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Tarde Demais: A Filha Preterida Foge Dele
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Capítulo 10 Capítulo

Ponto de vista de Seraphina Vitiello

O Uber ficou parado em frente aos enormes portões de ferro.

Era a manhã do casamento, e o ar vibrava com uma energia frenética.

Caminhões de entrega faziam fila para entrar. Flores. Buffet. Os arquitetos de um conto de fadas que eu estava prestes a arruinar.

Saí do carro.

Caminhei até a guarita, com a coluna rígida devido à dor persistente no corpo.

"Ligue para Dante", eu disse.

O guarda hesitou, seu olhar percorrendo meu corpo por um instante, antes de pegar o telefone.

Um minuto depois, Dante desceu a entrada da garagem.

Ele parecia acabado. Havia olheiras escuras e profundas sob seus olhos, como se não dormisse há dias.

Ele me viu e fez uma careta.

"Você deveria estar em um avião a caminho de Londres", disse ele.

Sua voz era rouca, um arranhar de cascalho.

"Perdi meu voo", menti.

Ele passou a mão pelos cabelos, um gesto de puro cansaço.

"Jesus, Seraphina. Você nunca vai parar de ser um fardo? Não tenho tempo para isso. Tenho que me casar daqui a quatro horas."

"Eu sei", eu disse.

Estendi a caixa branca.

"Eu só queria te dar isso."

Ele olhou para aquilo com desconfiança, sem fazer qualquer movimento para tocá-lo.

"O que é?"

"Um presente de casamento", eu disse, forçando a palavra a escapar dos meus lábios. "Para o meu cunhado."

Ele não aceitou.

Marco, seu subchefe, deu um passo à frente e pegou a caixa da minha mão.

"Verifique se há bombas", murmurou Dante.

Quase sorri.

É uma bomba, Dante, pensei. Só que não é do tipo que explode. É do tipo que não deixa nada para trás.

"Não vou para Londres", disse eu baixinho.

Ele olhou para mim então. Olhou mesmo para mim, seus olhos procurando nos meus o jogo que eu estava jogando.

"O que?"

"Vou embora", eu disse. "Para algum lugar onde você nunca me encontrará."

"Ótimo", disse ele.

A palavra pairou no ar entre nós.

Frio. Absolvente. Final.

Ele me virou as costas.

Ele voltou pela entrada de carros, caminhando em direção à casa onde minha irmã o esperava para se casar com ele.

Ele caminhou em direção à mentira que havia escolhido.

Eu o observei partir até que ele se tornou apenas um borrão contra a paisagem impecavelmente cuidada.

"Adeus, Dante", sussurrei.

Voltei para o Uber.

"Aeroporto", eu disse ao motorista.

Assim que entramos na rodovia, abaixei o vidro.

Retirei o cartão SIM do meu celular.

Com um estalo seco, eu o quebrei ao meio.

Joguei pela janela.

Eu vi o objeto quicar no asfalto e desaparecer na correria do trânsito.

O vento chicoteou meus cabelos contra meu rosto.

Respirei fundo.

Doía nas minhas costelas machucadas, mas o ar tinha um gosto diferente.

Não tinha gosto de sangue, nem de perfume caro, nem de medo.

Não tinha gosto de nada.

E nada era exatamente o que eu queria ser.

A jovem que amava Dante Moretti morreu em um porão em Chicago.

A mulher que desembarcasse em Sydney seria uma pessoa completamente diferente.

Fechei os olhos e deixei a distância me engolir por completo.

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