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DUAS VIDAS UM DESTINO. O Preço da Culpa
img img DUAS VIDAS UM DESTINO. O Preço da Culpa img Capítulo 4 O BEIJO QUE NÃO DEVERIA TER ACONTECIDO
4 Capítulo
Capítulo 6 DEPOIS DO SILÊNCIO img
Capítulo 7 O DIA DEPOIS img
Capítulo 8 O DIA QUE NADA FICOU NO LUGAR img
Capítulo 9 O CAOS QUE VICIA img
Capítulo 10 O DIA DEPOIS DO CAOS img
Capítulo 11 A SEMELHANÇA QUE FERE O img
Capítulo 12 OS RASTROS DO IRMÃO img
Capítulo 13 O DOMINGO DO SILÊNCIO img
Capítulo 14 A ESTRADA DAS RESPOSTAS img
Capítulo 15 ENTRE BISTURIS E SEGREDOS img
Capítulo 16 O ÚLTIMO DIAGNÓSTICO img
Capítulo 17 ENTRE O AMOR E O MEDO img
Capítulo 18 A JANELA DA ALMA img
Capítulo 19 A MANHÃ QUE DESFEZ CERTEZAS img
Capítulo 20 O PESO DA HERANÇA img
Capítulo 21 O VENENO DA CIÊNCIA img
Capítulo 22 O DIA QUE APRENDI A DESAPARECER img
Capítulo 23 ENTRE O AMOR E A HERANÇA QUEBRADA img
Capítulo 24 AS HORAS QUE O MUNDO ROUBOU img
Capítulo 25 O LIMITE DO CORPO CALOSO img
Capítulo 26 A VIDA QUE NÃO ME PERTECE img
Capítulo 27 QUANDO AMAR TAMBÉM É FUGIR img
Capítulo 28 CÍRCULO SE FECHA img
Capítulo 29 ENTRE O MEDO E A FÉ img
Capítulo 30 QUANDO O AMOR EXIGE O QUE NÃO TEMOS img
Capítulo 31 ENTRE NUVENS E FULGA, UM AMOR DOI img
Capítulo 32 SILÊNCIO DEPOIS DAS PORTAS FECHADAS img
Capítulo 33 O DIA EM QUE O SILÊNCIO RESPONDEU POR ELA img
Capítulo 34 A NOITE EM QUE TRÊS MUNDOS SE TOCAM img
Capítulo 35 ONDE O AMOR NÃO PODE DEIXAR DE EXISTIR img
Capítulo 36 O AMOR QUE ACORDOU ANTES DO DIA img
Capítulo 37 QUANDO A VERDADE DOER img
Capítulo 38 O MENINO QUE CARREGA UMA ESTRELA img
Capítulo 39 O QUE O CORAÇÃO TENTA EXPLICAR img
Capítulo 40 O GOLPE DENTRO DA CASA img
Capítulo 41 ENTRE CONTRATOS E SAUDADES img
Capítulo 42 MAMÃE SORRIU SÓ PARA MIM img
Capítulo 43 QUANDO O PASSADO ENCONTRA O MÉXICO img
Capítulo 44 QUANDO O SOL SE ABRIU EM MIM img
Capítulo 45 QUANO FUGIR JÁ NÃO É O SUFICIENTE img
Capítulo 46 A FEBRE QUE SÓ ELA CURA img
Capítulo 47 QUANDO O PASSADO GANHA VOZ img
Capítulo 48 QUANDO O AMOR SANGROU E PARTIU img
Capítulo 49 QUANDO A DOR VOLTA A SANGRAR img
Capítulo 50 ENTRE PARTIDAS E PROMESSAS img
Capítulo 51 A MESA DOS NOMES img
Capítulo 52 A FILHA DO HOMEM QUE ODEIO E NA MULHER QUE NUNCA ESQUECI img
Capítulo 53 A PROMESSA DO SANGUE img
Capítulo 54 O HOMEM QUE SORRIR ANTES DA GUERRA img
Capítulo 55 A VIDA QUE O DESTINO ME ROUBOU img
Capítulo 56 ANTES QUE O CORPO DESISTA img
Capítulo 57 O IMPÉRIO QUE APRENDEU A SANGRAR img
Capítulo 58 O REENCONTRO QUE REABRE FERIDAS img
Capítulo 59 ANTES DO SANGUE, HAVIA AMOR img
Capítulo 60 O SOM QUE O AMOR DEIXOU img
Capítulo 61 O PREÇO DA TRÉGUA img
Capítulo 62 O FILHO DO ORGULHO, O NETO DA TEMPESTADE img
Capítulo 63 AS PAREDES QUE ESCUTAM img
Capítulo 64 A RECOMPENSA DO DESTINO img
Capítulo 65 A HORA QUE O AMOR RESOLVEU VOLTAR img
Capítulo 66 ANTES DA TEMPESTADE img
Capítulo 67 A CASA RIBEIRO ABRE A BOCA img
Capítulo 68 A MÃE QUE NÃO SABE MAIS COMO PROTEGER img
Capítulo 69 O DOSSIÊ QUE DESTROI O HERDEIRO img
Capítulo 70 O SILÊNCIO QUE VIRA FACA img
Capítulo 71 O JANTAR QUE NÃO ERA PARA ELA img
Capítulo 72 A VOLTA DO FANTASMA img
Capítulo 73 O PRIMO QUE FAREJA SANGUE img
Capítulo 74 O VENENOSO RETORNO img
Capítulo 75 O JANTAR QUE TINHA DONO ANTES DELA SABER img
Capítulo 76 O FILHO DO AVISO img
Capítulo 77 O SANGUE NUNCA DORME img
Capítulo 78 QUANDO SALVAR UM FILHO, SIGNIFICA, GUERRA img
Capítulo 79 O REENCONTRO QUE FERE img
Capítulo 80 O NOME QUE NÃO PODE SER DITO img
Capítulo 81 A CHEGADA DO REI img
Capítulo 82 QUANDO EU VI TUDO DESABAR img
Capítulo 83 A CASA QUE SE ENFRAQUECE E SE ACORDA img
Capítulo 84 O HOMEM QUE ACORDA PELA DOR img
Capítulo 85 O HOMEM QUE VOLTA DO SILÊNCIO img
Capítulo 86 O ORGULHO DO MONSTRO img
Capítulo 87 O PACTO ASSINADO COM SANGUE img
Capítulo 88 O DIA EM QUE, DOIS REINOS COLIDEM img
Capítulo 89 A VIRADA DE CHAVE img
Capítulo 90 QUANDO O VENENO VESTE TERNO E TEM VOZ DOCE img
Capítulo 91 O RETORNO DO HERDEIRO FANTASMA img
Capítulo 92 UMA MENTIRA QUE NASCE COMO SE FOSSE VERDADE img
Capítulo 93 O SANGUE QUE ESCORRE ENTRE ELES img
Capítulo 94 O REI, RETORNA A SÃO PAULO img
Capítulo 95 O JANTAR QUE DESCIDE DESTINOS img
Capítulo 96 ONDE O AMOR RASGA ANTES DE CURAR img
Capítulo 97 O PRIMEIRO GOLPE PÚBLICO img
Capítulo 98 VERDADES QUE SÓ NASCEM EM LÁBIOS DE MÃE img
Capítulo 99 O PESO DO NOME QUE EU CARREGO img
Capítulo 100 O ENCONTRO QUE MUDA DESTINO img
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Capítulo 4 O BEIJO QUE NÃO DEVERIA TER ACONTECIDO

Quando duas dores se reconhecem

STEVEN SANTOURO

O jardim estava quieto.

A música do salão chegava distante, como um eco de outro mundo.

As luzes refletiam no vinho, e o vento movia o vestido dela com a calma de uma lembrança.

Por um momento, fiquei só observando. Cada gesto, cada pausa.

- Então, você já é mãe de um menino de nove anos? Perguntei, tentando disfarçar a curiosidade na voz. Qual a sua idade, se me permite?

Ela sorriu leve, sem afetação.

- Tenho vinte e cinco. Me apaixonei por um homem bem mais velho. Sempre tive essa queda por maturidade. Minha mãe dizia que homens mais velhos dão segurança, proteção.

Deu um gole no vinho, o olhar perdido.

- Ele estava a trabalho no Brasil. Nos encontramos algumas vezes e eu, nova, ingênua, achei que era pra sempre. Descobri a gravidez logo no início. Fui contar a ele e, antes que pudesse terminar a frase, a tragédia aconteceu. A voz dela vacilou. Ele morreu nos meus braços.

Fiquei em silêncio.

A forma como ela disse "morreu nos meus braços" não parecia ensaio. Era cicatriz.

Ela respirou fundo e continuou.

- Eu era jovem demais, mas juro, Steven, eu sabia o que sentia. Ele não me forçou, não me enganou. Pelo contrário, me amou, me protegeu. Até o dia em que tiraram ele de mim. No dia seguinte vim pra Orlando, terminei os estudos, me formei e aqui estou. Criando o fruto desse amor curto. O resto foi escolha minha, fugir, proteger meu filho e nunca mais olhar para trás.

A palavra amor soou sagrada quando saiu da boca dela.

Por um segundo, senti inveja de um morto.

- Então você é brasileira? Perguntei. Fala inglês como se tivesse nascido aqui.

Ela sorriu, mas sem alegria.

- Nasci no Brasil, sim. Mas ele era daqui, da Flórida. O corpo foi velado aqui. Os dedos giravam a taça. Prefiro não falar mais sobre isso.

Assenti devagar.

- Entendo. E me desculpe. Deve ter sido difícil pra alguém tão jovem carregar um luto, uma gravidez e ainda chegar tão longe.

Ela não respondeu.

Só me olhou. E eu entendi que ela tinha desaprendido a esperar compaixão.

Continuei, baixo.

- Eu também perdi alguém assim. Meu irmão.

Ela ergueu os olhos, surpresa.

- Ele estava no Brasil, a trabalho. Disseram que reagiu a um assalto e morreu no local. Uma moça que passava ligou pra polícia. Meu pai foi buscá-lo, trouxe o corpo pra casa. Ele tinha trinta e seis anos, cinco a mais que eu. Era meu herói.

- Sinto muito, ela murmurou. Perder um irmão é indescritível.

- É. Meu pai diz que ele se envolveu com a filha de um dos nossos maiores rivais comerciais, mas não acredita em assalto. Acredita em assassinato. Disse que foi por causa dela. Dei um riso curto, sem humor. Então, de certo modo, eu entendo um pouco da sua dor.

Ela baixou o olhar.

A taça balançou em silêncio.

Os dedos longos pareciam segurar o vidro como quem segura o próprio passado.

- Sinto muito pela sua dor, Steven, disse com voz serena. Mas perder um irmão, seja por acidente ou emboscada, nunca vai se comparar à dor de ver sua esperança morrer nos seus braços, com um fruto no ventre, e precisar fugir pra outro país pra não perder o único presente que restou. Ergueu o olhar, firme, sem autopiedade. E chegar onde cheguei, sozinha, sem apoio. Mas sabe? Eu não lamento nada disso. Eu uso tudo isso como combustível pra seguir em frente.

A sinceridade dela me desmontou.

Eu estava acostumado a máscaras, a vozes treinadas para dizer o que eu queria ouvir.

Mas ela falava como quem não devia mais nada a ninguém.

Por um instante, não reconheci o homem que estava ali parado.

Aquele que sempre dominava cada sala, cada negociação, cada olhar.

Diante dela, eu só conseguia escutar.

- Agora, se me dá licença, disse. Eu preciso ir. Já é tarde.

Ela se levantou, ajeitou o vestido e sorriu, educada, como se o mundo não tivesse acabado nos braços dela um dia.

Eu me levantei junto, sem pensar.

- Espere, falei, a voz mais baixa do que eu pretendia. Leve tudo o que tiver sobre o caso do meu pai. Quero que veja com seus próprios olhos. Posso mandar o dossiê completo pra sua clínica amanhã?

Ela assentiu.

- Claro. Mande para a minha assistente.

E começou a se afastar.

Mas o impulso veio antes da razão.

Dei um passo à frente e toquei o braço dela.

Ela virou devagar, surpresa.

Quando os olhos dela encontraram os meus, não havia mais distância possível.

Silêncio. Respiração. O som distante do salão.

Minha mão subiu até o rosto dela. O calor da pele era um aviso e uma sentença.

- Hérica...

Ela abriu a boca pra dizer algo.

Mas não deu tempo.

Eu beijei.

A taça escorregou dos dedos dela e se quebrou no chão. O som seco cortou o ar.

Mas nenhum de nós se moveu.

O beijo começou contido, mas ela não recuou.

E quando o corpo dela cedeu, não havia mais espaço entre controle e necessidade.

O gosto do vinho misturado à respiração dela era a combinação mais perigosa que já provei.

Minhas mãos seguravam o rosto dela como quem segura algo que não deveria possuir.

Quando ela se afastou, o olhar veio carregado de algo que eu não soube decifrar.

Raiva, dor, desejo. Talvez tudo junto.

Ela se virou sem dizer nada.

Ficou parada por um segundo, respirando fundo.

Depois caminhou de volta para o salão.

Fiquei ali, olhando o chão, o brilho do vinho derramado refletindo as luzes do jardim.

E percebi que o impacto real não foi o beijo.

Foi o que ele acendeu.

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