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A Coleirada do Alfa: Rejeitada e Renascida
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A Coleirada do Alfa: Rejeitada e Renascida

Autor: Luo Ye Fen Fei
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Capítulo 1

Por dez anos, eu vivi por Dante Moretti. Esperei pelo meu aniversário de dezoito anos, sabendo que o Alfa da Alcateia da Sombra Negra era meu companheiro destinado.

Mas quando o dia finalmente chegou, ele não me reivindicou.

Em vez disso, ele trouxe Isabella para casa. Uma guerreira. Uma aliança política.

"Bem-vinda ao lar, minha futura Luna", ele anunciou para a alcateia, destroçando meu coração na frente de todos.

Eu era apenas a garota órfã que não conseguia se transformar. Um fardo.

Para garantir que eu soubesse o meu lugar, Isabella me ofereceu um "presente". Uma coleira de prata pura.

Para um humano, é uma joia. Para um lobo, é ácido.

Quando ela a fechou em volta do meu pescoço, o metal sibilou. O cheiro da minha própria carne queimando encheu o ar.

Caí de joelhos, gritando, olhando para Dante com os olhos cheios de lágrimas. Implorei para que ele a parasse.

Mas ele apenas me olhou, seu rosto uma máscara de fria lógica.

"Use-a", ele ordenou, ignorando a fumaça que subia da minha pele. "Considere isso disciplina. Se você a tirar, você deixa a Alcateia."

Ele achava que estava me protegendo. Achava que me fazer parecer fraca me salvaria de seus inimigos.

Ele não percebeu que estava matando a garota que o amava.

Naquela noite, eu não apenas tirei a coleira.

Fechei os olhos, encontrei o fio dourado do nosso Laço de Companheiros em minha mente e o parti ao meio.

Dante desabou no corredor, agarrando o peito em agonia enquanto sentia nossa conexão morrer.

"O que você fez?", ele sussurrou no vazio.

"Eu te libertei, Alfa", eu disse.

Então, corri para a tempestade.

Ele pensava que eu era uma humana indefesa. Ele não sabia que eu era a filha perdida da linhagem Real do Lobo Branco.

E quando eu voltasse, não seria para me ajoelhar.

Capítulo 1

Ponto de Vista de Sofia:

O barulho na minha cabeça era ensurdecedor.

Não era um som que se podia bloquear. Era o Elo Mental da Alcateia - a mente coletiva da Sombra Negra. Normalmente, era um ruído de fundo: relatórios de patrulha, pontadas de fome, dramas insignificantes.

Hoje, era um tumulto.

Nosso Alfa escolheu!

Isabella é a escolhida!

Finalmente, uma Luna guerreira!

Eu estava parada em frente ao espelho que ia do chão ao teto na mansão dos Moretti. Meus nós dos dedos estavam brancos contra a bancada de mármore. Dentro da minha caixa torácica, minha loba se debatia, arranhando meus pulmões como se estivesse tentando cavar para sair de uma cova.

Ela sabia.

Ela sabia que Dante Moretti era nosso.

Fechei os olhos. A memória tinha dez anos, mas ainda sangrava. Eu tinha oito, coberta pelas cinzas da casa da minha família. Dante me tirou dos escombros. Ele tinha dezoito, recém-empossado Alfa. Quando ele me levantou, o cheiro me atingiu.

Pinho e sangue fresco.

O Laço de Companheiros. A piada mais cruel da biologia.

Por dez anos, vivi em sua sombra, esperando meu aniversário de dezoito anos. Esperando minha loba emergir para que eu pudesse ficar ao seu lado.

Mas eu era um fracasso. Uma que floresceu tarde demais. Para a alcateia, eu não era apenas humana; eu era um beco sem saída genético.

A pesada porta de carvalho lá embaixo se abriu com um estrondo.

O assoalho vibrou com a sua voz. Aquele barítono profundo que costumava ler histórias de ninar para mim era agora a voz de um senhor da guerra.

"Preparem a suíte de hóspedes", Dante ordenou. A Voz de Alfa permeava suas palavras, uma frequência que contornava os ouvidos e ordenava a medula. Mesmo daqui, meus joelhos amoleceram.

"Dante, relaxa", uma voz feminina ronronou. Isabella.

Caminhei até a sacada.

Dante estava no hall de entrada. Um metro e noventa, graça letal, cabelo preto penteado para trás. Ele vestia o poder como um terno feito sob medida. O ar ao seu redor parecia pesado, pressurizado.

Isabella se agarrava ao seu braço. Alta, curvilínea, cheirando a almíscar caro e vitória imerecida. Ela era uma fêmea de alto escalão de uma alcateia aliada estratégica. Ela era um trunfo político. Uma guerreira.

Ela era tudo o que eu não era.

Dante olhou para cima.

Seus olhos, da cor de um mar revolto, se fixaram nos meus.

Por um microssegundo, suas pupilas se dilataram. Ele sentiu meu cheiro. Baunilha e chuva. Vi seus nós dos dedos embranquecerem enquanto ele agarrava o corrimão. Seu lobo queria me reivindicar.

Mas Dante era um homem de lógica. E a lógica ditava que uma companheira fraca significava uma alcateia fraca.

Ele desviou o olhar. Olhou para Isabella e sorriu - uma expressão afiada e calculada.

"Bem-vinda ao lar, minha futura Luna", disse ele, projetando a voz para que os empregados - e eu - não perdessem uma sílaba.

Meu peito não se partiu; apenas ficou oco.

Voltei para o banheiro.

Olhei para o meu reflexo. Cabelo preto até a cintura. Dante costumava escová-lo. Ele dizia que era a sua coisa favorita.

Apenas células mortas, pensei.

Abri a gaveta e peguei a tesoura de costura.

Minhas mãos tremiam, mas não hesitei. Agarrei um punhado de seda.

Tesoura.

O som foi violento na sala silenciosa.

Tesoura.

Mechas pretas caíram na porcelana como cobras mortas.

Tesoura. Tesoura. Tesoura.

Eu cortei até parecer louca. Até parecer uma sobrevivente de algo terrível. Eu estava cortando a parte favorita dele em mim.

Minha loba choramingou, encolhendo-se em uma bola no fundo da minha mente.

Eu não estava de luto. Eu estava desertando.

Tirei um maço de cigarros roubado do meu roupão. Eu nunca tinha fumado; Dante odiava o cheiro.

Acendi um, tossindo quando a fumaça atingiu meus pulmões virgens, depois forcei outra tragada. Soprei a fumaça pela janela, observando a propriedade se iluminar para a festa de noivado.

Olhei para a lua.

"Você me deu um companheiro que acha que sou um fardo", sussurrei. "Fique com ele."

Eu ainda não disse as palavras formais de rejeição. Isso me mataria no meu estado atual. Mas o laço já estava sangrando.

Eu tinha que fugir.

Mas primeiro, eu tinha que sobreviver à noite.

Na manhã seguinte, a casa fedia a eles.

O pinho de Dante misturado com o almíscar floral de Isabella - uma marcação territorial em cada superfície.

Eu era uma intrusa na minha própria vida.

Fui para o meu quarto - o que ficava ao lado do escritório dele - e comecei a purga.

Arranquei a luz noturna da parede. Uma estrela de plástico que ele me comprou quando eu tinha dez anos. Lixo.

Roupas que ele comprou. Lixo.

Encontrei um diário antigo debaixo do meu colchão. Primeira página, a caligrafia irregular de Dante: Propriedade da Alcateia. Não toque.

Uma vez, pensei que era proteção. Agora eu via o que era: um código de barras.

"Fazendo uma limpeza?"

Isabella se encostou no batente da minha porta, vestindo um robe de seda que custava mais do que minha educação. Ela o deixou escorregar o suficiente para mostrar a marca de mordida fresca em seu pescoço.

"Este é o meu quarto", murmurei, a voz rouca por causa da fumaça.

"Não mais", Isabella sorriu. "Dante me prometeu um closet. Este quarto se conecta ao principal. É perfeito."

Ela entrou, zombando do meu cabelo cortado.

"Oh, querida. Uma crise nervosa? Que clichê. Você parece um rato que foi pego numa armadilha."

Ela enfiou a mão no bolso. "Mas não se preocupe. Eu tenho uma oferta de paz. Já que vamos ser... família."

Ela tirou uma coleira.

Filigrana intrincada. Linda. E inconfundível.

Prata.

Para um humano, é uma joia. Para um lobo, é um veneno. Queima ao contato, perturba o sistema nervoso, impede a transformação.

"Eu não posso usar isso", eu disse, recuando.

"Dante acha que você deveria", disse ela, com os olhos brilhando. "Ele diz que você tem se comportado mal. Cortando o cabelo. Cheirando a fumaça. Você precisa de um lembrete do seu lugar."

"Ele não faria isso."

"Dante!", ela chamou.

Ele apareceu. Velocidade de Alfa. Em um segundo a porta estava vazia, no seguinte ele a preenchia.

Seu olhar varreu meu cabelo. Sua mandíbula se contraiu, um músculo tremendo em sua bochecha. Ele parecia atormentado, mas enterrou isso instantaneamente sob uma máscara de gelo.

"Algum problema?"

"A Sofia não gostou do meu presente", Isabella fez beicinho. "Achei que uma coleirinha de estimação seria fofa."

Dante olhou para a prata. Ele sabia. Ele era um Alfa; ele sabia exatamente o que a prata fazia a um lobo adormecido.

Mas ele olhou para mim - para o desafio em meus olhos, para o cabelo que gritava rebelião - e seu ego assumiu o controle. Ele precisava de mim submissa. Se eu fosse fraca, estaria segura. Se eu fosse um animal de estimação, o Conselho não exigiria minha cabeça.

"Coloque nela", disse Dante. Seco.

"Dante, é prata", eu disse. "Vai queimar."

"Você é humana o suficiente", disse ele, desviando o olhar. "Não vai te matar. Considere... disciplina."

Isabella avançou. Tentei desviar, mas ela era uma guerreira de elite. Ela me prendeu contra a parede.

O metal atingiu meu pescoço e sibilou.

Não era calor; era corrosão química. Ácido comendo meus poros.

Chiado.

O cheiro de carne cozinhando encheu o quarto.

"Ahhh!", gritei, arranhando as mãos dela.

Clique.

A trava se fechou.

Isabella recuou, sorrindo.

Caí de joelhos, ofegante. A dor era uma broca de alta frequência perfurando minha espinha.

"Pare de ser dramática", Dante retrucou, embora tenha empalidecido ao ver a fumaça subindo da minha pele. "É prata de lei, não pura. É só uma irritação."

Ele estava mentindo para si mesmo. Ele tinha que acreditar que eu era fraca para poder justificar me tratar assim.

Olhei para ele com a visão em túnel.

"Dói", eu arquejei. "Dante..."

Ele deu um meio passo à frente, a mão tremendo.

Isabella colocou a mão em seu peito. "Ela está te manipulando, amor. Olhe para ela. Rainha do drama."

Dante parou. Endureceu.

"Use-a", ele ordenou. "Se você a tirar, você deixa a Alcateia."

Ele se virou e foi embora.

Ele não era meu salvador. Ele era apenas um homem covarde demais para amar um fardo.

            
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