Stefano a soltou de repente, fazendo com que ela quase perdesse o equilíbrio. Ele caminhou até a mesa, apoiou as mãos no tampo de madeira e ficou em silêncio por alguns segundos, apenas respirando fundo. Esse silêncio era pior que qualquer grito.
_ Você me envergonhou. __ disse enfim, a voz calma, mas carregada de veneno.
_ Sabe o que significa manchar a noite com a sua insegurança? Sabe o quanto eu detesto fraqueza?
Seline engoliu em seco, sem conseguir responder. As palavras se enganchavam na garganta.
Ele se virou lentamente, o olhar cravado nela como lâmina afiada.
_ Eu não posso me dar ao luxo de ter alguém ao meu lado que tropeça no primeiro teste. - caminhou em direção a ela, o som de cada passo reverberando no chão de madeira.
_ Se você não aprendeu ainda... eu ensino.
Antes que ela pudesse se afastar, Stefano pegou uma cadeira e a arrastou para o centro do cômodo.
_ Sente-se.
Ela obedeceu, os joelhos tremendo.
Ele caminhou até uma pequena estante e pegou um livro grosso, de capa preta. Depositou-o com força sobre a mesa diante dela.
_ Vai ler isso em voz alta, página por página. - ordenou, os olhos fixos nela.
_ Não porque me importo com o conteúdo, mas porque quero ver até onde consegue manter a postura sem errar, sem gaguejar, sem demonstrar medo.
Seline olhou para o livro como se fosse uma sentença. O coração batia rápido demais, mas sabia que não tinha escolha.
_ C-como... como devo... - tentou perguntar.
_ Em voz clara. - interrompeu, ríspido.
_ Sem tremer. Cada erro será corrigido. E não pense em chorar.
Ela abriu o livro com mãos trêmulas, encarando as letras que pareciam dançar na página. Respirou fundo e começou a ler. A voz saiu baixa, vacilante, mas, ao avançar, ela foi forçando a si mesma a manter um tom mais firme.
Stefano não tirava os olhos dela. Circulava pelo quarto em silêncio, como um predador rodeando a presa, cada passo dele soando como ameaça. Às vezes, interrompia apenas para corrigir:
_ Mais alto.
_ Olhe para frente.
_ Recomece essa frase.
O tempo passava devagar, cada minuto parecendo uma eternidade. A garganta de Seline ardia, os olhos marejavam, mas ela se mantinha erguida, sabendo que qualquer sinal de fraqueza poderia custar-lhe caro.
Quando finalmente fechou o livro, as mãos já doíam de tanto segurar as páginas.
Stefano se aproximou, inclinou-se sobre ela e sussurrou ao ouvido:
_ É assim que você aprende, pequena. Cada erro terá seu preço. E, se deseja sobreviver aqui, precisa ser moldada.
Ele se afastou, caminhou até a porta e, antes de sair, lançou um último olhar gélido:
_ Vá dormir.
Dito isso continuou a dizer, como se precisasse deixar ainda mais claro, como quem ainda não tinha concluído tudo mesmo tendo a mandado ir dormir.
_ Sorte sua que sou eu e não o Stefan do velho testamento
_ O meu pai não admitia erros, por menor que fossem
_ Você entendeu bem...? __ Ele disse isso com a mão em seu pescoço, os olhos de Seline já estavam bem abertos e com dificuldade ela balançou a cabeça dizendo que sim.
Quando ele a solta as marcas em seu pescoço ficam visíveis e ela respira com dificuldade e tosse, por um instante pensou que iria morrer com a força de suas mãos. Stefano é bem perfeccionista e gosta que tudo saia perfeito e como planejado.
Stefano foi muito mimado na infância, a mãe tentava por bondade em seu coração, mas nada parecia dar jeito, ela via o caráter do marido se formando em Stefano, como um legado passado de pai para filho. Yonara fez de tudo, mas a cada dia Stefano parecia incontrolável, ela chorava todos os dias por sentir que não estava dando conta.
A porta bateu, e Seline ficou sozinha no silêncio sufocante, com o coração em frangalhos e a certeza de que aquela foi apenas a primeira das muitas provas que teria de enfrentar sem saber se poderia até mesmo sobreviver, errar ali é extremamente perigoso, seja o que fosse, o que for, se ameaçasse desviar dos planos de Stefano, era o fim.