Tomas estava ajudando a explicar um exercício de estrutura de frases em inglês quando cometeu um erro. Era algo pequeno, um deslize de iniciante, mas Andrius não viu daquela forma. Seu incômodo já fervia por dentro, e aquilo foi a gota d'água.
Ele bateu o livro na mesa com um som seco, fazendo a sala se silenciar imediatamente.
- Errado! - Andrius disse, sua voz cortante. Os olhos frios se cravaram em Tomas, que se encolheu instintivamente.
Os alunos trocaram olhares tensos. As alunas que antes suspiravam por Tomas agora o olhavam com pena.
- Se pretende ensinar algo, senhor Brand, ao menos tenha a decência de não espalhar erros ridículos para os alunos. O mínimo que se espera de um auxiliar de classe é que saiba a matéria com perfeição. Mas talvez eu tenha sido ingênuo ao esperar isso de você.
O silêncio foi absoluto.
Tomas ficou imóvel, o rosto ficando vermelho de vergonha. Tentou abrir a boca para se justificar, mas nada saiu. Ele engoliu em seco, sentindo os olhos arderem. Não podia chorar ali. Não na frente dos alunos.
Seu coração acelerou, o estômago se revirou, e ele simplesmente abaixou a cabeça. Sem dizer nada, virou-se e saiu apressado da sala, ignorando os olhares confusos dos alunos.
Tomas atravessou o corredor sentindo o peito apertado. A humilhação queimava dentro dele. Não esperava que Andrius fosse tão cruel. Sentia-se um incompetente, um fracassado.
Empurrou a porta do banheiro e se apoiou na pia, respirando com dificuldade. Seus olhos estavam marejados, mas ele se recusava a deixar as lágrimas caírem. Ele não queria ser fraco. Não de novo.
- Tomas?
A voz veio da porta.
Tomas olhou pelo espelho e viu o professor Lucas, que acabava de entrar. Ele era o professor de química, um homem de trinta e poucos anos, de feições gentis e olhar observador. Era um dos mais respeitados na escola, tanto pelos alunos quanto pelos colegas.
- O que houve? - Lucas perguntou, franzindo a testa ao ver Tomas com os olhos vermelhos.
- Nada... - Tomas tentou disfarçar, mas sua voz falhou.
Lucas cruzou os braços.
- Não parece ser "nada".
Tomas apertou as mãos na pia. O nó em sua garganta só ficava maior.
- Foi o professor Andrius, não foi?
Tomas mordeu o lábio, hesitante. Lucas suspirou e encostou-se na parede, balançando a cabeça.
- Ele é um excelente professor, mas pode ser insuportável. Muitos professores novos desistem por causa dele. Você não é o primeiro.
- Ele... me humilhou na frente da turma - Tomas murmurou, finalmente admitindo. - Só porque errei uma frase. Ele me tratou como se eu fosse um idiota.
Lucas analisou o jovem por um momento antes de falar:
- Andrius tem um jeito frio e exigente, mas não acho que essa seja a verdadeira razão.
Tomas olhou para ele, confuso.
- Como assim?
Lucas deu de ombros.
- Digamos que o professor Hawthorne não lida bem com certas emoções. Talvez o problema não seja seu erro... Mas sim a forma como você o afeta.
Tomas franziu o cenho.
- Eu afeto ele?
Lucas apenas sorriu de lado.
- Só observe. Você vai entender com o tempo.
E com isso, deixou Tomas sozinho no banheiro, confuso e ainda com o coração pesado.