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A HERANÇA DO CEO Separados pelo Azar, Unidos pelo Destino
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9 Capítulo
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Capítulo 9 O LUGAR ONDE ELA VIVE

O amor não nasceu no toque. Nasceu naquilo que ninguém mais via.

O sol batia suave, tingindo a estrada de terra com reflexos dourados. Caio ajeitou a mochila no ombro e seguiu ao lado de Louis, colega da escola e morador da mesma região periférica.

- É mais ali, ó. Logo depois da curva. A casa dela tem um portão baixo e uma cerca de madeira torta. Mas é bonitinha - disse o amigo, sorrindo de canto. - Alinna é... diferente. Todo mundo respeita ela por aqui.

Caio não respondeu. Os olhos estavam fixos à frente, atentos a cada detalhe da estrada de barro, dos pés de acerola vermelha, da pequena criação de galinhas soltas no quintal.

Logo viu. A casa era simples, de paredes caiadas, flores na varanda e um cheiro doce no ar - talvez manga madura, talvez bolo saindo do forno. Um cenário que não combinava com a cidade, nem com a dureza da vida. Era um pedaço de refúgio.

No quintal, debaixo do sol do meio da tarde, ela dançava.

Descalça.

A saia rodada acima dos joelhos girava como um redemoinho, acompanhando os passos dela.

Os cabelos presos por um lenço vermelho balançavam a cada movimento.

Ela sorria - não como quem finge, mas como quem se esquece por um instante de tudo que já doeu.

A mãe, sentada numa cadeira de balanço, acompanhava a cena com os olhos marejados de alegria. Tossia de vez em quando, fraca, mas insistia em não interromper aquele instante.

Caio parou. Não pisou mais à frente.

Ficou encostado num tronco grosso do lado de fora da cerca, o coração batendo como se quisesse sair pela boca.

Ali estava ela. Não como dançarina de gala, mas como mulher real. Viva. Incrivelmente bela mesmo em sua simplicidade.

De repente, a tosse da mãe aumentou. Um som seco, forte, que cortou o ar.

Alinna parou de dançar no mesmo segundo, correu até a mãe e a ajudou a entrar em casa com delicadeza.

Caio continuou ali. Esperou.

Nem piscava.

Não sabia quanto tempo havia se passado quando ela finalmente voltou.

Alinna caminhou até uma árvore no meio do quintal - uma goiabeira - e se sentou no chão, com as costas apoiadas no tronco. Estava cansada, mas havia um brilho nos olhos. Um alívio por a mãe estar melhor.

Caio olhou para os lados. Não havia ninguém.

Então pulou a cerca de madeira com agilidade e caminhou até ela.

Ela se assustou.

- O que está fazendo aqui?

- Vim te ver. - Ele respondeu sem hesitar. - Senti saudades.

Ela franziu o cenho, surpresa, mas não zangada.

- Saudades? Como assim?

Ele se sentou ao lado dela.

Perto. Mas não demais. O cheiro do mato, da terra, da pele dela - tudo estava ali.

- Existem formas de sentir saudades? Eu queria te ver, Alinna. E te procurei. Você não é uma mulher difícil de encontrar.

Ela riu baixo. Uma risada que vinha do fundo do peito, cansada, mas honesta.

- Você é meio louco, sabia?

- Talvez. Ou só meio certo.

Ela o olhou de lado, olhos escuros, pele queimada de sol. Depois suspirou.

- Você quer passear?

Ele sorriu.

- Só se for com você.

Ela se levantou, alisando a saia com a palma das mãos.

- Então vamos.

E ele foi.

Não só atrás dela.

Mas atrás de uma vida inteira que ele ainda não sabia que desejava.

O caminho era de terra batida, com folhas secas pelo chão. O som da água corria num fio fino entre as pedras, cintilando sob a luz filtrada pelas árvores. O riachinho era pequeno, mas limpo. Silencioso. Como se ali o tempo parasse.

Alinna caminhava à frente, os pés descalços. A saia rodada balançava com o vento, o lenço prendendo parte do cabelo que teimava em soltar-se. Ela se virou para ele com um sorriso tímido, sentando-se debaixo de uma arvore de frente para o riacho. Caio sentou ao lado, observando.

- Aqui eu respiro. Quando tudo aperta... eu venho pra cá - ela disse.

- E eu queria apertar tudo só pra te ver aqui - ele respondeu, sem pensar.

Ela riu. Baixinho. Sem acreditar no que estava vivendo.

- Garoto... você não faz ideia do que está dizendo.

- Faço sim. Desde que te vi na festa dançando, que ouvi tua voz... eu tô com esse desejo enorme de...

Ele não terminou.

Beijou.

Forte.

Com desejo.

Ela se assustou. Mas não fugiu. Por um segundo, deixou-se levar. A boca cedeu, os lábios se encaixaram. Era o primeiro beijo dos dois. Mas parecia que o corpo já sabia o caminho.

Ela se afastou sem ar, com as mãos no peito.

- Para... por favor. Eu... eu não posso.

- Por quê? Você tem alguém?

- Olha pra minha vida, Caio. Tem como eu ter alguém? Eu nunca... - a voz embargou - nunca namorei.

Ele se levantou devagar, caminhou até ela. Abraçou-a pela cintura com cuidado, como se ela fosse feita de vidro. Encostou o corpo no dela, na árvore colando suas respirações.

- Você é virgem?

Ela engoliu seco. Assentiu com um movimento pequeno da cabeça.

Caio encostou a testa na dela. O toque era terno, mas a respiração dele era quente, acelerada.

- Então espera por mim. Eu também nunca tive ninguém. E quero assim. Especial. Quero que seja com você.

Ela fechou os olhos, tentando se proteger do que sentia.

- Para, menino. Eu não tenho idade pra me iludir com essas promessas.

- Ei. Eu juro. Eu quero me casar com você. Eu quero você.

Ele a beijou de novo. Lento. Como se tivesse todo o tempo do mundo.

De repente, um grito ecoou da direção da casa.

- ALINNA!

Ela afastou-se sorrindo, assustada.

- Eu preciso ir - disse, ajeitando a saia.

Caio a segurou pela mão. Puxou-a de volta. Beijou mais uma vez. Apertado. Urgente.

- E eu vou voltar.

Ela correu pela trilha com o coração disparado. Atrás dela, Caio ficou parado, olhando as árvores balançando e a água do riacho correndo. Sabia que aquela mulher era diferente de tudo que ele conhecia. Mas também sabia, no fundo, que já era tarde demais.

Ele já estava completamente apaixonado.

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