Peguei meu telefone e disquei o número dela. A primeira chamada caiu na caixa postal. A segunda tocou e tocou até cair. Meu polegar pairou sobre a tela, minha raiva se misturando com uma esperança patética e residual de que ela simplesmente atenderia e diria que tudo foi um erro horrível.
Na terceira tentativa, alguém atendeu.
"Alô?"
Não era a Diana. Era a voz de um homem, preguiçosa e arrogante. Uma voz que eu reconhecia das colunas sociais e das antigas histórias da faculdade de Diana.
Eugênio Vasconcelos.
"Quem é?", ele perguntou, com um tom entediado.
Um fogo se acendeu em minhas entranhas. Ele sabia muito bem quem era. Ele estava se divertindo com isso, o filho da mãe.
"Preciso falar com a Diana", eu disse, minha voz tensa.
"Ela está um pouco ocupada agora", ele arrastou as palavras. Eu podia ouvir o sorriso presunçoso em sua voz. "Quer deixar recado?"
Eu estava prestes a dizer exatamente onde ele poderia enfiar seu recado quando ouvi um barulho do outro lado.
"Me dá o telefone, Eugênio", a voz de Diana, abafada mas nítida, chegou.
Apertei o telefone, meus nós dos dedos ficando brancos. A imagem deles juntos, dele atendendo o telefone dela como se fosse o dono, como se fosse o dono dela, me deixou fisicamente doente.
"Dani?", ela perguntou, a voz clara agora.
Respirei fundo, trêmulo.
"A gente precisa se divorciar."
Houve uma pausa. Ouvi um farfalhar fraco, como se ela estivesse se movendo para outro cômodo.
"O que você acabou de dizer?"
"Você me ouviu", eu disse, minha voz ganhando força. "Não vou ser seu plano B, sua rede de segurança. Você fez sua escolha. Eu estou fazendo a minha. Quero o divórcio."
"Dani, isso é ridículo", ela retrucou, seu tom mudando de surpresa para raiva. "Você não pode estar falando sério."
Andei até a lareira e peguei a última foto nossa que restava - uma de uma viagem de dois anos atrás, nossos rostos bronzeados e felizes. Parecíamos estranhos.
"Estou falando sério, Diana", eu disse, minha voz assustadoramente calma. "Estou te dando exatamente o que você quer. Um rompimento limpo. Você fica com ele. E eu fico livre de você."
Ouvi-a soltar um suspiro pesado, um som de pura frustração.
"Você está apenas magoado. Você passou por uma cirurgia séria, não está pensando direito. Isso é uma coisa cruel de se fazer agora."
Eu quase ri. A audácia dela, me chamando de cruel.
"Uma coisa cruel de se fazer? Isso é uma piada?"
"Dani, pare com isso. Você não está sendo você mesmo."
"Não", eu disse, meu olhar fixo em seu rosto sorridente na fotografia. "Pela primeira vez em três anos, acho que estou."
Desliguei antes que ela pudesse responder.
A escuridão caiu, mas não acendi nenhuma luz. Sentei-me na casa silenciosa, a tela brilhante do meu telefone oferecendo a única iluminação. Fumei um cigarro, depois outro, deixando a fumaça acre encher meus pulmões.
Meus olhos pousaram em nosso retrato de casamento pendurado na parede. Era uma foto enorme, profissional, da nossa festa de noivado. Estávamos radiantes, a imagem da felicidade. Era uma mentira. Tudo.
Com a mão firme, levei a ponta acesa do meu cigarro até a fotografia. Pressionei-a contra o rosto sorridente de Diana. A tela sibilou e começou a escurecer. Uma pequena brasa laranja brilhou, então, com um suave sopro, uma pequena chama ganhou vida.
Ela cresceu rapidamente, devorando seu sorriso perfeito, transformando nossa memória feliz em cinzas negras. O fogo era a única luz na sala, um brilho quente e destrutivo onde seu rosto costumava estar. E naquele momento, foi a coisa mais bonita que eu já tinha visto.