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A HERANÇA DO CEO Separados pelo Azar, Unidos pelo Destino
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Capítulo 5 O CORPO QUE AINDA LEMBRA

O toque que ainda arde na pele

CAIO MOREAU BASTIEN

A chuva batia contra a vidraça como um pedido. Como um lembrete.

Lá fora, o mundo desabava em água. Aqui dentro, eu sentia o peso dela lutando para não desabar também.

Vi Alinna se levantar da cama devagar, o roupão de seda amarrado no corpo magro como uma segunda pele cansada. A casa estava silenciosa, quase como se tivesse medo de respirar junto com ela. Segui seus passos descalços ecoando no piso frio até a biblioteca.

Quando entrei, o cheiro familiar de madeira antiga e livros me atingiu como um soco. A luz suave da luminária fazia sombras dançarem pelas prateleiras. Foi então que a vi abaixada, segurando uma fotografia caída no chão, gasta nos cantos.

Eu sabia qual era antes mesmo de enxergar.

A foto dos dois irmãos. Eu e Eduard.

Felizes. Intactos. Antes de tudo.

A lembrança veio com força.

---

FLASH DE MEMÓRIA

- Vem, Alinna! - eu ri, encostado no muro do jardim. - Só mais um beijo. Você é covarde?

Ela sorriu, os olhos brilhando de nervoso e desejo.

- Cala a boca, Caio.

Me aproximei. As bocas quase se tocaram. O tempo congelou entre dois jovens que não faziam ideia do peso que aquilo teria.

- ALINNA! - a mãe dela gritou da cozinha.

Ela recuou, o coração aos pulos, e saiu correndo.

- Eu te vejo amanhã! - gritei atrás dela, ainda rindo.

Ela não respondeu. Mas sorriu no escuro.

---

Voltei ao presente. Ela estava com a foto nas mãos, os olhos marejados. Eu fiquei na porta, preso nela.

- Você estava linda naquele dia - soltei baixo, caminhando até ela. - Antes do vestido. Antes das mentiras.

Ela deixou a foto cair. Caiu leve, como tudo que nunca foi dito.

Acerquei-me dela, segurei sua cintura. Ela recuou, mas não a soltei.

- Você escolheu errado, Ali. Mas ainda dá tempo de se arrepender.

Os olhos dela se encheram de lágrimas.

- O problema, Caio, é esse. Eu nunca tive a oportunidade de escolher nada na minha vida. Eu fui escolhida. Marcada. Julgada. E nunca... entendida. Mas agora... agora eu escolho ser livre.

Ela se afastou, a voz embargada.

- Chega. Eu não tenho mais estrutura pra nada disso.

O sangue me ferveu.

- Você o amava? É isso? Está de luto por ele?

Ela não respondeu.

E então Jarbas apareceu na porta, como sempre na hora exata.

- Senhora Alinna?

Vi ela limpar o rosto com a manga do roupão.

- Sim, Jarbas...

Ele perguntou da reunião. Ela, cansada, quis recusar. Jarbas a encorajou, como quem protege o que é dele. E aquilo me cortou.

- Que porra tá acontecendo aqui? - explodi. - Você tá tendo um caso com um velho e motorista?

O silêncio ficou denso. O olhar dela veio como lâmina.

- Sabe qual a diferença entre nós dois, Caio? É que tudo na minha vida foi uma mentira. Inclusive você.

Ela passou por mim sem esperar resposta.

Eu travei.

Jarbas ficou. Deu um passo à frente e me encarou.

- Tem algo a me perguntar, senhor?

- Tenho sim. - rosnei. - Desde quando você tá fodendo ela?

A mão dele foi certeira. Segurou minha gola, me puxando até sentir o hálito quente dele no meu rosto.

- Meça suas palavras ao falar da minha senhora. Eu não sou seu funcionário. E não te devo porra nenhuma.

Fiquei mudo. A raiva me deixou imóvel.

- E deixa de ser um babaca. Se essa história chegou até aqui, é porque a burrice sempre foi sua.

Ele me empurrou. Tropecei, quase caí.

- Agora, se um dia o senhor parar de ser esse... imbecil, pode me chamar pra conversar.

Ele saiu. Sem medo. Sem pressa.

Fiquei ali. Sozinho. Com ciúme, culpa, e a dor dela me atravessando como faca.

Joguei o corpo no sofá, o maxilar travado.

"As palavras dele ecoavam: A burrice sempre foi sua.

- Mas que porra isso quer dizer?

Levantei, andei de um lado pro outro. O peito arfando.

- Será que ele sabe de alguma coisa? - murmurei.

Socando meu próprio punho diante da lareira apagada.

- Por isso disse pra eu chamá-lo? Que merda tá acontecendo?

Cinco meses. Era o prazo. O casamento decidido pelo velho.

- Por que casar com ela em tão pouco tempo? Por quê?

Pensei no peso do nome do meu pai, na humilhação, na culpa herdada.

- Ele não pensou no que vão dizer dela? Viúva se casando com o cunhado em menos de um ano?

- Porra! - soco seco na parede. - Ela vai aceitar?

Subi as escadas em passos largos. O coração descompassado. O sangue fervendo.

Empurrei a porta do quarto dela sem bater.

Ela estava de costas, uma perna apoiada na cama, passando creme nas coxas.

A calcinha preta rendada, o sutiã combinando, o corpo dela moldado como pecado vivo.

O cabelo solto, despenteado. A pele cheirando a lavanda.

Meu corpo reagiu como se fosse memória. Como se sete anos não tivessem existido.

Ela se virou, assustada.

- Pare de entrar no meu quarto sem bater! - puxou o roupão, se cobrindo.

Não respondi. Apenas a olhei. Bebi a imagem. Me aproximei.

- A gente precisa conversar... - disse, a voz mais baixa que meu orgulho.

Fiquei diante dela, com um nó na garganta.

- Já faz sete anos que não via seu corpo. Você amadureceu. E está ainda mais linda.

- Caio, por favor...

Aproximei mais. Passei o nariz devagar pelo pescoço dela.

O cheiro. O arrepio. O passado inteiro colado na pele.

- Caralho... como eu desejo você.

Porra... tô explodindo.

Ela estremeceu.

- Caio... não faz isso...

E ali, entre a chuva batendo na vidraça e o silêncio do quarto, eu soube: o corpo dela ainda lembrava.

E o meu... nunca tinha esquecido.

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