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Grávida do homem errado
img img Grávida do homem errado img Capítulo 4 Noite de Copos
4 Capítulo
Capítulo 6 Retorno a Casa img
Capítulo 7 O Medo de Perder Tudo img
Capítulo 8 Primeiros Sintomas img
Capítulo 9 Confirmação Médica img
Capítulo 10 Tentando Manter a Aparência img
Capítulo 11 A Tempestade img
Capítulo 12 A Fratura img
Capítulo 13 A Investigação Silenciosa img
Capítulo 14 Encontros Incômodos img
Capítulo 15 A Revelação Sombria img
Capítulo 16 O Peso da Suspeita img
Capítulo 17 O Confronto no Restaurante img
Capítulo 18 A Ruptura Definitiva img
Capítulo 19 O Escândalo Público img
Capítulo 20 O Rejeição Familiar img
Capítulo 21 A Proposta de Leonardo img
Capítulo 22 O Refúgio de Leonardo img
Capítulo 23 Um Refúgio Temporário img
Capítulo 24 O Desafio da Convivência img
Capítulo 25 É hora de entenderes toda a verdade img
Capítulo 26 O Escudo Invisível img
Capítulo 27 Um Novo Papel img
Capítulo 28 E ntre a Sombra e a Luz img
Capítulo 29 A Tempestade Desencadeada img
Capítulo 30 O Fardo da Rejeição img
Capítulo 31 O Apoio Silencioso img
Capítulo 32 O Primeiro Toque img
Capítulo 33 Um Beijo Inesperado img
Capítulo 34 A Confusão Interior img
Capítulo 35 O Ultimato de Rodrigo img
Capítulo 36 Negar o Evidente img
Capítulo 37 A Verdade Vem à Tona img
Capítulo 38 Mas Agora, Ela Não Estava Mais Sozinha img
Capítulo 39 A Voz de um Homem img
Capítulo 40 Palavras Quase Ditas img
Capítulo 41 Não com Paixão Nem Urgência img
Capítulo 42 Queda de um Império img
Capítulo 43 Um Futuro com Risos Infantis img
Capítulo 44 O Julgamento Silencioso img
Capítulo 45 Mentiras Clínicas img
Capítulo 46 Entre o Medo e a Esperança img
Capítulo 47 Entre o Medo e a Esperança img
Capítulo 48 O Assédio Implacável img
Capítulo 49 Cara a Cara com o Passado img
Capítulo 50 O Segredo Oculto img
Capítulo 51 A Noite Que Mudou Tudo img
Capítulo 52 A Confissão Que Quebrou o Silêncio img
Capítulo 53 A Intimação Que Abalou o Império img
Capítulo 54 O Temor Que Espreita img
Capítulo 55 O Acordo de Ana Lucía img
Capítulo 56 Doçura e Família img
Capítulo 57 Vigilância Oculta img
Capítulo 58 O Silêncio Antes da Explosão img
Capítulo 59 Quando o Coração Decide Nascer img
Capítulo 60 Entre a Vida e o Milagre img
Capítulo 61 Amor Sem Condições img
Capítulo 62 Porque o Amor Era Mais Forte que Qualquer Sombra img
Capítulo 63 Vitória Silenciosa img
Capítulo 64 O Julgamento da Verdade img
Capítulo 65 A Mentira Original img
Capítulo 66 Uma Promessa Entre as Ruínas img
Capítulo 67 A Dúvida Que Floresce img
Capítulo 68 O Retorno da Sombra img
Capítulo 69 A Rachadura Invisível img
Capítulo 70 Feridas Que Ainda Sangram img
Capítulo 71 A Detenção e a Fiança img
Capítulo 72 O Temor de Perdê-lo img
Capítulo 73 O Último Ás na Manga img
Capítulo 74 O Fim do Jogo img
Capítulo 75 Renascer Entre os Escombros img
Capítulo 76 O Tribunal da Verdade img
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Capítulo 4 Noite de Copos

A noite havia caído, e a cidade estava envolta em uma mistura de luzes brilhantes e sombras alongadas que deslizavam pelas ruas. Ana Lucía caminhava pela orla com um copo de vinho na mão, o qual ela havia preenchido várias vezes enquanto continuava conversando com Leonardo. O bar já ficara para trás, mas as palavras dele continuavam rondando sua mente, como um eco que não conseguia se dissipar.

O ambiente, apesar da escuridão que cercava a cidade, parecia acolhedor. A brisa do mar soprava suavemente, trazendo consigo um cheiro salgado e fresco que a lembrava da efemeridade das coisas. Ela ainda não conseguia parar de pensar em Rodrigo, nem na conversa que tivera com ele naquela tarde, mas de alguma forma, a companhia de Leonardo a havia desconectado de seu mundo. Era uma sensação estranha, quase perigosa, como se algo dentro dela estivesse despertando, algo que ela nunca havia permitido emergir. Aquela necessidade de escapar, de ser livre, de não estar presa ao peso emocional que sua relação com Rodrigo trazia consigo.

- Sabe? - disse Leonardo, olhando para o horizonte enquanto caminhava ao seu lado. - Às vezes, o que precisamos é desconectar do mundo. De tudo o que nos pesa, de tudo o que nos faz sentir presos.

Ana Lucía o olhou por um momento. O vinho já começara a nublar um pouco sua mente, mas havia algo nas palavras dele que penetrava fundo, algo que a fazia se sentir vulnerável, mas ao mesmo tempo, libertada. Quanto tempo ela ficara presa em sua própria bolha, em sua relação com Rodrigo, nas expectativas dos outros? Tudo sempre fora tão previsível, tão controlado. Rodrigo lhe dera tudo, exceto o que ela realmente precisava: liberdade.

- Eu... - começou a dizer, sentindo o peso das palavras como se fossem pesadas demais para sair. - Fiquei tão ocupada tentando ser o que ele espera que eu seja, que me esqueci de ser eu mesma.

Leonardo a olhou em silêncio, como se pudesse ler sua alma. Não disse nada, apenas a olhou fixamente, seus olhos tão profundos que Ana Lucía sentiu que poderia se perder neles. A conexão entre eles, embora tivesse começado como algo superficial, agora parecia ser algo mais. Algo que a fazia se sentir exposta, vulnerável, mas também incrivelmente viva.

O copo de vinho em sua mão se esvaziou mais uma vez, e Ana Lucía levantou a mão para pedir outro. A garçonete, que já os conhecia por seu tempo no bar, não fez perguntas. O ambiente continuava acolhedor, e o murmúrio das pessoas se fundia com o som do mar quebrando nas rochas próximas. Tudo parecia irreal, como se ela estivesse fora de si, observando sua própria vida de uma distância segura.

À medida que os minutos passavam, a conversa se tornava mais leve, mais fluida. Os assuntos iam e vinham, desde lembranças pessoais até anedotas da vida. Leonardo não parecia querer pressioná-la. Não estava buscando respostas, não estava buscando algo mais. Simplesmente conversavam, e isso era o que mais lhe custava acreditar: a sensação de estar sendo ouvida sem julgamentos, sem expectativas.

Mas enquanto continuava conversando com ele, uma parte de Ana Lucía começava a se sentir culpada. O que estava fazendo? Estava conhecendo um homem que, embora parecesse simpático e compreensivo, era um completo desconhecido. Então, por que, ela se perguntava, sentia como se ele fosse alguém em quem poderia confiar? Por que estava compartilhando com ele pensamentos que só tinha em sua mente, pensamentos que nem Rodrigo sabia? Por que estava permitindo isso?

A resposta, embora não fosse clara, estava ali. Ela estava buscando algo que não encontrava em sua vida. Estava buscando uma faísca, algo que a fizesse sentir viva, algo que não fosse a constante monotonia de sua relação. Não estava buscando amor, não estava buscando um romance. Estava buscando o que havia perdido: ela mesma.

A conversa continuou fluindo, mas dentro dela, Ana Lucía começava a se sentir mais desconectada do que conhecia. O vinho, o ambiente relaxado, a companhia de alguém que não tinha expectativas sobre ela... tudo isso a estava levando a um lugar desconhecido, um lugar onde suas emoções se entrelaçavam com a confusão.

- O bom desses lugares é que você não precisa ser ninguém. - disse Leonardo, quebrando seu trem de pensamentos. - Você pode deixar tudo lá fora, esquecer as pressões, as expectativas, e simplesmente ser você mesma.

Ana Lucía assentiu, embora não estivesse certa de entender completamente o que ele queria dizer. A verdade era que, embora se sentisse mais livre naquele momento do que em muito tempo, havia algo dentro dela que continuava se retorcendo. A culpa. O sentimento de estar traindo sua própria vida, seus próprios princípios. Havia algo errado em tudo isso, algo que ela não conseguia deixar de notar, mas que, por algum motivo, se recusava a ver.

Ao longe, a luz de um carro se aproximava, e Ana Lucía levantou os olhos, como se um golpe de realidade a tivesse atingido. Em sua mente, a imagem de Rodrigo apareceu com força. Seu rosto, sua atitude, tudo o que ele representava para ela. Mas o que mais a impactou foi perceber que, pela primeira vez em muito tempo, ela já não sentia aquela conexão profunda com ele. O espaço entre eles não era apenas físico, como ela pensara antes. Agora, ela percebia que o vazio emocional entre eles era maior do que qualquer coisa que ela pudesse imaginar.

Leonardo, notando sua mudança de expressão, olhou para onde ela estava olhando, mas não disse nada. Em vez disso, apenas a observou, sem pressionar. Era estranho como, apesar da confusão e da desconexão, havia algo em sua presença que a fazia se sentir confortável, como se fosse um refúgio temporário, um lugar onde ela poderia ser ela mesma sem as expectativas de sua vida anterior.

- Sabe? - disse Ana Lucía de repente, mais para si mesma do que para ele. - Às vezes sinto que estou perdendo o controle. Que tudo o que fiz até agora não faz sentido. Não sei quem sou, nem quem quero ser. Estou presa em uma vida que não me pertence.

Leonardo não respondeu imediatamente, mas seu silêncio foi uma resposta em si mesmo. Levantou-se da cadeira e foi até o bar pedir outra rodada de bebidas. Ana Lucía o observou, observando seus movimentos, a maneira como ele se movia com uma confiança que a intrigava. Enquanto o observava, algo dentro dela se despertou. Não era só o vinho que a estava fazendo sentir-se assim. Era a sensação de que, pela primeira vez em muito tempo, ela tinha a chance de ser alguém diferente, alguém novo.

- Aqui está, - disse Leonardo, voltando com os copos. - Às vezes, um pouco de desconexão não faz mal. Talvez só precisemos romper com tudo, mesmo que por um tempo.

Ana Lucía pegou o copo que ele lhe ofereceu, mas antes de dar o primeiro gole, sua mente começou a se encher de pensamentos e perguntas. O que estava fazendo? O que estava realmente buscando naquele momento? E, mais importante, era isso o que ela realmente queria? Um escape temporário de sua vida, uma desconexão que lhe oferecesse um respiro, mas que também a empurrava para um terreno perigoso, para uma confusão que ela não sabia se conseguiria lidar.

O copo em sua mão foi se esvaziando lentamente, e a noite continuou deslizante ao seu redor, levando-a a um lugar onde ela já não conseguia distinguir se estava vivendo sua realidade ou se tudo aquilo era apenas um sonho, uma ilusão fugaz. A desconexão emocional se tornava mais forte, e a confusão, mais profunda. Tudo o que ela conhecia até então parecia se dissolver no ar, enquanto seu coração batia mais rápido, como se estivesse à beira de algo novo, algo desconhecido, mas ao mesmo tempo, incrivelmente libertador.

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