, mas estava ali pela companhia; Ele não ia perder tudo só por uma mulher e sua filhinha.
-Sim, muito obrigado por me convidar para jantar.
-Tudo bem, esta é a sua casa. Eu só quero que todos nós nos demos bem.
Ele assente enquanto observa o rosto da mulher. Era óbvio que ela era bastante modesta; não parecia o tipo de mulher que passaria tempo em uma clínica fazendo retoques no rosto. Ele olha para o pai e vê como ele a olha com tanta alegria.
Eduardo desvia o olhar e percebe que sua nova irmã o observa, mas, ao perceber, desvia o olhar.
-Vamos jantar, antes que tudo esfrie.
Cláudio caminha com a esposa, deixando Marlyn e Eduardo para trás. Ela caminha tensa em direção à sala de jantar enquanto Eduardo a observa, notando sua pouca idade. Então, ele balança a cabeça e se pergunta como seu pai se envolveu com uma mulher que tinha uma filha.
Durante o jantar, Eduardo não disse muitas palavras; seu assunto de conversa era esparso, assim como o de Marlyn. A jovem se concentrou no jantar, embora seu apetite fosse muito pequeno.
-E quantos anos você tem, Eduardo? Seu pai me disse que você já tem seu próprio negócio e que depende apenas de si mesmo. -Ele olha para o rosto da mulher. Ela se parecia muito com sua filha, exceto que não tinha os olhos cinzentos que a filha dele tinha.
-Tenho 40 anos e, sim, sou bastante independente. -Ele olha para Marlyn, cujo olhar se arregalou ao ouvir sua idade.
-Marlyn já tem 18 anos, fará 19 em breve, -argumenta sua mãe, o que surpreendeu Eduardo, que pensava que ela era menor de idade.
Ele observa a jovem atentamente, percebendo que ela não era tão jovem quanto ele pensava. No entanto, não se importava com a idade dela; mãe e filha eram um problema para ele.
-Espero que você venha comemorar o aniversário dela conosco. -Eduardo olha para o pai, que apenas o encara com um olhar feroz.
-Claro, por que não?
[...]
Depois do jantar, Eduardo desapareceu, usando a desculpa de que havia recebido uma ligação. Enquanto isso, Marlyn já estava cansada de ver a mãe sorrir para o novo marido. Então, ela se desculpou e foi para o quarto.
Ao subir as escadas, ela se pergunta para onde esse Eduardo teria ido. Era óbvio que ele era muito arrogante, nada parecido com o pai dela, que era muito gentil. Bem, foi isso que ele demonstrou à mãe dela.
A jovem nega...
A decisão da mãe de se casar com aquele homem foi muito precipitada, especialmente por ter se mudado para a cidade tão repentinamente.
-Que chato!
-O que está te incomodando? -Do nada, seu corpo foi pressionado contra a parede, e com ele, Eduardo parado à sua frente, olhando diretamente em seus olhos.
-O que você está fazendo?
-O que está te incomodando? - Ela franziu a testa.
-Nada.
Ela não podia falar mal do pai dele; não tinha certeza de como ele reagiria. Além disso, se ela começasse a fofocar com o marido da mãe, isso poderia lhe causar problemas, e isso era a última coisa que ela queria. Ela não via a mãe sorrir daquele jeito havia anos.
-Nada? -Eduardo franziu a testa enquanto olhava nos olhos cinzentos da garota. -Então você é filha da esposa do meu pai.
-Sim. E não se preocupe, não pretendo ficar com nada do dinheiro do seu pai.
-Pelo seu bem, pelo da sua mãe e pelo do meu pai, seria melhor se você não fizesse esse tipo de comentário na frente de nós dois, entendeu? -Marlyn o encara. Ele era arrogante...
-Vejo que você não gosta de mim, e minha mãe também não.
-Você tem razão. Eu não gosto de nenhum dos dois e não gosto que eles estejam aqui. Mas sua mãe já é esposa do meu pai. -Eduardo coloca a mão no rosto dela, deixando Marlyn tensa.
-Eu... eu espero que continue assim e que você não estrague esse casamento.
O CEO franze a testa ao ouvi-la falar, vira o rosto ligeiramente e pensa em algo maluco. No entanto, poderia ser...
-Você e sua mãe estão conspirando contra meu pai?
-O quê?
-É só isso? - Eduardo segura seu queixo para mantê-la firme enquanto a observa. -É por isso que você quer que sua mãe continue casada com meu pai, para tirar tudo dele.
-Você é louca! -Marlyn se solta dele. -Claro que não.
Os dois se olharam nos olhos. Eduardo não entendia que diabos, mas o rosto daquela garota parecia tão... tão impressionante. Enquanto ela segurava seu queixo, seus lábios estavam pressionados e salientes.
Eram como um convite claro para prová-lo, mas por qual motivo?
Enquanto isso, Marlyn estava petrificada. Aquele homem segurava seu rosto, e ela não conseguia fazer nada para tirá-lo de perto. O que diabos havia de errado com ela? Ela piscou várias vezes enquanto encarava aqueles olhos castanhos.
Eduardo se concentra tanto naqueles olhos cinzentos que acaba se aproximando dos lábios de Marlyn sem conseguir se conter. Tão perto, roça neles e, naquele instante, um choque elétrico toma conta de seu corpo.
Sua mente fica em branco e ele acaba provando a boca da meia-irmã. Ele envolve um dos braços em volta da cintura dela e insere a língua em sua boca, devorando seus lábios em questão de segundos enquanto pressiona o corpo de Marlyn contra o seu.
Os olhos da jovem se arregalam e ela coloca suas pequenas mãos nos músculos de Eduardo como se tentasse afastá-lo, mas isso foi realmente estúpido; ele não se afastou por causa de um simples empurrão de alguém que não tinha forças.
Ela olha para o rosto do homem, sentindo a força que ele demonstrou ao beijá-la. Ela também pode senti-lo segurando-a perto. Seu corpo era tão frágil ao lado dele, que era tão enorme e musculoso. Seus olhos gradualmente diminuem à medida que o beijo se torna mais intenso.
Algo não estava certo com ela...
Quando conseguiu fechar os olhos, a imagem de sua mãe sorrindo alegremente com seu novo marido enquanto beijava o filho dele lhe veio à mente. O que ela estava pensando? Estaria pensando em arruinar a felicidade de sua mãe?
Ela acabou empurrando Eduardo e balançou a cabeça rapidamente.
-O que você está fazendo?, -negou. - Por que você me beijou?
Eduardo não tinha ideia do motivo do beijo, mas a intensidade daqueles lábios o dominou; ele não conseguia pensar com clareza.
-Isso pode arruinar o relacionamento dos nossos pais.
-Parece que você se importa muito com isso, -respondeu ele com raiva.
-Claro que se importa. Aparentemente você é uma idiota. -Ela se virou, mas Eduardo agarrou seu braço e a forçou a voltar para o seu lado.
-Idiota?, -rosnou ele contra o rosto dela.
O loiro olhou para baixo e encarou os lábios inchados de Marlyn. Aparentemente, as intenções daquela garota eram muito claras. E certamente as de sua mãe eram as mesmas; Ela precisava fazer algo para dar uma lição naqueles dois.
E ela pretendia começar pela meia-irmã...