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DUAS VIDAS UM DESTINO. O Preço da Culpa
img img DUAS VIDAS UM DESTINO. O Preço da Culpa img Capítulo 5 A ESTRADA ENTRE O QUEIMOR E O SILÊNCIO
5 Capítulo
Capítulo 6 DEPOIS DO SILÊNCIO img
Capítulo 7 O DIA DEPOIS img
Capítulo 8 O DIA QUE NADA FICOU NO LUGAR img
Capítulo 9 O CAOS QUE VICIA img
Capítulo 10 O DIA DEPOIS DO CAOS img
Capítulo 11 A SEMELHANÇA QUE FERE O img
Capítulo 12 OS RASTROS DO IRMÃO img
Capítulo 13 O DOMINGO DO SILÊNCIO img
Capítulo 14 A ESTRADA DAS RESPOSTAS img
Capítulo 15 ENTRE BISTURIS E SEGREDOS img
Capítulo 16 O ÚLTIMO DIAGNÓSTICO img
Capítulo 17 ENTRE O AMOR E O MEDO img
Capítulo 18 A JANELA DA ALMA img
Capítulo 19 A MANHÃ QUE DESFEZ CERTEZAS img
Capítulo 20 O PESO DA HERANÇA img
Capítulo 21 O VENENO DA CIÊNCIA img
Capítulo 22 O DIA QUE APRENDI A DESAPARECER img
Capítulo 23 ENTRE O AMOR E A HERANÇA QUEBRADA img
Capítulo 24 AS HORAS QUE O MUNDO ROUBOU img
Capítulo 25 O LIMITE DO CORPO CALOSO img
Capítulo 26 A VIDA QUE NÃO ME PERTECE img
Capítulo 27 QUANDO AMAR TAMBÉM É FUGIR img
Capítulo 28 CÍRCULO SE FECHA img
Capítulo 29 ENTRE O MEDO E A FÉ img
Capítulo 30 QUANDO O AMOR EXIGE O QUE NÃO TEMOS img
Capítulo 31 ENTRE NUVENS E FULGA, UM AMOR DOI img
Capítulo 32 SILÊNCIO DEPOIS DAS PORTAS FECHADAS img
Capítulo 33 O DIA EM QUE O SILÊNCIO RESPONDEU POR ELA img
Capítulo 34 A NOITE EM QUE TRÊS MUNDOS SE TOCAM img
Capítulo 35 ONDE O AMOR NÃO PODE DEIXAR DE EXISTIR img
Capítulo 36 O AMOR QUE ACORDOU ANTES DO DIA img
Capítulo 37 QUANDO A VERDADE DOER img
Capítulo 38 O MENINO QUE CARREGA UMA ESTRELA img
Capítulo 39 O QUE O CORAÇÃO TENTA EXPLICAR img
Capítulo 40 O GOLPE DENTRO DA CASA img
Capítulo 41 ENTRE CONTRATOS E SAUDADES img
Capítulo 42 MAMÃE SORRIU SÓ PARA MIM img
Capítulo 43 QUANDO O PASSADO ENCONTRA O MÉXICO img
Capítulo 44 QUANDO O SOL SE ABRIU EM MIM img
Capítulo 45 QUANO FUGIR JÁ NÃO É O SUFICIENTE img
Capítulo 46 A FEBRE QUE SÓ ELA CURA img
Capítulo 47 QUANDO O PASSADO GANHA VOZ img
Capítulo 48 QUANDO O AMOR SANGROU E PARTIU img
Capítulo 49 QUANDO A DOR VOLTA A SANGRAR img
Capítulo 50 ENTRE PARTIDAS E PROMESSAS img
Capítulo 51 A MESA DOS NOMES img
Capítulo 52 A FILHA DO HOMEM QUE ODEIO E NA MULHER QUE NUNCA ESQUECI img
Capítulo 53 A PROMESSA DO SANGUE img
Capítulo 54 O HOMEM QUE SORRIR ANTES DA GUERRA img
Capítulo 55 A VIDA QUE O DESTINO ME ROUBOU img
Capítulo 56 ANTES QUE O CORPO DESISTA img
Capítulo 57 O IMPÉRIO QUE APRENDEU A SANGRAR img
Capítulo 58 O REENCONTRO QUE REABRE FERIDAS img
Capítulo 59 ANTES DO SANGUE, HAVIA AMOR img
Capítulo 60 O SOM QUE O AMOR DEIXOU img
Capítulo 61 O PREÇO DA TRÉGUA img
Capítulo 62 O FILHO DO ORGULHO, O NETO DA TEMPESTADE img
Capítulo 63 AS PAREDES QUE ESCUTAM img
Capítulo 64 A RECOMPENSA DO DESTINO img
Capítulo 65 A HORA QUE O AMOR RESOLVEU VOLTAR img
Capítulo 66 ANTES DA TEMPESTADE img
Capítulo 67 A CASA RIBEIRO ABRE A BOCA img
Capítulo 68 A MÃE QUE NÃO SABE MAIS COMO PROTEGER img
Capítulo 69 O DOSSIÊ QUE DESTROI O HERDEIRO img
Capítulo 70 O SILÊNCIO QUE VIRA FACA img
Capítulo 71 O JANTAR QUE NÃO ERA PARA ELA img
Capítulo 72 A VOLTA DO FANTASMA img
Capítulo 73 O PRIMO QUE FAREJA SANGUE img
Capítulo 74 O VENENOSO RETORNO img
Capítulo 75 O JANTAR QUE TINHA DONO ANTES DELA SABER img
Capítulo 76 O FILHO DO AVISO img
Capítulo 77 O SANGUE NUNCA DORME img
Capítulo 78 QUANDO SALVAR UM FILHO, SIGNIFICA, GUERRA img
Capítulo 79 O REENCONTRO QUE FERE img
Capítulo 80 O NOME QUE NÃO PODE SER DITO img
Capítulo 81 A CHEGADA DO REI img
Capítulo 82 QUANDO EU VI TUDO DESABAR img
Capítulo 83 A CASA QUE SE ENFRAQUECE E SE ACORDA img
Capítulo 84 O HOMEM QUE ACORDA PELA DOR img
Capítulo 85 O HOMEM QUE VOLTA DO SILÊNCIO img
Capítulo 86 O ORGULHO DO MONSTRO img
Capítulo 87 O PACTO ASSINADO COM SANGUE img
Capítulo 88 O DIA EM QUE, DOIS REINOS COLIDEM img
Capítulo 89 A VIRADA DE CHAVE img
Capítulo 90 QUANDO O VENENO VESTE TERNO E TEM VOZ DOCE img
Capítulo 91 O RETORNO DO HERDEIRO FANTASMA img
Capítulo 92 UMA MENTIRA QUE NASCE COMO SE FOSSE VERDADE img
Capítulo 93 O SANGUE QUE ESCORRE ENTRE ELES img
Capítulo 94 O REI, RETORNA A SÃO PAULO img
Capítulo 95 O JANTAR QUE DESCIDE DESTINOS img
Capítulo 96 ONDE O AMOR RASGA ANTES DE CURAR img
Capítulo 97 O PRIMEIRO GOLPE PÚBLICO img
Capítulo 98 VERDADES QUE SÓ NASCEM EM LÁBIOS DE MÃE img
Capítulo 99 O PESO DO NOME QUE EU CARREGO img
Capítulo 100 O ENCONTRO QUE MUDA DESTINO img
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Capítulo 5 A ESTRADA ENTRE O QUEIMOR E O SILÊNCIO

Quando fugir não impede que alguém te alcance

STEVEN SANTOURO

Ela saiu do salão rápido, como quem tenta escapar de algo que ainda não sabe nomear. Tinha a bolsa presa ao braço, um casaco claro sobre os ombros e um silêncio que me atravessou mais do que qualquer palavra. Eu continuei no jardim, imóvel, sentindo o vento frio bater no rosto. Mas ficar parado seria covardia, e isso eu nunca tolerei em mim.

Quando vi que ela parou próximo à entrada, olhando o celular enquanto esperava um carro de aplicativo, meu corpo se moveu antes da mente. Caminhei apressado até o estacionamento, falei com o motorista e peguei o carro antes que o dela chegasse. O coração batia rápido, irritante, fora de ritmo.

Parei o carro perto dela.

- Hérica, chamei, saindo do veículo. Por favor, deixa eu me desculpar.

Ela manteve a postura firme.

- Está tudo bem, Steven. Já esquece isso.

- Não, não está. Pelo menos me deixa te levar pra casa.

Ela hesitou.

- Eu moro em Orlando. É longe demais.

- Não me importo, respondi sem pensar. Sério. Vem comigo. Só me deixa consertar um pouco do estrago que eu fiz. Por favor.

Silêncio. O olhar dela pesou sobre mim, medindo a verdade nas minhas palavras.

- Tudo bem. Mas só a carona.

Ela entrou. E o silêncio também.

A estrada se abriu à frente, longa, escura, refletindo as luzes de cidades que dormiam. Miami ficou para trás. Orlando era quase quatro horas à frente.

O que eu estou fazendo? Levar uma mulher que mal conheço para outra cidade, depois de tê-la beijado sem permissão... Isso só vai tornar tudo mais difícil de controlar.

Mas eu não parei.

Para quebrar o silêncio, perguntei.

- Doutora, qual a sua especialidade exatamente?

Ela endireitou a postura no banco.

- Neurocirurgia funcional e microcirurgia vascular. Trabalho principalmente com tumores em áreas profundas do cérebro.

Pausa.

- Cirurgias que quase ninguém quer fazer.

- E por quê?

Ela olhou pela janela antes de responder.

- Porque bisturi no cérebro não toca carne. Toca memórias, linguagem, movimento, quem a pessoa é. Um corte um milímetro errado apaga alguém que ainda estava ali.

Passou a mão pela coxa, como quem organiza ideias no toque.

- Mas eu nunca pensei em números ou reputação. Penso em pessoas. Em famílias que já começaram a se despedir e me veem como última chance, mesmo pequena. Quando dá certo, o sorriso que elas me dão vale mais do que qualquer manchete.

Fiquei calado, fascinado.

Ela não falava como médica. Falava como alguém que entende a vida e a morte com as mãos. Isso era mais perigoso do que beleza ou desejo. Era verdade.

- E seu pai? Perguntou então, devolvendo o olhar. O tumor é de que tipo?

- Glioblastoma. Infiltrado no corpo caloso. Dois cirurgiões examinaram e nenhum aceitou. Risco de oitenta por cento de morte na mesa.

Ela apenas assentiu. Nem surpresa, nem medo. Apenas firmeza.

- Vou analisar com carinho. E serei honesta. Sempre.

O resto do caminho seguiu silencioso, mas não desconfortável. Placas anunciaram Orlando. Ela me guiou por ruas tranquilas até um bairro residencial.

Paramos diante de uma casa clara, dois andares. Não luxuosa, mas impecável. Luz baixa na varanda. Jardim bem cuidado.

- Essa é minha casa.

- Posso entrar? Só para conversarmos melhor sobre meu pai. Se não for tarde. E se não incomodar seu filho.

Ela desviou o olhar, quase sorrindo.

- Ele não está aqui. Fica com uma amiga durante a semana. Eu chego tarde demais, então ele fica com quem pode dar rotina pra ele. Nos falamos todos os dias. Nos vemos nos fins de semana.

Orgulho e tristeza na mesma frase.

- Quer entrar?

- Quero.

Entramos. A casa era silenciosa. Sofás claros, livros empilhados, poucas fotos. Cheiro de lavanda e café antigo.

- Quer algo? Água, suco, café, vinho?

- Café, por favor.

- Então me dá um minuto. Vou trocar de roupa.

Ela subiu as escadas.

Eu fiquei olhando os detalhes: um piano encostado à parede, brinquedos organizados numa caixa, um desenho infantil preso à geladeira.

Quando desceu, usava moletom cinza e cabelo solto. Beleza natural. Perigosa.

Na cozinha, colocou a cafeteira no fogo. Sentei no banco da bancada.

- Sobre o tumor do meu pai, comecei, ele está consciente. Sabe que pode morrer. E me pediu para convencer você.

Ela serviu o café em duas xícaras e me entregou uma. Sentou-se de frente.

- Nenhuma cirurgia cerebral é simples. Mas tumores assim... ninguém quer tocar. Não porque é impossível, mas porque ninguém quer ser culpado se não der certo. Médicos têm medo do julgamento e das manchetes.

- E você não?

Ela sorriu de lado.

- Eu temo perder pessoas, não reputação. Talvez seja por isso que muitos dos meus pacientes sobrevivam. Quando a família já aceitou a morte e eu entro, eu luto pelo último milímetro de vida. Quando dá certo, aquele abraço vale mais do que qualquer fama.

Não consegui tirar os olhos dela.

- Vou analisar o caso do seu pai com muito cuidado. E vou ser sincera. Sempre.

- Obrigado, respondi, levantando. Já vou indo.

Ela me acompanhou até a porta.

Antes que abrisse, falei.

- Me desculpa pelo beijo. Foi inadequado.

Ela me olhou por um segundo longo.

- Você não queria isso?

Fiquei sem resposta.

- Eu nunca faço algo pra me arrepender depois. Se você se arrependeu, eu te desculpo.

A honestidade dela me atingiu mais do que o primeiro beijo.

Dei um passo, depois outro. Ficamos perto demais.

- Eu... não me arrependi. Só achei que...

Ela ergueu o rosto.

E eu parei de achar.

Beijei.

Dessa vez, com menos culpa. Mais verdade.

E ela devolveu.

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