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Tarde Demais: A Filha Preterida Foge Dele
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Capítulo 4 Capítulo

Ponto de vista de Seraphina Vitiello

Dante caiu na água, quebrando a superfície.

Ele a envolveu em seus braços como se ela fosse feita de vidro soprado, protegendo-a de uma ameaça que não existia.

Ela soluçava histericamente, agarrando com os dedos a camisa encharcada dele.

"Ela tentou me afogar!", lamentou ela, sua voz ecoando pelas paredes de pedra. "Ela tentou me matar, Dante!"

Eu estava estendida sobre as pedras frias, minha respiração falhando enquanto a agonia me dilacerava.

Minha perna fraturada estava torcida num ângulo nauseante sob mim. A dor irradiava pela minha coxa, uma dor lancinante e cegante, roubando-me o ar dos pulmões.

Tentei me levantar, com os braços tremendo.

Dante se virou.

Seu rosto não era mais o do homem que eu conhecia. Era uma máscara de fúria pura e desenfreada.

"Você está doente", ele cuspiu as palavras, como se fossem golpes físicos.

"Eu não a toquei", sussurrei, lutando contra os pontos pretos que dançavam na minha visão.

"Mentiroso!" gritou Isabella, escondendo o rosto na curva do pescoço dele para disfarçar as lágrimas. "Ela disse que me odiava! Disse que desejava que o sinal tivesse me matado!"

Dante saiu da fonte, com a água escorrendo de suas roupas. Ele colocou Isabella delicadamente em um banco de pedra, tratando-a com uma ternura que me despedaçou o coração.

Então, ele voltou sua atenção para mim.

Ele avançou a passos largos, com água escorrendo de suas roupas como se fossem sangue.

Ele parecia um carrasco.

"Tentativa de assassinato da noiva de um mafioso", disse ele. Sua voz era terrivelmente calma, um contraste mortal com a fúria em seus olhos. "Você sabe qual é a punição para isso, Seraphina?"

"Você é cego", sussurrei, com a voz embargada.

Ele parou abruptamente.

"O que você disse?"

"Você estava cego quando eu o encontrei, e continua cego agora", sussurrei, olhando para ele através de uma névoa de dor. "Você não vê nada."

Antes que ele pudesse responder, meu pai irrompeu no pátio, acompanhado por dois soldados.

"O que está acontecendo?" rugiu o Don, sua presença sugando todo o oxigênio do ar.

"Ela atacou Isabella!" gritou Dante, sem nunca desviar o olhar de mim.

Meu pai não hesitou. Não perguntou minha versão dos fatos. Nem olhou para minha perna quebrada.

Ele percorreu a distância em dois passos e me deu um tapa na cara.

A força do golpe fez minha cabeça estalar para trás. Um gosto metálico invadiu minha boca. Senti o gosto de sangue.

"Vergonha", meu pai sibilou, olhando para mim como se eu fosse algo que ele tivesse raspado do sapato.

"Levem-na para a cela fria", ordenou Dante aos soldados, com a voz desprovida de misericórdia.

Meus olhos se arregalaram de terror.

A câmara frigorífica. O necrotério do hospital. O local onde os corpos eram mantidos antes do sepultamento.

"Dante, não", implorei, o pânico superando a dor na minha perna. "Está congelando aí embaixo. Você não pode..."

"Você precisa se acalmar", disse ele friamente, virando-me as costas. "Talvez uma noite com os mortos lhe ensine a respeitar os vivos."

Os soldados agarraram meus braços.

Eles não me ajudaram a levantar. Eles me arrastaram.

Meu gesso raspou ruidosamente no concreto, fazendo vibrar o osso fraturado por baixo.

Eu gritei, um som gutural e rouco, mas ninguém ouviu. Ninguém se importou.

Eles me empurraram para dentro do elevador de serviço.

Eles me levaram para baixo, passando pelo porão, até as entranhas do prédio.

O ar ficou cortante e gélido. A ardência química do formaldeído atacou meu nariz.

Eles me arrastaram até a pesada porta de aço do necrotério e a abriram com um estrondo.

No interior, fileiras de gavetas de aço inoxidável alinhavam-se nas paredes, brilhando sob a forte luz fluorescente.

Estava congelando. Um túmulo de gelo.

Eles me jogaram no chão de azulejos. Meu quadril bateu com força na superfície dura, provocando novas ondas de náusea.

"Pense no que você fez", zombou um dos soldados.

Então eles bateram a porta.

A fechadura fez um clique com um som definitivo.

A escuridão me engoliu por inteiro.

Foi absoluto. Pesado. Sufocante.

O frio começou a penetrar meus ossos imediatamente, ultrapassando a pele e se instalando profundamente na minha medula.

Encolhi-me em posição fetal, puxando os joelhos contra o peito, tentando desesperadamente conservar o calor.

Meus dentes começaram a bater violentamente.

Fechei os olhos com força e tentei imaginar o esconderijo.

Tentei me lembrar do crepitar e do calor da lareira.

Tentei me lembrar do calor do corpo de Dante, de como eu havia me deitado ao lado dele para impedir que ele tremesse quando a febre o dominou.

*Estou com frio, Sette*, ele sussurrou então, vulnerável e fragilizado.

*Estou aqui*, respondi, abraçando-o forte. *Vou te manter aquecido.*

Eu lhe ofereci meu carinho.

Eu lhe dei meu cobertor.

E agora, ele me trancou em um congelador.

A ironia era como uma faca serrilhada girando no meu estômago.

Com o início da hipotermia, comecei a ter alucinações.

Vi sombras se desprenderem dos cantos.

Ouvi sussurros ecoando nos azulejos.

Percebi que eram as vozes das garotas que morreram na mesa de cirurgia antes de mim. As outras reservas. As que não sobreviveram.

Eu ia morrer aqui.

E o homem que eu amava foi quem girou a chave.

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