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O Cigano- Legado Maldito
img img O Cigano- Legado Maldito img Capítulo 4 Discussão de casal
4 Capítulo
Capítulo 15 Entre o luxo e a masmorra img
Capítulo 16 Vida amorosa img
Capítulo 17 Ciúmes doentio img
Capítulo 18 Uma sobrevivente img
Capítulo 19 Maldição, é isso que somos img
Capítulo 20 Pesadelo img
Capítulo 21 Passeio de cavalo img
Capítulo 22 Gosta de se achar o herói img
Capítulo 23 O assunto proibido img
Capítulo 24 Ela confia em mim img
Capítulo 25 Imprudente img
Capítulo 26 A visita inesperada img
Capítulo 27 O que ele espera de mim img
Capítulo 28 O peso do silêncio img
Capítulo 29 Por que me trouxe aqui img
Capítulo 30 O peso de uma nova ameaça img
Capítulo 31 O comando no silêncio img
Capítulo 32 A Ruptura do disfarce img
Capítulo 33 A confissão de Seline img
Capítulo 34 O perfume img
Capítulo 35 Sinais vagando img
Capítulo 36 Segredos entrelinhas img
Capítulo 37 Quebra do silêncio img
Capítulo 38 Stefano img
Capítulo 39 O peso do legado img
Capítulo 40 O peso da escolha img
Capítulo 41 Cinco dias img
Capítulo 42 O perfume do perigo img
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Capítulo 4 Discussão de casal

Mas, quando a porta do lavabo se abriu e a luz do corredor devolveu a cena ao salão, Seline percebeu que a máscara voltara a encaixar-se com rapidez cirúrgica. O jantar prosseguiu, as conversas retomaram-se, e Stefano conversava normalmente - como se nada houvesse acontecido.

No fundo do corredor, enquanto voltava para a mesa com o vestido alisado por mãos que agora se tornavam cúmplices, Seline prometeu a si mesma que faria tudo o que fosse preciso para sobreviver. Aprenderia a disfarçar, a escutar, a observar. Se o preço fosse mentir e enganar, que assim fosse - por enquanto. Mas, ao mesmo tempo, a visão do olhar terno de Yarin ficou cravada em sua memória como um mapa possível de salvação.

Ela não sabia ainda como, mas aquela conexão - tão frágil e tão perigosa - poderia ser a brecha que salvaria sua vida. E enquanto o vinho seco no tecido marcava uma linha escura contra a seda, Seline sentiu que a missão era maior do que devassar uma casa: era, talvez, um teste de quem ela seria capaz de se tornar.

Quase se aproximando da mesa, ela finalmente, após pensar bastante, responde a Yarin.

_ Tivemos... uma discussão de casal, sabe!

_ É complicado

_ Não precisa se preocupar __ Ela disse isso dando um sorriso de leve para Stefano que continuou inexpressivo, até olhou para sua boca por uns 9 segundos, rápido mas o suficiente para que a tensão voltasse a recair sobre Seline.

O jantar já se aproximava do fim, e o peso da noite ainda ecoava no coração de Seline. As conversas à mesa se dispersavam, e os funcionários recolhiam discretamente as travessas de prata. O riso contido de alguns convidados contrastava com a respiração acelerada dela, que ainda sentia a pressão do olhar de Stefano fixado em cada movimento seu.

Naquele instante, quando Yarin se despediu da cunhada com um sorriso amável, Seline sentiu que devia começar o que lhe foi ordenado por Stefano. O coração bateu mais forte, a garganta secou e, antes que o silêncio se tornasse mais pesado, as palavras escaparam, trêmulas:

- P-poderia... me dar o seu número de telefone? - a voz saiu baixa, quase um sussurro, como se temesse estar indo rápido demais.

Yarin, surpresa por aquele pedido repentino, abriu um sorriso doce e verdadeiro, os olhos verdes claros refletindo uma ternura que fez Seline sentir um alívio momentâneo.

_ Claro, querida. - respondeu sem hesitar, estendendo a mão para segurar a dela por um breve instante.

_ Acho que será bom conversarmos mais. Sempre é bom ter alguém com quem contar.

O coração de Seline vibrou. Era a primeiro passo, sentia como se estivesse enganando a gentil e amável Yarin, mas não tinha escolha, pois foi jogada no labirinto de ordens de Stefano. Ela guardou aquele número como se fosse um tesouro escondido do seu primeiro passo em sua primeira tarefa e não tão simples.

Logo depois, Yarin e Marcus se levantaram. O marido, como sempre, mantinha o semblante descontraído e uma postura relaxada. Despediu-se de Stefano com um aperto de mão um pouco demorado, enquanto Yarin abraçava Seline de forma breve, mas calorosa.

_ Até logo, Seline. - murmurou Yarin ao pé do ouvido dela.

_ Não hesite em me ligar.

Seline sorriu de leve, sem conseguir responder nada. Apenas assentiu, engolindo o medo e receios que ameaçava denunciá-la.

Quando o casal deixou o salão, o silêncio caiu como uma cortina pesada. O som dos talheres recolhidos cessou, os passos dos empregados desapareceram pelos corredores, e restaram apenas ela e Stefano. Ele não disse nada. Apenas a fitava, imóvel, com aquele olhar de predador paciente.

Seline abaixou os olhos, tentando encontrar consolo no tecido do vestido que Yarin entregou para ela vestir, mas a tensão no ar era tão densa que parecia sufocá-la.

De repente, Stefano se levantou, empurrando a cadeira para trás com força calculada. O som ecoou no salão e fez Seline estremecer. Em dois passos largos, ele estava diante dela. Antes que pudesse reagir, ele a segurou com rispidez pelo braço, seus dedos fortes cravando na pele frágil dela.

_ Levante-se. - ordenou, a voz baixa, mas carregada de um perigo que não permitia recusa.

Assustada, Seline obedeceu sem contestar, tentando não tropeçar enquanto era puxada pelo corredor iluminado por lâmpadas douradas. O silêncio do casarão se transformava em um túnel opressor.

Ela não sabia para onde estava sendo levada, mas sentia em cada fibra do corpo que uma punição viria.

O coração batia forte, e a respiração curta denunciava o pânico que se apoderava dela. O braço doía sob a pressão dos dedos de Stefano, mas o que mais doía era a certeza de que ele tinha poder absoluto sobre ela naquele momento - e que a escuridão para onde a levava escondia segredos que ela ainda não estava pronta para enfrentar.

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